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Violência contra jornalistas

Jornalista mexicana sequestrada em casa é achada morta; 4 policiais estão entre os presos pelo crime

Caso de Roxana Ramírez, que filmou o próprio sequestro, eleva para três o número de jornalistas mortos este ano no violento estado de Veracruz

Roxana Berenice Guzmán Ramírez, jornalista sequestrada no México

Roxana Berenice Guzmán Ramírez foi sequestrada em Veracruz, um dos estados mais violentos do México (foto: redes sociais)




A jornalista mexicana Roxana Ramírez foi encontrada morta em Veracruz, uma das regiões mais violentas do México, um mês depois de ter sido sequestrada por homens armados dentro de casa e de ter filmado a ação dos criminosos.

A confirmação foi feita pelas autoridades locais após a identificação de restos humanos localizados em um rancho no município de Moloacán na sexta-feira (3), com sinais de ter sido queimado para ocultar o crime.

Oito pessoas foram presas por envolvimento no assassinato. Entre elas estão quatro policiais municipais, acusados de ter dado apoio ao grupo responsável pelo sequestro e morte de Ramiréz.

Os outros quatro detidos são supostos integrantes de uma organização criminosa local, entre eles dois homens identificados pelas autoridades pelos codinomes “Delta 1” e “Delta 7”, apontados como operadores da célula.

Os oito foram indiciados por homicídio doloso qualificado.

 Jornalista filmou o sequestro

Imagens de vídeo do ataque — filmadas pela própria jornalista antes de ser sequestrada — circularam rapidamente nas mídias sociais, mostrando os agressores arrombando a porta da frente com uma ferramenta pesada antes de entrar na casa e ameaçando a jornalista e seu irmão com armas de fogo.

A página Pulso Informativo del Sureste, seguida por cerca de 20.000 pessoas, reúne notícias sobre assuntos comunitários, reclamações de cidadãos, serviços públicos, política municipal e questões de segurança pública.

Em 2019, a mídia mexicana informou que Guzmán já havia procurado assistência da Comissão Estadual de Veracruz para a Atenção e Proteção de Jornalistas (CEAPP) depois de relatar suposto assédio por um agente municipal em Nanchital.

Em 2017, o marido dela foi assassinado.

Veracruz, um dos lugares mais perigosos para jornalistas no México

Segundo a Repórteres Sem Fronteiras, Veracruz é um dos estados mais perigosos do México para jornalistas.

O país vive uma violência persistente contra a imprensa, particularmente contra repórteres locais que cobrem questões de segurança, política municipal e reclamações de cidadãos.

De acordo com dados da organização, quase 30 jornalistas seguem desaparecidos no México, que ocupa o 122º lugar entre 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da de 2026.

Jan-Albert Hootsen, Representante do Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ) no México, disse:

“Este é o terceiro jornalista que foi morto em Veracruz este ano, uma estatística horrível que reafirma o status sombrio do país como o país mais perigoso para os jornalistas. As autoridades mexicanas devem investigar minuciosamente se esse assassinato estava ligado ao seu jornalismo e garantir justiça para ela e os outros dois jornalistas mortos no estado .”

A morte de Rosana Ramiréz eleva para cinco o número de jornalistas mortos na América Latina este ano. Outros dois profissionais  de imprensa foram mortos na Colômbia.


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