O Brasil foi o grande protagonista na edição 2026 do Prêmio Gabo, ao conquistar três das cinco categorias da mais importante premiação dedicada ao jornalismo em língua portuguesa e espanhola.
Os vencedores brasileiros foram o Metrópoles, na categoria Cobertura; a TV Globo, em Imagem; e a Folha de S.Paulo, em Fotografia.
Além dos prêmios, o Brasil também liderou a lista de finalistas, com trabalhos selecionados nas cinco categorias da competição.
Criado em 2013 pela Fundação Gabo em homenagem ao escritor e jornalista colombiano Gabriel García Márquez, o Prêmio Gabo reconhece anualmente trabalhos que se destacam pela excelência narrativa, pelo rigor da apuração, pela inovação e pela contribuição ao interesse público.
Na edição de 2026, a premiação recebeu 1.915 inscrições de 20 países. Os trabalhos foram avaliados por um júri formado por 66 profissionais do jornalismo ibero-americano.
Prêmio Gabo 2026 reconhece investigação do Metrópoles
O prêmio na categoria Cobertura ficou com “A política da bala”, série de reportagens do Metrópoles que investigou o aumento da letalidade da Polícia Militar de São Paulo durante a gestão de Tarcísio de Freitas.
A equipe cruzou dados oficiais, vídeos, documentos e relatos para mostrar como mudanças na política de segurança pública coincidiram com o crescimento das mortes provocadas por policiais, incluindo casos de pessoas desarmadas atingidas por tiros pelas costas.
O trabalho analisou documentos, vídeos e dados relacionados a 227 casos, que somaram 246 mortes. O júri destacou a profundidade da investigação e a relevância pública da cobertura.
TV Globo vence no Prêmio Gabo com documentário sobre estudantes
Na categoria Imagem, venceu “Terceirão — um ano, quatro vidas”, produção da TV Globo que acompanha durante um ano a rotina de quatro estudantes brasileiros no último ano do ensino médio.
O documentário retrata expectativas, dificuldades e desigualdades enfrentadas pelos jovens em um momento decisivo de suas vidas. Para o júri, o trabalho se destacou pela sensibilidade da narrativa e pela qualidade da construção audiovisual.
Folha de S.Paulo conquista o prêmio de Fotografia
A Folha de S.Paulo venceu a categoria Fotografia com o ensaio “Como sobrevivem as democracias”, da fotógrafa Gabriela Biló.

O trabalho documenta ataques às instituições democráticas no Brasil e utiliza a linguagem fotográfica para registrar a escalada da polarização política e seus efeitos sobre a sociedade.
O júri destacou a força narrativa das imagens e sua capacidade de sintetizar processos políticos complexos por meio da fotografia documental.
Brasileiros também estiveram entre os finalistas
O desempenho brasileiro não se limitou aos três vencedores. Entre os 15 finalistas anunciados pela Fundação Gabo, o país teve representantes nas cinco categorias.
Na categoria Texto, a revista Piauí concorreu com “Uma arara chamada Lear”. Em Áudio, a Rádio Novelo foi indicada com o podcast “Sala de espera”.
A Agência Pública também esteve entre os finalistas em uma produção feita em parceria com veículos internacionais.
Antes mesmo da cerimônia de premiação, a Fundação Gabo havia destacado que o Brasil liderava a lista de indicados da edição de 2026.
El Salvador e Espanha vencem as outras categorias
As duas categorias restantes foram vencidas por produções de El Salvador e da Espanha.
Em Texto, o prêmio ficou com “O exílio nos alcança”, do jornal salvadorenho El Faro.
A crônica de Óscar Martínez e Carlos Martínez relata o exílio dos próprios autores e de outros jornalistas e defensores de direitos humanos diante do endurecimento político no governo de Nayib Bukele.
Na categoria Áudio, venceu “Ela tinha o mesmo nome que eu”, produção do podcast De eso no se habla e da EITB Media, da Espanha.
O trabalho investiga como a morte de Begoña Urroz, em 1960, foi transformada em uma narrativa de Estado que a apresentava como a primeira vítima do ETA, embora o atentado não tivesse relação com o grupo.
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