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Dona da rede Truth Social, empresa de mídia de Trump perde R$ 1,2 bi no trimestre; prejuízo é 140 vezes a receita

Dona da Truth Social tenta ampliar receitas com serviço que vende a investidores acesso ultrarrápido aos posts do presidente

Donald Trump abriu capital de sua rede social Truth Social

Donald Trump usa a Truth Social para anunciar medidas do governo (Foto: divulgação)




A Trump Media & Technology Group (TMTG), empresa de mídia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido de US$ 238,1 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão).

No mesmo período, a dona da rede social Truth Social, que virou o palanque oficial da presidência dos EUA para comentários, opiniões e anúncios de medidas governamentais, registrou receita de apenas US$ 1,7 milhão (R$ 8,7 milhões).

Embora a receita tenha avançado 89% em relação aos US$ 900 mil (R$ 4,6 milhões) registrados no segundo trimestre de 2025, a diferença entre os números é expressiva: o prejuízo foi cerca de 140 vezes maior que o faturamento trimestral.

A maior parte do prejuízo, segundo informe da companhia distribuído nesta segunda-feira (10), não representou saída de dinheiro do caixa. Dos US$ 238,1 milhões (R$ 1,2 bilhão) de perda líquida, US$ 190,4 milhões (R$ 971 milhões) decorreram de perdas não realizadas com ativos digitais, ativos digitais dados em garantia e ações.

Ainda assim, o baixo faturamento ajuda a explicar por que a empresa busca novas formas de monetizar seus ativos. Entre as apostas está a Truth API, serviço controvertido que vende a clientes institucionais acesso de baixa latência a publicações da plataforma, incluindo posts de Donald Trump.

Empresa de Trump tem US$ 2 bilhões em ativos

Apesar do resultado negativo, a companhia terminou junho com US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,2 bilhões) em ativos totais.

Desse montante, aproximadamente US$ 1,9 bilhão (R$ 9,7 bilhões) estava em ativos financeiros, categoria que inclui caixa, caixa restrito, investimentos de curto prazo, ações, valores a receber, juros acumulados e ativos digitais.

As operações consumiram US$ 13,7 milhões (R$ 69,9 milhões) em caixa durante o trimestre. A empresa também registrou US$ 25,6 milhões (R$ 130,6 milhões) em despesas jurídicas, relacionadas principalmente a litígios anteriores.

A TMTG afirma que esses gastos deverão cair. Segundo a companhia, questões jurídicas herdadas de períodos anteriores foram substancialmente resolvidas, o que permitiria reduzir despesas administrativas e direcionar mais recursos para iniciativas consideradas estratégicas.

Truth API vende velocidade de acesso aos posts de Trump

Lançada comercialmente em 1º de agosto, a Truth API oferece a clientes institucionais um feed de baixa latência com posts públicos de dez contas influentes da Truth Social, entre elas a de Donald Trump.

O público potencial inclui empresas de negociação algorítmica e de alta frequência, para as quais diferenças de milissegundos no recebimento de uma informação podem determinar qual sistema reage primeiro a uma notícia.

Isso não significa que os assinantes tenham acesso às mensagens de Trump antes de elas serem publicadas. A vantagem está na velocidade de distribuição.

Em vez de depender da atualização do aplicativo, do site ou de uma notificação da Truth Social, o cliente recebe os dados por um canal estruturado e de baixa latência, que pode ser conectado diretamente a sistemas automatizados.

Essa diferença pode ser especialmente relevante quando declarações do presidente sobre tarifas, empresas, conflitos internacionais ou decisões econômicas provocam movimentos rápidos nos mercados.

Segundo reportagens publicadas sobre o lançamento do serviço, a Truth API chegou a ser oferecida por valores de até US$ 100 mil por mês (cerca de R$ 510 mil). A Trump Media afirmou na divulgação de seus resultados que mais de dez contratos já haviam sido assinados e que o produto começou a gerar receita.

Para uma companhia que faturou US$ 1,7 milhão (R$ 8,7 milhões) durante todo o segundo trimestre, contratos desse porte podem representar uma fonte relevante de receita.

Ainda não é possível, porém, medir o impacto do negócio nas contas da empresa, porque a TMTG não informou quanto os acordos já assinados representam em faturamento.

Serviço provoca críticas sobre vantagem para investidores

O modelo também provocou questionamentos. Parlamentares democratas e entidades de fiscalização levantaram a possibilidade de que investidores capazes de pagar pelo serviço obtenham vantagem ao receber mais rapidamente declarações presidenciais com potencial para movimentar ações, títulos, moedas ou commodities.

A questão ganha uma dimensão particular porque Trump ocupa a Presidência dos Estados Unidos, é o usuário mais conhecido da Truth Social e mantém ligação direta com a empresa que comercializa a distribuição acelerada dessas mensagens.

A Trump Media rejeita as críticas. A companhia argumenta que as publicações são públicas e que a Truth API apenas oferece uma maneira licenciada e mais rápida de acessar informações disponíveis na plataforma, modelo que compara a outros serviços profissionais de distribuição de dados.

A controvérsia, portanto, não está em clientes terem conhecimento prévio do que Trump pretende publicar, mas na possibilidade de pagarem para receber uma declaração pública mais rapidamente do que outros participantes do mercado.

Truth Social tenta ampliar receitas

Além da Truth Social, a empresa opera o serviço de streaming Truth+ e a marca de serviços financeiros e fintech Truth.Fi.

Segundo a companhia, o Truth+ já entrou em disponibilidade comercial completa, enquanto a Truth Social passa por uma fase de expansão de conteúdo. A empresa também afirma que pretende ampliar sua estratégia de marketing e continuar desenvolvendo produtos de licenciamento de dados.

O crescimento de 89% da receita no segundo trimestre representa avanço sobre uma base ainda reduzida. O faturamento passou de US$ 900 mil (R$ 4,6 milhões) para US$ 1,7 milhão (R$ 8,7 milhões) em um ano.

 A companhia também informou que pretende concluir no quarto trimestre de 2026 sua proposta de fusão com a TAE Technologies, operação ainda sujeita às condições regulatórias e de fechamento.

Kevin McGurn, CEO interino da Trump Media & Technology Group, classificou a possível fusão como o principal fator para a criação de valor de longo prazo para os acionistas e relacionou a operação à estratégia da companhia de investir em infraestrutura e segurança energética.

 

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