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Assédio digital

Agência Pública denuncia ataques online após revelar doação de Paulo Figueiredo a deputada nos EUA

Outra investigação da agência aborda o padrão de vida do influenciador e de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos; jornalista Natalia Viana é o principal alvo dos ataques

Natalia Viana, jornalista, Agência Pública

Natalia Viana, da Agência Pública (foto: Melissa Dores / divulgação Congresso dos Jornalistas de Portugal)




A Agência Pública denunciou nesta segunda-feira (31) uma uma nova onda de ataques online do influenciador Paulo Figueiredo após uma reportagem revelando uma doação feita a uma deputada republicana dos EUA e outra sobre como ele e Eduardo Bolsonaro vivem nos Estados Unidos.

De acordo com a Pública, especializada em jornalismo investigativo, as postagens começaram pouco depois de o veículo procurar Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro para pedir suas versões sobre fatos apurados nas duas reportagens.

A doação de Paulo Figueiredo de US$ 10 mil à deputada Maria Elvira Salazar aconteceu um mês antes de ela apresentar um projeto de lei para penalizar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A segunda reportagem, produzida em parceria com o ICL Notícias e veiculada nesta segunda-feira (31), apresentou um levantamento sobre o estilo e o padrão de vida de Figueiredo e Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Segundo a nota, nos dois casos Figueiredo atacou a Agência Pública e fez manifestações que o veículo classifica como misóginas contra sua equipe e sua diretora executiva.

A Pública relatou que nos últimos dez dias ele fez pelo menos quatro publicações no X contra a reputação da organização e de sua diretora executiva, Natalia Viana, além de enviar a ela mensagens classificadas pela agência como irônicas e agressivas.

Agência Pública relaciona ataques a pedidos de posicionamento

Na nota, a Pública reproduz uma das declarações de Figueiredo. Segundo ele, é assim “como jornalista que se prostitui tem que ser tratado(a)”. O veículo afirma ainda que Eduardo Bolsonaro republicou uma das postagens no X, ampliando seu alcance.

A agência diz que esses não são os primeiros ataques de Figueiredo e Eduardo Bolsonaro contra suas jornalistas. Em abril de 2024, segundo a nota, Eduardo Bolsonaro e aliados iniciaram o que a Pública descreve como uma campanha de desinformação contra o veículo e uma de suas repórteres.

Dias antes, a Pública havia sido o primeiro veículo brasileiro a noticiar uma campanha liderada por Eduardo Bolsonaro para pedir retaliações ao Brasil por causa do processo judicial contra Jair Bolsonaro e outros acusados de tentativa de golpe de Estado.

Depois da publicação, de acordo com a agência, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo passaram a acusar a Pública de ser “a mídia de George Soros”, além de expor o nome de uma repórter e dirigir ataques a ela nas redes sociais.

A Pública afirma que investiga e documenta há mais de quatro anos as articulações e relações internacionais de Eduardo Bolsonaro, por considerar o tema de interesse público.

Pública cita histórico de mais de 90 prêmios

A Agência Pública como uma organização sem fins lucrativos e referência internacional em jornalismo investigativo, com mais de 90 prêmios.

Entre os reconhecimentos estão o Prêmio Gabo, da Fundação Gabriel García Márquez; o Prêmio de Excelência Jornalística da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP); o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos; e o Prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, concedido a Natalia Viana.

Nota denuncia violência e misoginia contra jornalistas

A Pública afirma que os episódios não são ataques isolados contra um único veículo e os insere em um contexto mais amplo de violência e misoginia contra mulheres jornalistas.

Um relatório da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) constatou que 31% dos registros de ataques contra jornalistas em 2024 tiveram motivação de gênero, percentual superior ao registrado no ano anterior.

A agência também afirma, citando a Abraji, que Jair Bolsonaro e seus filhos realizavam em média um ataque a jornalista por dia durante seu governo.

Segundo a Pública, os ataques recentes se tornam mais graves por ocorrerem em um período de aumento dos casos de feminicídio e em meio a uma campanha eleitoral na qual a violência de gênero está em debate.

Agência Pública diz receber mensagens ameaçadoras

A nota afirma que, depois das publicações de Paulo Figueiredo e do compartilhamento feito por Eduardo Bolsonaro, Natalia Viana e a própria Agência Pública passaram a receber “diversas mensagens agressivas e ameaçadoras”.

Segundo o veículo, essas mensagens estão sendo documentadas para uma ação posterior.

“Repudiamos essas tentativas de intimidação e ataque à nossa reputação e nossa equipe, formada majoritariamente por mulheres”, afirma a Agência Pública.

A nota acrescenta que os episódios são ainda mais chocantes, na avaliação do veículo, por partirem de figuras centrais de uma campanha à Presidência da República que promete agir contra a violência de gênero.


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