As associações de jornalistas esportivos da França, Espanha, Argentina e Reino Unido, países semifinalistas da Copa do Mundo, divulgaram um manifesto conjunto pedindo a libertação do jornalista francês Christophe Gleizes, preso na Argélia desde junho de 2025.
O apelo foi assinado pela Union des Journalistes Sportifs Français (UJSF), pela Asociación Española de la Prensa Deportiva (AEPD), pela Federación Argentina de Periodistas Deportivos (FAPED) e pela Sports Journalists’ Association (SJA).
A mobilização também recebeu o apoio da Associação Internacional de Imprensa Esportiva (AIPS) e da Football Writers’ Association (FWA).
Colaborador das revistas francesas So Foot e Society, Gleizes foi condenado a sete anos de prisão quando estava na Argélia fazendo reportagens sobre o futebol local.

Segundo as entidades, ele deveria estar cobrindo a Copa do Mundo, acompanhando as partidas e relatando as histórias do torneio, mas seu lugar permanece vazio na tribuna de imprensa.
Em um ato de apoio, a Fifa concedeu uma credencial a ele antes do início do Mundial.
Entenda o caso do jornalista francês
Christophe Gleizes foi preso na Argélia em maio de 2024 enquanto apurava uma reportagem sobre o clube JS Kabylie.
Após mais de um ano detido, foi condenado, em junho de 2025, a sete anos de prisão por acusações de “apologia ao terrorismo” e “posse de publicações com fins de propaganda”.
A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirma que as acusações decorrem de contatos mantidos pelo jornalista durante seu trabalho de apuração e considera o caso uma criminalização da atividade jornalística.
O caso também ocorre em um período de forte tensão diplomática entre França e Argélia, marcado por divergências sobre o Saara Ocidental, imigração, memória colonial e expulsões de representantes diplomáticos. Embora não haja indicação de que Christophe Gleizes tenha sido condenado por sua nacionalidade, sua prisão tornou-se mais um ponto de atrito entre os dois países, depois de o governo francês pedir publicamente sua libertação.
Entidades esportivas pedem a libertação de Christophe Gleizes
No manifesto, coordenado pela organização de liberdade de imprensa Repórteres Sem Fronteiras, as associações afirmam que, em um momento em que o futebol reúne pessoas de diferentes países e representa valores como liberdade, respeito e solidariedade, é inaceitável que um jornalista permaneça preso por exercer sua profissão.
O documento também expressa o desejo de que Gleizes possa reencontrar sua família, seus colegas e voltar aos campos de futebol. As entidades reiteram o pedido por sua libertação e defendem o direito dos jornalistas de trabalhar livremente.
A RSF, que coordena a campanha internacional pelo jornalista, considera que a realização das semifinais da Copa do Mundo oferece uma oportunidade para ampliar a visibilidade do caso.
O diretor-geral da organização, Thibaut Bruttin, afirmou que a mobilização conjunta das associações envia uma mensagem de que o exercício do jornalismo não deve ser tratado como crime.
Campanha mobiliza clubes, federações e competições esportivas
A campanha em defesa de Gleizes tem mobilizado o mundo do esporte desde sua condenação. Segundo a RSF, uma petição lançada em junho de 2025 já reúne mais de 20 mil assinaturas.
Personalidades públicas, escolas de jornalismo, clubes de futebol e entidades esportivas aderiram ao movimento ao longo do último ano.
Entre as ações promovidas estão faixas exibidas durante o Tour de France, manifestações de nove clubes da primeira divisão francesa, mensagens de apoio durante partidas da Copa da França e uma homenagem realizada na sede da Federação Francesa de Futebol (FFF).
A campanha também esteve presente em um amistoso organizado em homenagem ao jornalista e em partidas do Campeonato Francês.
O brasileiro Raí está entre os que se engajaram na defesa de Gleizes.
FIFA concedeu credencial ao jornalista para a Copa de 2026
Ao conceder o credenciamento oficial a Christophe Gleizes para cobrir o Mundial 2026, o presidente da entidade, Gianni Infantino, afirmou que uma cadeira vazia aguardava o jornalista na sala de imprensa e defendeu sua libertação.
Durante uma entrevista coletiva da seleção francesa, uma pergunta escrita por Gleizes da prisão foi lida pelo presidente da UJSF, Vincent Duluc.
O técnico Didier Deschamps respondeu com uma mensagem de apoio e disse esperar que o jornalista possa voltar em breve a exercer seu trabalho.
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