Vinte e cinco anos depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, fake news e teorias conspiratórias sobre o que aconteceu naquele dia nos Estados Unidos continuam circulando.
Explosivos escondidos nas Torres Gêmeas, autoria do governo americano, um míssil no Pentágono e envolvimento de Israel estão entre as alegações que sobrevivem depois de duas décadas e meia.
Muitas dessas histórias surgiram antes de Facebook, YouTube, X ou TikTok e se espalharam inicialmente por sites, fóruns, e-mails, livros e documentários.
Hoje, reaparecem nas redes sociais e fóruns como o Reddit, ganham novos públicos e chegam a ser recicladas para explicar outros atentados e crises.
O que dizem as evidências sobre cinco fake news que ainda circulam
Em 11 de setembro de 2001, 19 integrantes da rede terrorista Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais nos Estados Unidos.
Dois foram lançados contra as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e um atingiu o Pentágono, em Washington. O quarto, o voo 93 da United Airlines, caiu na Pensilvânia após passageiros tentarem retomar o controle da aeronave.
Quase 3 mil pessoas morreram nos ataques, além dos 19 sequestradores.
Investigações oficiais, estudos técnicos, documentos, imagens e depoimentos reconstruíram em detalhes os ataques. Ainda assim, algumas das teorias criadas em torno do 11 de Setembro continuam sendo repetidas.
1. O governo americano estava por trás dos ataques
A teoria conhecida como inside job sustenta, em diferentes versões, que integrantes do governo dos Estados Unidos organizaram os atentados ou permitiram deliberadamente que eles acontecessem.
O que mostram as evidências: a Comissão do 11 de Setembro, criada para investigar os ataques, reconstruiu sua preparação e execução e concluiu que eles foram planejados pela Al-Qaeda. O relatório apontou falhas de inteligência e de preparação dos Estados Unidos, mas não encontrou evidências de participação do governo americano.
A teoria, porém, continua encontrando público. Em uma pesquisa do instituto YouGov de 2023, 20% dos americanos entrevistados disseram acreditar que o governo dos Estados Unidos estava envolvido no 11 de Setembro.
2. Explosivos derrubaram as Torres Gêmeas
Imagens do colapso alimentam até hoje a alegação de que explosivos instalados previamente teriam provocado uma demolição controlada das Torres Gêmeas.
O que mostram as evidências: o National Institute of Standards and Technology (NIST), órgão técnico do governo americano, investigou a hipótese e afirmou não ter encontrado evidências do uso de explosivos.
Segundo o instituto, os impactos dos aviões causaram danos estruturais e removeram parte da proteção térmica do aço; os incêndios posteriores enfraqueceram a estrutura até o início dos colapsos.
3. A queda do WTC 7 prova que houve demolição
O World Trade Center 7 (WTC 7), prédio de 47 andares que fazia parte do complexo, mas não foi atingido por nenhum avião, desabou às 17h20 do dia 11 de setembro. Sua queda se tornou um dos principais argumentos das teorias de que os ataques envolveram uma demolição planejada.
O que mostram as evidências: o NIST concluiu que incêndios em vários andares provocaram uma sequência de falhas estruturais. O instituto também investigou a possibilidade de uma demolição e afirmou não ter encontrado evidências de explosões.
Segundo o NIST, uma explosão com força suficiente para provocar a falha estrutural necessária ao colapso produziria um ruído muito elevado, que não aparece nas gravações disponíveis nem foi relatado por testemunhas nas condições esperadas.
A história falsa segue viva. Um post recente em uma conta chamada “conspiracy’ no Reddit alimenta a teoria.
9/11 Truthers Unite!!! WTC 7 is the greatest PROOF of controlled Demolition?
by
u/SoggyCar6020 in
conspiracy
4. Um míssil, e não um avião, atingiu o Pentágono
Outra alegação sustenta que o voo 77 da American Airlines não atingiu o Pentágono. Em algumas versões, o prédio teria sido atacado por um míssil.
O que mostram as evidências: a Comissão do 11 de Setembro reconstruiu o trajeto da aeronave, as tentativas dos controladores de localizá-la e as ligações feitas por passageiros durante o sequestro. Segundo o relatório, o Boeing 757 atingiu o Pentágono às 9h37.
A teoria desconsidera ainda os destroços da aeronave, os registros das vítimas e os depoimentos de testemunhas do ataque.
5. Israel ou judeus organizaram o 11 de Setembro
A acusação de que Israel ou judeus participaram dos ataques também continua aparecendo nas redes. Uma de suas versões mais antigas afirma que cerca de 4 mil judeus teriam sido avisados previamente e faltado ao trabalho no World Trade Center.
O que mostram as evidências: em 2023, o PolitiFact voltou a verificar a história depois que uma publicação no Instagram atribuiu os ataques a judeus.
A organização lembrou que a alegação dos 4 mil ausentes já havia sido desmentida pelo Departamento de Estado americano e que integrantes da Al-Qaeda, incluindo Osama bin Laden, assumiram a responsabilidade pelos atentados.
A NewsGuard também identificou em 2023 uma publicação no X que atribuía o 11 de Setembro a uma operação de “bandeira falsa” de Israel.
O 11 de Setembro também inspira novas fake news
O 11 de Setembro não é apenas alvo de desinformação: suas imagens também servem de referência para fake news sobre acontecimentos atuais.
Nesta semana a NewsGuard identificou imagens criadas por inteligência artificial que simulavam um ataque iraniano contra um arranha-céu em Tel Aviv com cenas semelhantes às dos ataques às Torres Gêmeas, embora no caso americano os aviões não tenham ficado visíveis após o choque, e sim inteiramente dentro do prédio.

Ainda assim, a conta pró-Irã X @Trump_Jr_Q0, uma conta de paródia como se fosse o filho do presidente Donald Trump, publicou o vídeo, afirmando ter sido um ataque iraniano a um importante quartel-general militar israelense.
A postagem recebeu 3 milhões de visualizações e 2.600 curtidas.
Outra conta pró-Irã X, @ThePatriotjxos, publicou o vídeo com a mesma legenda da postagem de @Trump_Jr_Q0’s. A postagem recebeu 3,9 milhões de visualizações e 3.200 curtidas.
Leia também | ‘Eu provavelmente ignoraria’: estudo revela como adolescentes reagem às fake news nas redes sociais
Leia também | Em nova campanha contra Zelensky, sites pró-Rússia espalham fake news ligando-o a tráfico de cocaína
Leia também | Teoria da conspiração ‘reciclada’ liga tecnologia dos EUA a terremoto na Venezuela e calor na Europa
Leia também | Uncensored AI: como chatbot ‘sem filtro e viés’ criado nos EUA está validando teorias conspiratórias
Leia também | Hiroshima, 80 anos: veja 4 teorias conspiratórias sobre a bomba que resistiram ao tempo






