O governo do Reino Unido confirmou nesta quarta-feira (15) que exigirá das redes sociais a ativação de um limite noturno por padrão para usuários de 16 e 17 anos, com restrição de acesso entre meia-noite e 6h.
O anúncio foi feito após uma consulta pública sobre a relação de crianças e adolescentes com as plataformas digitais e a divulgação de uma pesquisa encomendada pelo Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia do Reino Unido (DSIT, na sigla em inglês). O estudo testou diferentes formas de reduzir o uso de redes sociais entre jovens de 13 a 17 anos.
A medida fará parte das regras que o governo pretende apresentar ao Parlamento até o fim de 2026, com entrada em vigor prevista para o segundo trimestre de 2027.
Limite noturno será ativado por padrão
De acordo com o governo britânico, o limite entre meia-noite e 6h será aplicado por padrão às contas de adolescentes de 16 e 17 anos. A proposta permite que os usuários dessa faixa etária desativem ou modifiquem a restrição.
O governo também pretende exigir que as plataformas desliguem automaticamente recursos que podem prolongar o tempo de uso, como vídeos reproduzidos em sequência e feeds que oferecem continuamente conteúdo personalizado. Essas configurações também poderão ser alteradas pelos adolescentes.
Segundo o comunicado, as medidas buscam evitar uma interrupção repentina das proteções quando os jovens completarem 16 anos. Em junho, o governo anunciou que pretende impedir as empresas de redes sociais de oferecer seus serviços a menores dessa idade.
Adolescentes de 16 e 17 anos continuarão autorizados a usar as plataformas, mas terão configurações de proteção ativadas automaticamente.
O pacote anunciado anteriormente também prevê que recursos como transmissões ao vivo e contatos com desconhecidos sejam desabilitados por padrão para essa faixa etária.
Pesquisa testou três tipos de restrição
A pesquisa citada pelo governo foi encomendada pelo DSIT e conduzida pela empresa Savanta. O estudo qualitativo acompanhou 309 famílias com adolescentes de 13 a 17 anos em diferentes regiões do Reino Unido.
Os pesquisadores realizaram entrevistas antes e depois de um período de testes de um mês, entre maio e junho de 2026. Os participantes foram distribuídos entre um grupo de controle, que não mudou seus hábitos, e três grupos submetidos a diferentes formas de restrição.
Uma das intervenções limitava o uso de cada aplicativo de rede social a 15 minutos por dia. Outra bloqueava o acesso entre 21h e 7h. A terceira exigia a remoção completa dos aplicativos selecionados.
As restrições incluíam Facebook, Instagram, TikTok, X, Snapchat e Reddit. Segundo o relatório, as famílias podiam acrescentar outras plataformas, como Twitch, Kick e Discord. WhatsApp, YouTube, iMessage, Google Classroom e Microsoft Teams ficaram fora do desenho original da pesquisa.
Bloqueio noturno teve maior adesão das famílias
De acordo com o relatório, o bloqueio entre 21h e 7h foi considerado pelos participantes o mais fácil de aplicar entre os três modelos testados. Também foi a intervenção associada aos relatos mais frequentes de melhora no sono.
As famílias submetidas ao limite noturno foram as que mais afirmaram que manteriam voluntariamente a restrição depois do fim do estudo. Participantes relataram que a medida passou a fazer parte da rotina após o período inicial de adaptação.
Segundo a pesquisa, jovens e responsáveis mencionaram mudanças como dormir mais cedo, acordar mais descansado e ter maior concentração em aulas ou períodos de estudo. Também houve relatos de maior convivência presencial e mais tempo compartilhado entre integrantes da família.
O relatório ressalva, porém, que o bloqueio noturno deixou praticamente inalterado o uso das plataformas durante o dia e o início da noite. Alguns adolescentes apenas anteciparam ou adiaram o acesso para contornar o período de restrição, sem necessariamente reduzir o tempo total nas redes sociais.
Também foram identificadas formas de evitar os bloqueios, como o uso de tablets, computadores ou celulares antigos. Em alguns casos, os próprios responsáveis abriram exceções às regras.
Restrições também provocaram dificuldades
O estudo registrou relatos de irritação, mudanças de humor e aumento de conflitos familiares durante os primeiros dias das restrições. Alguns adolescentes disseram se sentir afastados de amigos e de conversas em grupo porque os colegas não estavam submetidos às mesmas regras.
Segundo o relatório, aplicativos como o Snapchat eram usados por muitos participantes principalmente para comunicação com amigos, e não apenas para consumir conteúdo.
Por isso, parte dos adolescentes considerou que o bloqueio também afetava atividades sociais e a organização de encontros presenciais.
A remoção completa dos aplicativos foi associada a relatos de maior concentração, tranquilidade e convivência familiar, mas também causou as maiores dificuldades sociais entre os três modelos.
Os participantes, em geral, consideraram essa alternativa muito restritiva para ser mantida por períodos prolongados.
O limite de 15 minutos por aplicativo também enfrentou problemas de adesão. Segundo a pesquisa, alguns jovens concentravam o uso durante o período permitido ou migravam para outras telas e serviços depois de atingir o limite.
Consulta pública antecedeu confirmação da medida
A consulta nacional foi realizada entre 2 de março e 26 de maio de 2026.
Segundo o governo, nove em cada dez pais consultados apoiaram a proibição das redes sociais para menores de 16 anos, enquanto dois terços dos jovens concordaram que crianças dessa faixa etária não deveriam usar pelo menos algumas plataformas.
Após a consulta, o governo anunciou em junho o plano de proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais e antecipou que apresentaria medidas adicionais para usuários de 16 e 17 anos.
Naquele momento, a secretária de Tecnologia, Liz Kendall, afirmou que o Executivo estava inclinado a adotar limites noturnos por padrão, mas ainda analisaria os resultados da pesquisa.
O comunicado desta quarta-feira confirmou o período entre meia-noite e 6h e incluiu a medida no pacote que será submetido ao Parlamento.
O governo também informou que prepara medidas relacionadas ao uso de sistemas de inteligência artificial por menores de idade. Entre as propostas estão pausas regulares para usuários de chatbots e restrições a serviços que ofereçam orientações perigosas, enganosas ou não verificadas sobre saúde mental.
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