Um juiz federal dos Estados Unidos permitiu que o Pentágono prossiga com a demissão de três profissionais do Stars and Stripes, jornal voltado à comunidade militar americana e parcialmente financiado pelo Departamento de Defesa, que vem liderando as ações do governo Trump para cercear o trabalho da imprensa.
O caso começou depois que dois deles deram entrevistas à CBS sobre mudanças promovidas pelo Pentágono que, na avaliação deles, ameaçavam a independência editorial do Stars and Stripes.
O editor-chefe Erik Slavin e a repórter Lara Korte participaram de uma reportagem do CBS Sunday Morning, exibida em julho. Segundo a decisão judicial, ambos haviam recebido autorização de seus superiores no jornal para falar à emissora.
Na entrevista, Korte afirmou:
“Trabalho para o Stars and Stripes, não para o Pentágono, não para uma administração, não para nenhum formulador de políticas.”
Slavin disse que se o Pentágono mandasse retirar uma reportagem correta e substituí-la por conteúdo produzido pelo próprio departamento isso representaria ultrapassar um limite indevido.
O diretor de redação Max Lederer também acabou demitido. Segundo a ação, o Pentágono determinou que ele entregasse a Slavin e Korte as notificações de desligamento.
Lederer se recusou e decidiu renunciar ao cargo, mas foi demitido antes que pudesse deixar a função.
Os três recorreram à Justiça para tentar suspender os desligamentos sob o argumento de violação da Primeira Emenda, que garante a liberdade de expressão.
Juiz vê “mudança de regras”, mas nega pedido
O Pentágono também alegou que eles não tinham autorização do setor de relações públicas do Departamento de Defesa para conceder as entrevistas.
Como justificativa para rejeitar o pedido, em decisão anunciada na sexta-feira (4), o juiz Trevor McFadden disse que em sua avaliação, Slavin e Korte falaram à CBS no exercício de suas funções profissionais.
E isso enfraquece a alegação de que as declarações estariam protegidas pela Primeira Emenda da Constituição americana.
McFadden, porém, criticou a forma como o caso foi conduzido dentro do órgão.
No despacho, ele afirmou que os jornalistas parecem ter sido vítimas de uma “cruel mudança de regras no meio do jogo”, porque deram entrevistas autorizadas por seus superiores e, em grande parte, expressaram posições do próprio jornal.
Ainda assim, concluiu que a conduta “não viola claramente a Primeira Emenda”, que era a base da alegação para cancelar as demissões.
Pentágono em guerra com a imprensa
O episódio ocorre em meio a uma série de disputas entre o Pentágono e veículos de imprensa sobre regras impostas a jornalistas.
Em março, após perder uma ação movida pelo New York Times, o órgão retirou os correspondentes credenciados de seu prédio principal. A batalha segue na justiça, enquanto o governo tem feito várias tentativas para quebrar sigilo da fonte em matérias baseadas em investigações.
Em julho, o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou a criação de uma força-tarefa para identificar profissionais do governo que vazarem informações para a imprensa.
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