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Reputação

ONU abre Assembleia Geral sob o tema ‘restaurar a confiança’ com imagem em queda em 10 países, diz pesquisa

Pesquisa do Pew Research Center ouviu mais de 45 mil pessoas em 37 países; no Brasil, só 47% têm opinião favorável sobre a organização

Sede da ONU em Nova York



A ONU abre nesta terça-feira (8) a 81ª sessão de sua Assembleia Geral sob o tema “Restaurar a confiança, administrar a transformação: uma ONU que funcione para todos”, em um momento de piora de sua imagem em vários países, segundo uma nova pesquisa do Pew Research Center realizada em 37 nações.

Embora a mediana de opiniões favoráveis sobre a Organização das Nações Unidas ainda seja de 55%, as opiniões desfavoráveis chegam a 37%. E o Pew constatou que a visão sobre a ONU se tornou mais negativa em 10 dos 37 países pesquisados desde a última vez em que a pergunta foi feita, em 2024 e 2025.

O Brasil não apresentou mudança significativa da visão sobre a ONU, mas está entre as 10 nações que menos confiam menos na organização.

Menos da metade dos entrevistados brasileiros— 47% — tem uma opinião favorável sobre a ONU. Outros 37% a avaliam desfavoravelmente, percentual igual à mediana registrada entre os países pesquisados.

A pesquisa ouviu 45.658 adultos entre 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026. Os resultados foram divulgados às vésperas da nova sessão da Assembleia Geral, que elegerá um sucesso para o Secretário-Geral António Guterres.

Avaliação da ONU caiu em dez países

Segundo o Pew, a maior queda na percepção positiva da ONU ocorreu na Nigéria. Em 2025, 80% dos entrevistados tinham uma visão favorável da instituição; em 2026, são 63%, uma redução de 17 pontos percentuais.

Nas Filipinas, a avaliação favorável caiu 16 pontos, de 83% em 2024 para 67% neste ano. Na Coreia do Sul, passou de 74% em 2025 para 61% em 2026, uma queda de 13 pontos. O percentual atual é o mais baixo registrado pelo Pew no país desde que começou a fazer esse levantamento, em 2007.

Também houve quedas estatisticamente significativas na Tailândia e no Peru, de 10 pontos percentuais; na Austrália e na África do Sul, de 8; em Gana, de 7; na França, de 6; e nos Estados Unidos, de 3 pontos.

Em alguns países, a avaliação não mudou muito no último ano, mas permanece abaixo dos níveis registrados em 2020 ou 2021, durante a pandemia de Covid-19.

Na França, por exemplo, 51% têm hoje uma opinião favorável sobre a ONU. Em 2021 a taxa era de 63%. O Pew registra situação semelhante na Holanda e na Suécia e também em Singapura, onde os dados históricos começam em 2021.

Entre os países pesquisados, houve melhora significativa em apenas um: o Sri Lanka. Atualmente, 66% dos entrevistados no país têm uma visão favorável da ONU, ante 58% em 2024.

Visão da ONU ainda é mais positiva do que negativa

Apesar das quedas, as avaliações da ONU ainda tendem a ser mais favoráveis do que desfavoráveis. No Canadá, nos Estados Unidos e na maioria dos países europeus incluídos na pesquisa, cerca de metade dos adultos ou mais têm uma visão positiva da organização.

As opiniões também são geralmente mais favoráveis do que desfavoráveis nos 12 países da região Ásia-Pacífico pesquisados. Na África, isso ocorre no Quênia, Gana, Nigéria e África do Sul. Na América Latina, Colômbia, Peru e Brasil também registram mais avaliações favoráveis do que desfavoráveis.

Espanha, México, Chile e Argentina apresentam opiniões mais divididas. Já no Paquistão, Grécia, Japão, Turquia, Cisjordânia e Jerusalém Oriental e Israel, as avaliações desfavoráveis superam as favoráveis.

Israel apresenta a avaliação mais negativa entre todos os locais pesquisados: 79% têm uma opinião desfavorável sobre a ONU, enquanto 18% a avaliam positivamente. Entre judeus israelenses, 87% têm uma visão desfavorável da organização, ante 50% dos árabes israelenses.

Confiança na ONU é maior entre mais jovens

A pesquisa mostra também uma diferença importante entre gerações. Entre brasileiros de 18 a 34 anos, 54% têm uma visão favorável da ONU. O percentual é de 48% entre os entrevistados de 35 a 49 anos e cai para 39% entre aqueles com 50 anos ou mais.

A distância de 15 pontos percentuais entre os grupos mais jovem e mais velho é estatisticamente significativa, segundo o Pew, e acompanha um padrão observado em vários dos países pesquisados: adultos mais jovens tendem a avaliar a ONU mais favoravelmente do que os mais velhos.

A maior diferença aparece na Itália. Entre os entrevistados de 18 a 34 anos, 76% avaliam positivamente a organização, ante 53% daqueles com 50 anos ou mais. No Peru, a diferença chega a 22 pontos; na Hungria, a 21; e no México, a 19.

Opinião sobre a ONU também varia conforme a ideologia

O Pew encontrou ainda diferenças de acordo com a orientação ideológica. Em alguns países, pessoas que se identificam com a esquerda tendem a avaliar a ONU mais favoravelmente do que aquelas que se identificam com a direita.

A distância é particularmente grande nos Estados Unidos: 76% dos liberais têm uma opinião favorável sobre a organização, ante 35% dos conservadores.

Segundo o instituto, diferenças entre esquerda e direita também aparecem na Austrália, Canadá, Alemanha, Israel, Holanda, Polônia, Suécia, Turquia e Reino Unido.

“Restaurar a confiança” é tema da Assembleia Geral

O tema escolhido para a 81ª sessão da Assembleia Geral coloca a questão da confiança no centro das discussões: “Restaurar a confiança, administrar a transformação: uma ONU que funcione para todos”. A sessão será presidida por Khalilur Rahman, de Bangladesh.

A abertura formal acontece nesta terça-feira, na sede das Nações Unidas em Nova York, mas os discursos dos líderes mundiais ficam para o fim do mês. O Debate Geral começa em 22 de setembro, segue até o dia 26 e termina no dia 28.

A 81ª sessão terá ainda uma decisão particularmente importante para o futuro da organização: a escolha do sucessor de António Guterres, que deixa o cargo de secretário-geral no fim de 2026, após dois mandatos.

O processo para a escolha do 10º secretário-geral já está em andamento e passou nesta terça-feira da presidência da 80ª Assembleia para Khalilur Rahman, que conduzirá sua próxima etapa.

A decisão envolve tanto o Conselho de Segurança quanto a Assembleia Geral. Pela Carta das Nações Unidas, o secretário-geral é nomeado pela Assembleia após recomendação do Conselho de Segurança. O escolhido assumirá o comando da ONU em 1º de janeiro de 2027.

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