Com mais de 50 milhões de espectadores em apenas um jogo, a Copa do Mundo de futebol bateu recorde de audiência esportiva do século nos Estados Unidos – em uma comparação que não inclui as partidas da NFL, a Liga de Futebol Americano, que ainda reina soberana.
Alguns analistas condicionaram os números à participação da seleção da casa na competição, mas o boom de audiência se manteve mesmo após a eliminação dos EUA, mostram dados levantados pela rede Fox.
O sucesso gerou interesse de grandes nomes do streaming nos EUA, que podem investir bilhões para ter a transmissão exclusiva do evento em 2030 – mesmo para um público que, tradicionalmente, é pouco fã de futebol.
Apesar de alta, a audiência da Copa do Mundo na TV dos EUA ainda está longe de atingir os números da National Football League (NFL), principal liga profissional de futebol americano no país.
No ano passado, a média de espectadores por jogo foi de 18,7 milhões. Já o Super Bowl, evento final da competição, teve 127,7 milhões de pessoas conectadas, de acordo com a própria NFL.
Milhões de espectadores
Os jogos usados como métrica para a audiência foram das oitavas de final da Copa do Mundo nos EUA. Enquanto a partida entre Estados Unidos e Bélgica teve 50,1 milhões de visualizações, a partida entre México e Inglaterra teve 46,7 milhões.
Nas duas partidas, os países sedes da copa perderam a competição e acabaram desclassificados.
Os dados foram divulgados oficialmente pelo analista de audiência da Fox, Michael Mulvihill. A Fox detém os direitos de transmissão da competição em inglês no país. Já a Telemundo transmite a competição em espanhol.
Esta foi a maior audiência de um evento esportivo não ligado à liga de futebol americana desde as Olimpíadas de Inverno de 1994.
Na década de 1990, o recorde aconteceu em 23 de fevereiro de 1994, quando 110,5 milhões de pessoas assistiram ao programa curto de patinação artística feminina da competição.
A grande audiência não foi um acaso: ela teve relação direta com uma agressão sofrida pela patinadora americana Nancy Kerrigan.
Nancy foi agredida com um bastão em janeiro daquele ano por um homem contratado pelo ex-marido de sua rival, Tonya Harding, que tinha o plano de retirá-la das seletivas para as Olimpíadas.
Apesar dos ferimentos, Nancy se classificou para a competição, assim como a sua rival, que na época da competição era apenas uma suspeita do crime.
Kerrigan ficou em segundo lugar no programa, perdendo para a ucraniana Oksana Baiul, de 16 anos.
Já a sua rival ficou em 10º, após uma falha em um equipamento. Tonya foi condenada pelo crime em junho daquele ano, perdendo para sempre o direito de competir.
Interesse das gigantes americanas
O sucesso da Copa do Mundo entre a população dos EUA fez a Netflix, Disney e Youtube sinalizarem interesse em disputar os direitos de transmissão dos jogos para 2030 e 2034, de acordo com o canal CNBC.
A expectativa é de que as negociações com a Fifa comecem ainda em 2026.
Os aportes financeiros para os direitos de transmissão estão estimados entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões, segundo a CNBC. A Amazon e a Apple, que hoje transmite a liga americana de futebol, também podem entrar na disputa.
Números seguiram bons após eliminação dos EUA
World Cup viewership trend vs 2022 on FOX/FS1:
Prior to USA and MEX eliminated: +122%
(91 matches prior to MEX-ENG)Since USA and MEX eliminated: +121%
(3 matches since USA-BEL)— Michael Mulvihill (@mulvihill79) July 10, 2026
De acordo com o analista da Fox, os bons números de audiência não estão relacionados apenas à participação dos EUA na Copa do Mundo.
Comparando com os números de 2022, a audiência dos jogos após a eliminação dos países sede é 121% maior do que na copa anterior. Já antes da eliminação, a audiência dos jogos foi 122% maior do que em 2022.
Esses números são traduzidos também dentro dos campos. Mesmo com ingressos caros e alguns jogos inacessíveis para quem não tem carro, a ocupação média dos estádios é de 99,7%, de acordo com dados da Fifa. A estimativa é de que mais de 6,25 milhões de pessoas tenham ido a jogos nas três sedes até o fim das oitavas de final.
Os números sinalizam que o investimento da Fox e da Telemundo . De acordo com o The Athletic, do The News York Times, os canais pagaram, respectivamente, US$ 485 milhões e US$ 600 milhões pelos direitos de transmissão dos jogos em 2026.
Polêmicas e críticas a Infantino
Um dos países-sede da Copa, os Estados Unidos também protagonizaram aquela que foi a maior polêmica da competição até o momento.
A Fifa suspendeu um cartão vermelho aplicado ao jogador americano Folarin Balogun após uma ligação de Donald Trump ao presidente da instituição, Gianni Infantino.
Trump comemorou publicamente a suspensão do cartão, algo atípico no futebol, e disse que o cartão teria “deixado uma grande mancha” na competição.
Com o cartão suspenso, o centroavante participou da partida contra a Bélgica pelas oitavas de final da competição, quando os EUA perderam de 4 x 1 e acabaram eliminados.
A boa relação de Infantino com Trump foi alvo de protestos antes mesmo do começo da competição. Em junho, a ONG esportiva FairSquare lançou uma campanha para organizar uma denúncia em massa contra Infantino.
Um dos principais pontos da denúncia foi a suposta violação do artigo 15 do Código de Ética da Federação, que exige a neutralidade política de funcionários. Eles lembraram de momentos públicos de interação de Infantino com Trump, como quando ele concedeu um prêmio de paz ao americano.
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