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Cinema

Acusação de calote, vazamento, tradutora revoltada, filme de Musk: vejas as polêmicas em torno do filme A Odisseia

Sucesso de bilheteria, produção milionária já foi acusada de calote por ONG e criticada por uma das tradutoras do próprio livro Odisseia em inglês desde que entrou em cartaz




O filme A Odisseia, do diretor Christopher Nolan, foi sucesso de bilheteria – e de polêmicas – na semana que sucedeu seu lançamento.

A superprodução, gravada em seis países durante 91 dias com mais de 2 mil figurantes, teve uma das maiores arrecadações de 2026, com US$ 652 milhões no seu primeiro fim de semana.

A bilheteria ultrapassou na primeira semana o orçamento do filme, de US$ 250 milhões. Os números não são necessariamente um sinal de aprovação, mas traduzem um fato: a produção, que retrata a jornada de 10 anos do herói grego Odisseu após a Guerra de Troia, não sai da boca do público.

A popularidade do filme também trouxe algumas controvérsias. Entre elas estão uma acusação de calote e a promessa do insatisfeito bilionário Elon Musk de uma nova versão feita totalmente com IA. Veja algumas delas.

Filme vazado

Na noite do sábado (22), o segundo fim de semana após o lançamento nos Estados Unidos, um usuário da rede social X compartilhou um link com a versão em alta qualidade da A Odisseia na íntegra.

Outro usuário fez a “divulgação” do material em um post, compartilhando o primeiro link com a legenda:

“Alguém fez o upload do filme completo ‘A Odisseia’ no X. Dá para acreditar?”.

A conta que divulgou o filme foi suspensa ainda no sábado, mas o post de “divulgação” do link seguiu no ar, com mais de três milhões de visualizações em dois dias.

A Universal confirmou o vazamento e disse que iniciou os protocolos de remoção da publicação assim que tomou conhecimento sobre o caso.

“Levamos a violação de direitos autorais a sério e tomaremos todas as medidas cabíveis para proteger nosso conteúdo e nossos direitos de propriedade intelectual”, afirmou, em comunicado à imprensa.

Calote em donos de barco

Os donos da réplica de um navio viking usado como cenário para algumas das cenas da A Odisseia acusaram a Universal de dar um calote de US$ 6 mil.

Esse valor seria destinado a pagar por reparos de danos causados ao barco durante as filmagens, afirmou o presidente da ONG Vikingaleden ao jornal britânico The Guardian.

De acordo com Peter Olausson, presidente da ONG, eles receberam US$ 41 mil para alugar por seis meses o navio Glad av Gillberga à Universal. Além disso, a produtora também teria combinado o pagamento pelos custos dos reparos dos danos sofridos durante as filmagens, mas, segundo Olausson, voltou atrás.

“Estamos cobrando apenas o custo do material, não da mão de obra. É claro que a Universal pode arcar. Nos sentimos esquecidos.”, declarou ao jornal britânico. Em resposta, a Universal afirmou que todas as faturas, incluindo reparos, foram pagas integralmente. De acordo com a produtora, eles buscaram a ONG para esclarecer qualquer mal entendido.

A Odisseia no Grok

Pouco menos de uma semana após a estreia do filme nos cinemas, o bilionário Elon Musk engrossou as polêmicas indo ao X para anunciar que faria uma versão “historicamente precisa” de A Odisseia. A produção, de acordo com ele, ficaria totalmente a cargo da sua IA, a Grok Imagine.

O “anúncio” veio junto a um trailer feito com a IA, mostrando uma cena entre Odisseu e Calipso. Pouco antes disso, Musk já tinha usado as redes sociais para endossar uma sugestão de um usuário, de que ele investisse alguns milhões na produção de outro filme com a mesma temática, usando um “elenco meticulosamente preciso”.

Musk tem criticado o filme desde antes do seu lançamento, principalmente pela escolha da atriz Lupita Nyong’o para a personagem Helena de Troia. A personagem é mitológica não tem existência comprovada, ainda assim, para o bilionário, a escalação de uma mulher negra para o papel é um utltraje.

Em um dos seus posts, ele disse que Nolan “profanou” a história para “cumprir regras politicamente corretas” e ganhar um Oscar. Em outro, ele chamou o diretor de um “racista anti-branco”.

Crítica de tradutora da obra

Emily Wilson, professora que traduziu A Odisseia para o inglês em 2017, teceu uma crítica dura ao filme. Ela falou sobre o assunto em um ensaio para o London Review of Books.

A docente, que chegou a receber um elogio direto de Nolan por sua tradução, disse que a obra entregue pelo cineasta tem o “mesmo nível de profundidade narrativa e emocional” de uma queima de fogos de artifício.

Para ela, o filme esteve repleto de acontecimentos como luzes e ruídos, mas não acrescentou nada em escala humana. Wilson citou que o filme mostra uma “visão confusa e personagens pouco desenvolvidos”, embora “seja muito bom em transmitir grandes explosões”.

Ela reconheceu o aceno de Nolan ao seu trabalho, afirmando que ficou “honrada em saber que ele leu pelo menos o primeiro verso da tradução”. Apesar disso, ela disse que a produção dele carece de muitos elementos grandiosos.

“Eu teria vergonha de ter escrito qualquer parte deste roteiro. Infelizmente, o Odisseu de [Matt] Damon não é complicado, nem astuto, nem engenhoso.”

Ela também endereçou diretamente o assunto da escolha do elenco, afirmando que não há nada progressista no ato tão criticado por figuras como Elon Musk.

“A maioria dos atores não brancos – Zendaya, Lupita Nyong’o, Himesh Patel, Corey Antonio Hawkins, Travis Scott – interpreta versões do melhor amigo negro, cujo único papel na trama é auxiliar o protagonista branco”, opinou.

Declaração “polêmica” de Tom Holland

Holland, que interpreta Telêmaco, filho de Odisseu, no filme, deu uma declaração polêmica em entrevista ao podcast Dish durante uma de suas agendas para promover A Odisseia.

Questionado sobre suas experiências promovendo as produções, ele afirmou que alguns dos seus filmes são “uma m*” e que as pessoas não deveriam assisti-los.

“Já passei por situações em que as pessoas dizem coisas como: ‘Por que você deveria assistir a esse filme?’ E lá no fundo você pensa: ‘Não deveria. Porque é uma porcaria.'”

Apesar da declaração, ele deixou claro que estava “muito orgulhoso” não só de A Odisseia, como também de Homem-Aranha: Um Novo Dia, outra produção que estrela.

No mesmo podcast, Holland também disse que se sentiu “intimidado” da primeira vez que conheceu o diretor. “Estava realmente intimidado, mas ele é uma pessoa muito cativante, muito gentil”, afirmou.

 

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