Apesar de preso na Argélia desde 2024 e condenado a sete anos de prisão por supostos crimes associados ao seu trabalho, o jornalista esportivo francês Christophe Gleizes foi credenciado pela Fifa para cobrir a Copa do Mundo, em uma iniciativa que reforça a campanha internacional por sua libertação.
O credenciamento permite que Gleizes cubra toda a competição para a revista francesa So Foot, entre 11 de junho e 19 de julho, nos Estados Unidos, Canadá e México – caso ele seja libertado a tempo.

Para a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o gesto da Fifa representa uma demonstração de apoio ao jornalista e uma forma de manter o caso em evidência durante um dos maiores eventos esportivos do planeta.
Segundo Thibaut Bruttin, diretor-executivo da entidade, a credencial reforça que Gleizes pertence às tribunas de imprensa e aos estádios da Copa do Mundo, e não a uma prisão.
A organização também pediu que jornalistas credenciados para o torneio continuem divulgando apelos por sua libertação ao longo da competição.
O apoio da Fifa à campanha por Gleizes contrasta com a ausência de qualquer consequência esportiva para a Argélia, que participa normalmente da Copa do Mundo de 2026 enquanto o jornalista permanece preso.
Quem é Christophe Gleizes
Christophe Gleizes é colaborador das revistas francesas So Foot e Society e é especializado na cobertura de futebol.

Ele foi preso em 28 de maio de 2024 na cidade de Tizi Ouzou, na Argélia, enquanto trabalhava em uma reportagem sobre o clube JS Kabylie, uma das equipes mais tradicionais do país.
Em junho de 2025, Gleizes foi condenado a sete anos de prisão por acusações de “apologia ao terrorismo” e de posse de publicações consideradas prejudiciais aos interesses nacionais.
Organizações de defesa da liberdade de imprensa contestam a condenação e afirmam que as acusações não têm fundamento. A sentença foi mantida em dezembro de 2025 por um tribunal de apelação.
Campanha mobilizou imprensa, clubes e artistas
Desde a condenação, uma ampla campanha internacional vem reunindo jornalistas, atletas – como o brasileiro Raí – clubes de futebol, artistas, entidades esportivas e organizações de defesa dos direitos humanos.
Uma petição lançada pela RSF em junho de 2025 já ultrapassou 20 mil assinaturas. O caso também recebeu apoio de cerca de 100 personalidades públicas, escolas de jornalismo e autoridades locais francesas.
Ao longo dos últimos meses, faixas pedindo a libertação de Gleizes foram exibidas durante eventos esportivos e culturais, incluindo o Tour de France, partidas da Ligue 1 e da Copa da França, além de festivais de música e encontros dedicados à liberdade de imprensa.
Clubes do futebol francês também aderiram à mobilização. Em dezembro de 2025, uma imagem gigante do jornalista foi instalada na fachada da sede da Federação Francesa de Futebol, em Paris, enquanto mensagens de apoio foram exibidas em estádios durante jogos da Copa da França.
Mais recentemente, familiares de Gleizes participaram de ações simbólicas em partidas da Ligue 1 e da Copa da França para manter o caso em evidência.
Credencial amplia pressão por libertação
Com a abertura da Copa do Mundo, a concessão da credencial ganhou peso simbólico adicional. A iniciativa contou com apoio da Sports & Rights Alliance, coalizão internacional que atua em temas de direitos humanos no esporte, e da Associação Internacional da Imprensa Esportiva (AIPS).
Os pais do jornalista, Sylvie e Francis Godard, agradeceram a iniciativa da Fifa e renovaram o pedido para que o presidente argelino Abdelmadjid Tebboune conceda clemência ao filho.
“Ele é um jornalista de futebol e nada além disso”, afirmaram em comunicado divulgado pela RSF. Segundo a família, a libertação de Christophe Gleizes permitiria que ele retomasse sua vida familiar e profissional após mais de dois anos de detenção.
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