Em mais um ato contra jornalistas que fazem perguntas incômodas a Donald Trump, uma das contas oficiais de mídia social da Casa Branca postou um ataque à repórter da CNN Kristen Holmes e chegou a envolver seus filhos, em reação a questionamentos sobre Natalie Harp, assessora próxima do presidente, e a exercícios militares com a Coreia do Sul.
O episódio começou durante um encontro de Trump com jornalistas na Casa Branca na segunda-feira (17). Holmes pediu ao presidente que comentasse a afirmação do senador democrata Jon Ossoff de que ele preferia viajar com Harp e construir seu novo salão de festas a cumprir suas funções como presidente.
Trump atacou o senador e, quando a repórter tentou fazer outra pergunta, voltou sua reação contra ela, como já aconteceu várias vezes principalmente com jornalistas mulheres.
No entanto, desta vez o confronto não ficou restrito à troca entre Trump e Holmes. A conta da Casa Branca Rapid Response 47 amplificou o caso publicando o vídeo, identificando a repórter e atacando sua conduta profissional.
Em uma segunda mensagem, levou a ofensiva para a vida pessoal da jornalista ao mencionar seus filhos e dizer que eles teriam vergonha dela no futuro.
O caso ocorreu dias após Karoline Leavitt, secretária de comunicação da Casa Branca, anunciar a saída do cargo.
Pergunta sobre assessora de Trump desencadeou confronto
A pergunta de Holmes reproduzia uma crítica feita por Ossoff, senador democrata pela Geórgia, em um discurso no dia anterior.
“Jon Ossoff disse que você preferiria viajar com sua assessora Natalie Harp e construir o salão de festas a fazer seu trabalho como presidente. Qual é a sua resposta?”
Natalie Harp, citada na pergunta que deu origem ao confronto, faz parte do círculo próximo de Trump e atua como sua assistente executiva. A proximidade entre os dois tem sido objeto de especulações na mídia americana e nas redes sociais.
Trump evitou responder diretamente à acusação. Em vez disso, ridicularizou Ossoff, comparando-o ao personagem Pee-wee Herman, e passou a falar das reformas realizadas na Casa Branca.
Holmes tentou então fazer uma nova pergunta, sobre a redução dos exercícios militares conjuntos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Trump a interrompeu e disse que ela estava sendo desrespeitosa.
O presidente perguntou qual era o veículo da jornalista. Ao ouvir que ela trabalhava para a CNN, passou a chamá-la de “fake reporter” e “fake news”.
Também disse que Holmes era “loud” e “boisterous” — barulhenta e espalhafatosa — e ordenou repetidas vezes que ela ficasse quieta.
Trump estava em um evento com jovens na Casa Branca quando ocorreu a discussão. Durante o confronto, dirigiu-se a um deles e perguntou se também achava que a correspondente estava sendo desrespeitosa.
Conta oficial da Casa Branca atacou a repórter da CNN
Horas depois, a própria comunicação oficial da Casa Branca retomou o episódio.
A conta Rapid Response 47 publicou o trecho em que Holmes questionava Trump sobre Ossoff e Harp e marcou a jornalista. Na legenda, chamou a correspondente de uma “vergonha humilhante e desgraçada para sua suposta profissão” e acusou-a de dar um “golpe baixo” em uma funcionária da Casa Branca.
O perfil foi além em uma segunda publicação. Desta vez, trouxe os filhos de Holmes para o ataque.
A mensagem dizia que as crianças poderiam, no futuro, encontrar o vídeo da pergunta feita pela mãe e ficar “enojadas e envergonhadas” por ela ter agido, segundo a conta, de maneira “insensível e vingativa”.
CNN reage ao ataque contra Kristen Holmes
A CNN respondeu em defesa de Holmes. A emissora descreveu a correspondente como uma profissional experiente e respeitada na cobertura da Casa Branca e afirmou que ela havia cumprido sua função ao fazer ao presidente uma pergunta difícil, relevante e de interesse jornalístico.
A emissora também ressaltou que integrantes do governo podem discordar da cobertura da imprensa e contestar reportagens, mas criticou o uso de ataques pessoais contra jornalistas por fazerem perguntas.
Ataques de Trump a jornalistas mulheres são recorrentes
O episódio ocorre em meio a uma série de ataques de Trump a jornalistas, com recorrência de confrontos dirigidos a mulheres que o questionam.
Kaitlan Collins, também da CNN, tornou-se um dos alvos frequentes do presidente. Em fevereiro, durante perguntas sobre os arquivos relacionados a Jeffrey Epstein, Trump comentou que a jornalista nunca sorria.
Em junho, voltou a falar sobre sua aparência e disse enxergar “ódio” em seus olhos.
Catherine Lucey, da Bloomberg, recebeu de Trump a expressão “quiet, piggy” quando tentava fazer uma pergunta sobre Epstein.
Mary Bruce, da ABC News, foi chamada de “terrible reporter” depois de questionar o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.
A hostilidade também tem aparecido nos canais digitais ligados à Casa Branca.
Poucos dias antes do episódio com Holmes, Clarissa Ward, correspondente internacional da CNN, havia sido chamada de “complete freak” e “hot mess” em uma publicação sobre um vídeo em que aparecia dançando.
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