© Conteúdo protegido por direitos autorais

Violência contra jornalistas

Um por semana: mundo teve 26 jornalistas mortos no primeiro semestre de 2026; Líbano lidera fatalidades

Mortes foram contabilizadas pelo Comitê de Proteção a Jornalistas no primeiro semestre do ano; mais da metade delas aconteceu no Oriente Médio

Pessoas velam corpo da jornalista Amal Khalil

Cortejo fúnebre da jornalista libanesa Amal Khalil reuniu milhares de pessoas (foto: reprodução livestream)




Com 26 vítimas em seis meses, o mundo teve um jornalista ou profissional de imprensa morto a cada sete dias no primeiro semestre de 2026, mostram dados do Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ).

O país mais letal para a imprensa este ano é o Líbano, com nove mortes causadas por bombardeios de Israel, repetindo um padrão visto na Faixa de Gaza em 2025. Na América Latina foram quatro vítimas – duas no México, uma na Guatemala e uma na Colômbia, onde o jornalista assassinado tinha proteção do Estado.

A quantidade de vítimas deste ano é menor do que a do mesmo período de 2025, o que poderia sinalizar um ano menos letal para os jornalistas. Mas a previsão é difícil de ser feita pois, o Líbano não estava em guerra no ano passado.

O dado chocante da estatística é a quantidade de casos apontados como ataques deliberados de Israel, vários deles assumidos pelo país sob a justificativa de que os jornalistas, incluindo a serviço de grandes redes como Al Jazeera e Reuters, seriam terroristas ou membros do grupo Hamas.

Números variam de acordo com o órgão

Outras organizações de defesa da liberdade de imprensa além do CPJ  também contabilizam dados de jornalistas mortos ou vítimas de violência no primeiro semestre de 2026, como o Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ).

Mas os números variam porque as entidades aplicam metodologias diferentes.

No caso da RSF, que não contabiliza repórteres com vínculos de trabalho “informais”, o número total de vítimas é menor, com 18 jornalistas mortos.

A RSF também contabiliza a quantidade de jornalistas presos e sequestrados em 2026.

De acordo com o órgão, 472 profissionais de imprensa seguem presos por questões relacionadas às suas profissões e outros 21 estão sequestrados. Além disso, o órgão também contabiliza 137 pessoas desaparecidas de 1992 até hoje.

Líbano, arrastado para a guerra, lidera mortes

O Líbano lidera o ranking de jornalistas e membros da imprensa mortos no primeiro semestre de 2026, com nove vítimas.

O país foi arrastado para uma guerra após a ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irã, no fim de fevereiro. Na ocasião, o grupo extremista Hezbollah lançou bombas contra Israel para retaliar os ataques no Irã. Em troca, recebeu bombardeios israelenses por mais de um mês.

Todas as mortes registradas pelo RSF no país aconteceram entre 12 de março e 22 de abril, período em que os ataques na região foram mais intensos.

A IFJ listou em junho 236 jornalistas mortos em Gaza desde o início da guerra com Israel.

Omissão de socorro

Entre as vítimas mortas no Líbano, um dos casos mais emblemáticos foi o da jornalista Amal Khalil.

Em abril, a repórter de 42 anos presenciou um ataque em um carro que estava a poucos metros do dela. Em seguida, ela teve o próprio carro atingido por uma bomba israelense. A mulher sobreviveu e se escondeu em um prédio, que acabou atingido por outro ataque.

Equipes de socorro estavam a oito quilômetros do local, mas não receberam autorização de Israel para ir até a mulher. Uma ambulância que tentou se aproximar, inclusive, precisou recuar após a explosão de uma granada de efeito moral.

Khalil estava acompanhada de outra repórter, Zeinab Faraj, que sobreviveu. A justificativa de Israel foi de que as mulheres estavam acompanhadas de integrantes do Hezbollah. Após a condenação do ataque, o país afirmou que trata o caso “com a máxima seriedade”.

Israel segue matando jornalistas

Todas as mortes de jornalistas no Líbano foram decorrentes de ataques aéreos de Israel. Isso repete um padrão do ano anterior, quando o país travava uma guerra na Faixa de Gaza e 43% de todos os repórteres mortos naquele ano estavam no enclave.

Em 2025, diante da crescente de mortes, a RSF apresentou uma queixa à Corte de Haia por crimes de guerra cometidos pelas forças militares do país.

Isso não pareceu adiantar, já que nos casos do Líbano o estado israelense seguiu tentando ligar repórteres a grupos terroristas para justificar os atos.

No mês passado, representantes do Sindicato dos Jornalistas do Líbano foram a Genebra denunciar as mortes e pedir o fim da impunidade para os casos.

De acordo com números internos do sindicato, 260 jornalistas foram mortos na região nos últimos três anos, a maioria delas causada por Israel. Os números em questão consideram também vítimas em outras partes do Oriente Médio.

Oriente Médio soma mais da metade das mortes

Somadas, as mortes de jornalistas e outros profissionais da imprensa no Oriente Médio chegam a 19.

Além das nove mortes no Líbano, o levantamento da CPJ tem sete vítimas em territórios palestinos ocupados por Israel, um repórter morto na Síria, um no Irã e outro no Iêmen.

A América Latina, os assassinatos repetiram o padrão que se tornou comum na região: ataques a profissionais de imprensa locais, que noticiam crimes e corrupção em pequenas localidades, muitas vezes em seus próprios canais em redes sociais.

Foi o caso de Cristian Herrera, nono repórter morto no governo de Gustavo Petro, foi baleado na frente da esposa e dos filhos.

Omissão de socorro

Entre as vítimas mortas no Líbano, um dos casos mais emblemáticos foi o da jornalista Amal Khalil.

Em abril, a repórter de 42 anos presenciou um ataque em um carro que estava a poucos metros do dela. Em seguida, ela teve o próprio carro atingido por uma bomba israelense. A mulher sobreviveu e se escondeu em um prédio, que acabou atingido por outro ataque.

Equipes de socorro estavam a oito quilômetros do local, mas não receberam autorização de Israel para ir até a mulher. Uma ambulância que tentou se aproximar, inclusive, precisou recuar após a explosão de uma granada de efeito moral.

Khalil estava acompanhada de outra repórter, Zeinab Faraj, que sobreviveu. A justificativa de Israel foi de que as mulheres estavam acompanhadas de integrantes do Hezbollah. Após a condenação do ataque, o país afirmou que trata o caso “com a máxima seriedade”.

Números sinalizam que 2026 pode ser um ano menos letal

O número de jornalistas mortos no primeiro semestre de 2026 corresponde a 19,6% do total de vítimas contabilizadas pelo CPJ em 2025. No ano passado, o órgão registrou 132 profissionais de imprensa assassinados, enquanto o IFJ contabilizou 128.

Os números podem indicar uma tendência positiva para o ano, mas tudo parece depender da geopolítica global.

error: Este conteúdo é protegido por direitos autorais.