A revelação de que Donald Trump deixou a Turquia secretamente em outro avião, saindo da aeronave presidencial para embarcar em outra menor dentro de um veículo de catering, virou meme nas redes sociais – um deles criado pelo próprio governo do Irã.
Na montagem postada no X pela Embaixada do Irã na África do Sul, o presidente dos EUA aparece encolhido dentro de uma caixa de catering, espremido entre alimentos, pratos e talheres.
O texto diz: “Em breve, ele estará escondido em uma lata de lixo.”
He will be hidden in a trash can before long. pic.twitter.com/ZTkAahNIKw
— Iran Embassy SA (@IraninSA) August 11, 2026
Vários usuários do X aproveitaram a ideia da mensagem e postaram imagens feitas com IA mostrando o presidente americano em latas ou caminhões de lixo.
Meme do Irã exagera a operação insólita envolvendo Trump
A imagem exagera de propósito um detalhe real da operação: pelas notícias publicadas, o presidente não viajou dentro de uma caixa, mas foi transportado discretamente em um veículo usado pelo serviço de bordo antes de embarcar em outra aeronave.
O episódio chama atenção também pelo contraste com a forma como o próprio Trump costuma usar imagens sintéticas para se promover.
Ele frequentemente compartilha montagens e imagens geradas por inteligência artificial em que aparece de maneira grandiosa ou em posições de poder. Desta vez, porém, a imagem veio de um adversário e inverteu essa lógica, retratando-o em uma situação de vulnerabilidade.
O que aconteceu com Trump na Turquia
O caso da saída de Trump foi revelado pelo jornal Washington Post e posteriormente confirmado pelo próprio Trump.
Trump havia viajado para a Turquia para participar da cúpula da Otan. Na volta, deveria seguir para o Reino Unido antes de retornar aos Estados Unidos.Segundo as informações publicadas, o Serviço Secreto dos Estados Unidos mudou de forma abrupta os planos para a saída do presidente de Ancara diante de informações sobre uma possível ameaça iraniana.
Para esconder seus movimentos, o presidente e um pequeno grupo de assessores foram retirados discretamente e levados em um veículo de catering até um C-32A, aeronave militar menor e muito menos reconhecível do que o Air Force One.
Enquanto Trump seguia no avião menor, o Air Force One deixou a Turquia levando integrantes do governo, funcionários da Casa Branca e os jornalistas que acompanhavam a viagem presidencial. A impressão era de que o presidente também estava a bordo.
Os jornalistas haviam sido orientados a manter fechadas as persianas das janelas durante a saída da Turquia, um pedido incomum que despertou suspeitas.
Trump vira meme do Irã
O episódio ocorreu em meio a um momento especialmente delicado da guerra entre Estados Unidos e Irã. Naquele mesmo dia, Trump havia declarado encerrado o cessar-fogo com Teerã, depois de novos ataques, enquanto as duas partes voltavam a trocar golpes.
A imprensa estatal do Irã também aproveitou o episódio. Segundo a Reuters, veículos iranianos retrataram a operação como sinal de medo diante da capacidade militar do país e ironizaram as medidas adotadas para proteger Trump.
A agência estatal Tasnim descreveu a operação como uma demonstração de temor dos Estados Unidos diante do Irã. A televisão estatal também tratou o episódio em tom de deboche.
A situação provocou posteriormente questionamentos sobre o risco imposto às pessoas que permaneceram na aeronave mais identificável, caso houvesse de fato um plano para atacar o avião presidencial.
Versões confusas para a troca secreta de avião
Depois que a operação veio a público, Trump confirmou que havia trocado de aeronave por orientação de sua equipe de segurança.
Ele disse que recebe ameaças constantemente e afirmou ter seguido as recomendações do Serviço Secreto. Ao comentar os questionamentos sobre as pessoas que permaneceram no outro avião, Trump argumentou que não necessariamente estava na aeronave mais segura.
Segundo ele, um eventual agressor poderia imaginar que o presidente estaria justamente no avião menor e menos óbvio.
A versão apresentada depois da revelação foi diferente da explicação dada por Trump durante a própria viagem. Em julho, quando jornalistas perguntaram sobre a mudança de aeronaves no Reino Unido (sem que se soubesse naquele momento que ele não estava a bordo de um dos Air Force One), ele negou que preocupações de segurança envolvendo o Irã tivessem motivado a decisão.
Na ocasião, Trump disse que o outro avião, presenteado pelo governo do Catar, havia seguido para uma base militar no Reino Unido para que militares americanos pudessem conhecê-lo. Ao mesmo tempo, mencionou as ameaças iranianas contra sua vida e disse ser um dos principais alvos de Teerã.
Uma suposta ameaça ainda cercada de dúvidas
A existência de uma operação de segurança extraordinária não significa, porém, que todos os detalhes sobre a suposta ameaça iraniana estejam comprovados.
A Reuters informou que autoridades americanas receberam de Israel alertas sobre possíveis planos iranianos para matar Trump.
Segundo fontes ouvidas pela agência, os serviços de inteligência dos Estados Unidos não conseguiram verificar de maneira independente essas informações e avaliaram parte delas com baixo grau de confiança.
A inteligência turca também não teria encontrado evidências que confirmassem a informação específica relacionada à passagem de Trump por Ancara.
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