Jornalistas do Brasil podem concorrer ao AI Accountability Fellowships, programa do Pulitzer Center que oferece bolsas de até US$ 25 mil (cerca de R$ 129 mil) para investigações sobre inteligência artificial e sistemas automatizados.
Além do financiamento, os selecionados recebem mentoria, treinamento especializado e apoio editorial, jurídico e técnico para desenvolver suas reportagens.
As inscrições estão abertas até 12 de julho.
O que o programa oferece
O Pulitzer Center busca propostas que investiguem como a IA e outros sistemas automatizados afetam áreas como educação, saúde, segurança pública, trabalho, eleições, direitos humanos, meio ambiente e acesso a serviços públicos.
Além da bolsa para financiar a investigação, os participantes passam cerca de dez meses integrando uma rede internacional de jornalistas dedicada à cobertura dos impactos da inteligência artificial.
O programa inclui mentoria de especialistas, workshops, treinamento sobre investigação de sistemas automatizados, apoio jurídico e de segurança digital quando necessário.
Os bolsistas recebem acompanhamento editorial durante o desenvolvimento das reportagens.
Quem pode participar
Podem se inscrever jornalistas freelancers, independentes ou vinculados a veículos de comunicação.
O Pulitzer Center também incentiva candidaturas colaborativas e de profissionais que normalmente têm menos acesso a recursos para desenvolver investigações longas.
O programa é aberto a jornalistas de diferentes formatos, incluindo texto, rádio, vídeo e multimídia.
Não é obrigatório ter experiência prévia cobrindo inteligência artificial, mas o Pulitzer valoriza trajetórias em reportagens investigativas, de dados, explicativas ou de impacto público.
O que o edital pede
A candidatura deve ser feita em inglês, mas exemplos de reportagem, cartas de compromisso e referências profissionais podem ser apresentadas em outros idiomas. A comunicação, os encontros e os treinamentos do programa serão em inglês.
Os candidatos devem apresentar uma proposta concreta de reportagem, com apuração preliminar, plano de investigação, metodologia, fontes de dados ou hipóteses de trabalho. Propostas muito genéricas tendem a ser menos competitivas.
Também são pedidos três exemplos de reportagens publicadas nos últimos três anos, currículo, três referências profissionais, orçamento detalhado e uma carta de interesse ou compromisso de um veículo que possa publicar a investigação.
No caso de jornalistas de redação, a carta deve confirmar o apoio do editor ou gestor para a participação no programa.
Reportagem apoiada ajudou a impulsionar projeto de lei no Brasil
O Pulitzer Center destaca que investigações financiadas pelo programa já produziram resultados concretos em diferentes países.
Um dos exemplos é a reportagem do jornalista Nico Schmidt, publicada pelo Núcleo Jornalismo em parceria com o Investigate Europe, que revelou o uso de um sistema europeu de reconhecimento facial para monitorar a frequência de até um milhão de estudantes da rede pública do Paraná.
Segundo o Pulitzer Center, a investigação foi citada como referência no Projeto de Lei 1.225/2026, apresentado pela deputada federal Ana Paula Lima, que propõe restringir o uso de tecnologias de reconhecimento facial em escolas brasileiras.
A organização afirma que o caso ilustra como reportagens apoiadas pelo programa podem contribuir para o debate público e inspirar mudanças legislativas.
Além desse exemplo, o Pulitzer Center informa que investigações desenvolvidas por ex-bolsistas também já serviram de base para processos judiciais, novas apurações jornalísticas e iniciativas educacionais em diferentes países.
Como se inscrever
Mais informações sobre os critérios de seleção e o formulário de candidatura estão disponíveis no site oficial do Pulitzer Center: AI Accountability Fellowships – Pulitzer Center.
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