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Regulamentação digital

Câmara dos EUA aprova projeto de lei de segurança online para crianças sob críticas do Senado

Texto ainda precisa ser negociado com o Senado, que defende uma versão diferente da proposta

Crianças sentadas usando celular

Foto: Jessica Lewis Creative/Pexels




A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou na segunda-feira (29) o Kids Internet and Digital Safety (KIDS) Act, projeto de lei que reúne medidas para ampliar a proteção de crianças e adolescentes na internet.

O texto, identificado como H.R. 7757, foi aprovado por 267 votos a 117.

A aprovação na Câmara não encerra a tramitação da proposta. Como o Senado aprovou anteriormente uma versão diferente da legislação, parlamentares das duas Casas ainda terão de negociar um texto comum antes que o projeto possa seguir para a sanção presidencial.

Lei de segurança online avança nos EUA

A votação marca um novo capítulo em um debate que se estende há anos no Congresso americano sobre a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de menores.

Enquanto outras jurisdições, como a União Europeia e o Reino Unido, já adotaram legislações específicas sobre segurança online, os Estados Unidos ainda discutem uma lei federal para o tema.

Em comunicado divulgado após a aprovação, a Comissão de Energia e Comércio da Câmara afirmou que o Congresso “passou anos buscando a melhor forma de proteger crianças e adolescentes online”.

A nota diz que o KIDS Act cria “fortes proteções” por meio de “novas regras para recursos de design, configurações padrão e privacidade de crianças”.

“O KIDS Act protege crianças, empodera pais e responsabiliza plataformas de internet.”

O que diz o comunicado da Câmara

O presidente da comissão, o republicano Brett Guthrie, e o principal democrata do colegiado, Frank Pallone, afirmaram em declaração conjunta que a votação bipartidária indica que o Congresso encontrou uma resposta para o tema.

Eles disseram ainda que a proposta estabelece regras para recursos de design, configurações padrão e privacidade infantil.

Também citado no comunicado, o deputado Gus Bilirakis afirmou que o pacote inclui salvaguardas como medidas para lidar com uso compulsivo e controles parentais.

“Uma publicação perturbadora não deve se transformar em um fluxo constante de conteúdo sobre depressão, suicídio ou transtornos alimentares”, disse Bilirakis.

A deputada Kathy Castor classificou a aprovação como “um passo há muito esperado e significativo” para proteger crianças americanas na era digital.

Segundo ela, pais, jovens, pediatras, psicólogos, professores e defensores do tema têm afirmado há anos que as grandes empresas de tecnologia precisam agir para reduzir danos sofridos por crianças online.

De acordo com Castor, o projeto “fortalece proteções de privacidade para crianças e adolescentes, proíbe publicidade direcionada a jovens, dá mais controle às famílias e preserva a capacidade dos pais de buscar justiça nos tribunais”.

Lei de segurança online enfrenta críticas

Em nota divulgada antes da votação, a senadora Maria Cantwell e o senador Richard Blumenthal criticaram a versão da Câmara.

Cantwell afirmou que o pacote “esvaziou muitas das principais disposições do projeto do Senado necessárias para proteger crianças e suas famílias”.

A Electronic Frontier Foundation (EFF), organização dedicada à defesa dos direitos digitais, também criticou a proposta.

A entidade afirmou que o KIDS Act pode levar serviços online a verificar a idade de todos os usuários e criar novas regras para comunicações privadas e criptografadas.

“Segundo a ONG, embora apoiadores digam que o projeto protege menores online, suas exigências ocorrem “às custas da privacidade, da liberdade de expressão e da capacidade de pessoas de todas as idades usarem a internet sem revelar dados sensíveis”.

Disputa com o Senado

De acordo com uma análise publicada pelo site de notícias Axios, o texto aprovado pelos deputados difere da versão defendida por senadores especialmente por não incluir a linguagem de “duty of care”.

Esse dever de cuidado exigiria das plataformas medidas razoáveis para reduzir danos relacionados a recursos de design, como rolagem infinita e recomendações algorítmicas.


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