A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) e o Sindicato dos Jornalistas Palestinos (PJS) exigiram nesta quarta-feira (9) do governo de Israel informações sobre dois jornalistas desaparecidos logo após o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, e pediram sua libertação imediata.
Nidal Al-Wahidi, da TV Al-Najah, e Haitham Abdel Wahid, fotógrafo da da agência de notícias Ain Media, foram presos pelas forças israelenses quando cobriam combates na cerca de separação com Israel, perto do posto de controle de Beit Hanoun, no nordeste da Faixa de Gaza.
Diante da falta de informações, as famílias dos dois jornalistas e o PJS entraram com um recurso à Suprema Corte israelense para descobrir o que havia acontecido com os jornalistas.
No entanto, em novembro de 2023 a Suprema Corte de Israel confirmou a decisão das forças militares israelenses e rejeitou o recurso para divulgar informações sobre o destino de Al-Wahidi e Abdelwahid, informou a IFJ em nota.
Mais jornalistas palestinos desaparecidos em Gaza
A entidade salienta que eles não são os únicos jornalistas que permanecem um longo tempo com paradeiro desconhecido em Gaza. E alguns reapareceram com vida.
No final de agosto, Mohammed Arab, jornalista e correspondente da Al-Araby TV do Catar, foi levado a um tribunal israelense mais de dois anos depois de ter sido preso perto do Complexo Médico Al-Shifa, na cidade de Gaza, em março de 2024.
O sindicato de jornalistas na Palestina divulgou um comunicado pedindo à comunidade internacional que tome medidas urgentes e pressione as autoridades israelenses a divulgar informações sobre o paradeiro dos jornalistas.
“A recusa de informações pelas autoridades de ocupação israelenses sobre onde eles estão e sua situação jurídica constitui uma grave violação do direito internacional e requer investigação, responsabilidade e justiça”.
O secretário-geral da IFJ, Anthony Bellanger, apontou o caso como um ataque inaceitável à liberdade de imprensa e uma “profunda injustiça para as famílias dos jornalistas envolvidos e a comunidade jornalística”.
“Quase três anos depois, exigimos respostas: o paradeiro dos jornalistas deve ser divulgado, o que vai acontecer com eles definido e as responsabilidades estabelecidas. Exigimos que o governo israelense divulgue urgentemente informações e garanta a libertação imediata dos profissionais.”
De acordo com a IFJ, pelo menos 240 jornalistas palestinos e profissionais de imprensa foram mortos por Israel em Gaza desde o início da guerra.
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