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Doc da Netflix revela bastidores da fuga cinematográfica de Trump do Air Force One para escapar de atentado; veja trailer

Produção, com relatos de jornalistas e de ao menos dois membros do governo presentes no voo, vai ser lançada simultaneamente em diversos países, incluindo o Brasil

Donald Trump embarca no Air Force One em Ancara, na Turquia

Documetário mostra momento em que Trump embarca no Air Force One na Turquia, pouco antes de sair escondido do avião Foto: Netflix/Reprodução de vídeo




A escapada cinematográfica do presidente Donald Trump do Air Force One ao fim de uma cúpula de líderes em Ancara, na Turquia, virou um documentário na Netflix.

“The Decoy Plane” (O avião isca, em português) estreia em todos os países, incluindo o Brasil, nesta sexta-feira (4).

Ele vai juntar imagens gravadas por repórteres e relatos de um ex-agente secreto do governo para contar sobre a noite em que Trump deixou escondido a aeronave oficial da presidência para embarcar em um jato militar para escapar de ameaças de um ataque do Irã.

Estima-se que cerca de 100 pessoas, incluindo assessores e jornalistas, tenham sido deixadas no avião presidencial com risco de ser atacado.

Trump, que confirmou em entrevista coletiva a fuga da aeronave após o caso ter sido revelado pelo jornal Washington Post, não se pronunciou publicamente sobre o documentário.

Revelações anteriores da imprensa sobre a segurança da nova aeronave presidencial, porém, já tinham sido alvo de movimentações judiciais do governo, que opera oficialmente uma caça às fontes dentro da Casa Branca.

O que esperar do documentário

De acordo com a Netflix, o documentário vai reunir relatos de repórteres que estavam dentro da aeronave abandonada por Trump, além de imagens registradas por testemunhas.

 

Ao menos dois ex-membros do governo americano também falam no documentário, segundo a Netflix. São eles: um ex-agente do Serviço Secreto e um ex-membro da tripulação do Air Force One. A empresa não divulgou os nomes.

Trechos do trailer do documentário mostram partes dos relatos de alguns jornalistas presentes na aeronave.

“Vejo aqueles veículos de serviço de bordo encostados na lateral do Air Force One… Nunca tinha visto isso antes em quarenta anos de serviço”, diz Alex Brandon, fotógrafo-chefe da Associated Press.

“A equipe da Casa Branca disse que deveríamos baixar as persianas”, lembra Gram Slattery, correspondente de segurança nacional da Reuters na Casa Branca, em outro trecho do documentário.

O documentário da Netflix é uma produção da Words + Pictures. Estão na equipe de produção Josh Tyrangiel, Connor Schell, Steve Yaccino, Libby Geist, Aaron Cohen e Alexa Conway.

O grupo de produtores faz parte do ˜Instadocs˜, um setor de séries documentais de produção rápida da companhia.

O que aconteceu no Air Force One

Trump foi à Turquia para uma reunião da cúpula da Otan em julho em um novo Air Force One, presenteado pelo Catar. A aeronave tinha falhas de segurança, de acordo com matérias divulgadas pela imprensa americana.

Quando o presidente já estava no país, assessores informaram a jornalistas que o retorno para os EUA aconteceria em uma aeronave mais antiga, por questões de segurança.

Trump embarcou, então, no velho Air Force One com um grupo de assessores e jornalistas, mas o embarque era somente de fachada.

Segundo o jornal The Washington Post, após embarcar no avião o presidente saiu escondido da aeronave por um caminhão de catering.

Ele foi então colocado em um jato C-32A da Força Aérea. Tanto o jato quanto a aeronave oficial do governo seguiram da Turquia para a Inglaterra. Ali, Trump retornou ao avião antigo, que seguiu para os Estados Unidos.

Além de assessores e jornalistas, seguiram na aeronave membros do alto escalão do governo americano, como os secretários Pete Hegseth e Marco Rubio.

História ficou em segredo por semanas

Apesar de ter acontecido em 8 de julho, a história sobre a escapada de Trump do Air Force One só veio a público no dia 10 de agosto, quando o jornal The Washington Post trouxe o assunto em primeira mão. Questionado por jornalistas, Trump não negou o ocorrido.

Ele disse que “apenas seguiu as ordens” do Serviço Secreto e que corria tanto risco de ser atacado quanto os que ficaram no Air Force One.

“Eles quiseram que eu fosse para outro avião, igualmente seguro. Eles queriam que eu fizesse, e eu o fiz”, afirmou.

A justificativa não agradou congressistas americanos, que querem uma resposta formal do governo sobre o assunto.

“Quero saber quais precauções foram tomadas para garantir a segurança de todos os passageiros do Air Force One, aeronave considerada perigosa demais para o presidente, bem como para manter a equipe e os repórteres a bordo?”, questionou à CNN o senador democrata Richard Blumenthal.

Já o Irã aproveitou a oportunidade para criar um meme que viralizou nas redes sociais, mostrando o presidente espremido dentro de um container de louça e alimentos.

Governo Trump já travou guerra contra jornalistas por causa de avião

O Air Force One presenteado pelo Catar, que aparentemente iniciou toda a confusão e culminou no documentário da Netflix, foi o estopim para uma ação judicial do governo Trump em busca de fontes de jornalistas dentro do governo.

Uma reportagem publicada pelo The New York Times no mesmo dia em que a troca de aeronaves aconteceu contou que Trump substituiu o avião do Catar pela aeronave mais antiga do governo por uma questão de segurança.

O texto contava que o avião não tinha todos os sistemas de proteção existentes nas aeronaves presidenciais mais antigas, como recursos de defesa importantes contra mísseis. O FBI pediu que o NYTimes não divulgasse as informações, mas o jornal julgou que elas eram de interesse nacional e decidiu publicar o texto.

Com isso, O Departamento de Justiça abriu uma investigação e intimou jornalistas do Times a deporem sob condição de testemunhas. O governo alegou que queria encontrar quem deu ao The New York Times as informações sobre as condições de segurança da aeronave.

Semanas depois, o secretário Pete Hegseth anunciou uma força-tarefa oficial para encontrar fontes de jornalistas dentro do governo.

Bronca de juiz e desistência de convocações

Após semanas de embates de advogados, o Departamento de Justiça voltou atrás com as intimações. Além disso, o governo cancelou ações judiciais que pediam o registro telefônico de repórteres e de seus familiares.

A desistência aconteceu após um juiz federal “deixar claro que acreditava que o governo Trump violou proteções a jornalistas. Ele disse, de acordo com o The New York Times, que intimar jornalistas “é a última coisa a se fazer, não a primeira”.

Essa desistência aconteceu no mesmo dia em que um agente secreto foi afastado do trabalho por vazamento de “conteúdo sensível”. Ele seria a primeira pessoa penalizada pela caça às fontes de Hegseth.


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