Um acidente que matou cinco adolescentes e deixou quatro pessoas de outro carro gravemente feridas na madrugada de domingo (16) em uma rodovia na Irlanda abriu uma nova frente de pressão sobre o TikTok.
O órgão que regula plataformas digitais no país cobrou formalmente da empresa explicações sobre vídeos de direção perigosa e a forma como esse conteúdo é tratado pela rede social. O primeiro-ministro e o ministro da Justiça também se manifestaram contra os riscos exibidos pela plataforma.
Os jovens morreram em uma colisão frontal na autoestrada M9, no condado de Kildare. O carro em que estavam, roubado, seguia na contramão quando atingiu outro veículo, ocupado por três mulheres e uma criança.
O caso chamou a atenção para uma prática que já preocupava autoridades irlandesas: jovens que pegam carros roubados ou usados sem autorização para dirigir por diversão, muitas vezes em alta velocidade, na contramão ou em fugas da polícia.
Conhecido em países de língua inglesa como joyriding, esse comportamento é filmado e publicado nas redes sociais, onde os vídeos rendem milhares de visualizações e curtidas.
TikTok: conteúdo perigoso entra na mira do regulador
A Coimisiún na Meán, órgão regulador de mídia da Irlanda, informou nesta terça-feira (18) que entrou em contato com o TikTok para pedir explicações detalhadas sobre como a plataforma está lidando com esse tipo de conteúdo.
A autoridade quer saber se houve reforço no monitoramento e na revisão de contas e vídeos, como o TikTok responde a denúncias de material potencialmente ilegal e se informações relevantes sobre possíveis crimes foram encaminhadas à Garda Síochána, a polícia irlandesa.
A preocupação também envolve os sistemas de recomendação, que exibem esses vídeos nos feeds de usuários e ajudam a popularizar a prática.
Cinco adolescentes morreram em carro na contramão
O acidente aconteceu por volta das 3h de domingo, perto de Moone. Os cinco ocupantes do BMW roubado foram identificadas localmente como Jeremy O’Brien, de 18 anos; Alex McCarthy, Jack Kennedy e Kamil Pustkowski, de 17; e Joe “Joey” Carthy, de 15 anos.
Segundo a mídia irlandesa, todos usavam balaclavas na hora do acidente.
Contas associadas a alguns dos jovens continham vídeos relacionados a roubos de carros, direção perigosa e tentativas de escapar da polícia.
No outro veículo estavam três mulheres e um menino de sete anos, que seguiam em direção ao aeroporto de Dublin para participarem de uma festa de casamento na Inglaterra. Os quatro seguem hospitalizados com ferimentos graves.
A Garda Síochána havia tido contato com o BMW antes da colisão, e as circunstâncias que antecederam o acidente continuam sob investigação.
Depois do acidente, postagens com homenagens aos cinco jovens receberam críticas de internautas, muitos afirmando que as preocupações deveriam ser com os afetados pela direção perigosa e não com os que provocaram a colisão.
Direção perigosa por curtidas preocupa autoridades
O comissário da Garda Síochána, Justin Kelly, afirmou após o acidente que jovens têm cada vez mais adotado comportamentos extremos nas estradas para obter reconhecimento nas redes sociais, com diversos casos recentes.
O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, associou diretamente esse tipo de comportamento à busca por atenção online.
Os vídeos de “joyriding” mostram jovens mascarados dentro dos veículos, velocímetros marcando velocidades elevadas e tentativas de provocar perseguições policiais para documentá-las. Há também roubos de veículos para essa finalidade.
Em entrevista coletiva, o ministro da Justiça da Irlanda, Jim O’Callaghan, condenou a prática de joyriding e indicou a intenção de criar uma lei para criminalizar especificamente pessoas que dirigem na contramão propositalmente, como foi o caso que provocou o acidente.
O que o TikTok diz sobre conteúdo perigoso
O TikTok afirmou que está monitorando publicações relacionadas ao acidente e removendo vídeos e contas que violem suas regras.
A empresa diz proibir conteúdos que promovam ou glorifiquem violência e atividades criminosas, além de desafios e comportamentos perigosos que possam ser imitados e provocar danos físicos.
No entanto, o ministro O’Callaghan afirmou que embora tenha recebido essas garantias, na prática não está acontecendo.
Dias após o acidente a imprensa irlandesa continua apontando vídeos com direção perigosa exibidos na plataforma.
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