Entre as milhares de fotografias feitas por profissionais de imprensa no 11 de Setembro, muitas delas imortalizadas na imprensa e em registros históricos dos ataques, um conjunto de cerca de 250 imagens passou a fazer parte do acervo da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos com uma particularidade: não se sabe quem estava atrás da câmera documentando as primeiras horas do atentado.
As fotos foram feitas por um fotojornalista identificado apenas como “anônimo”, em oito rolos de filme de 35 mm, entre aproximadamente 10h e 13h30 de 11 de setembro de 2001.
Juntas, elas permitem acompanhar seu caminho por Nova York naquela manhã. Primeiro, as torres atingidas aparecem ainda à distância.Depois, o fotógrafo se aproxima de Lower Manhattan até chegar às ruas e aos prédios no entorno do World Trade Center e captura ângulos humanos como o momento em que um socorrista segura uma bandeira do país encontrada entre os destroços.

Os oito rolos de filme chegaram à Library of Congress em 2002 por meio do escritório do promotor de Manhattan. O fotógrafo abriu mão dos direitos autorais sobre as imagens e também do direito de ter seu nome associado a elas.
A instituição manteve os registros na ordem geral em que foram feitos, o que permite reconstruir aproximadamente o percurso dessas três horas e meia.
A quantidade de filme que levava consigo e a extensão da cobertura sugerem ser um profissional. Não há informação pública sobre para quem o fotojornalista trabalhava – se estava a serviço de algum meio de imprensa – ou se era freelancer. Nem por que optou por não assinar o trabalho.
De longe, a fumaça sobre Manhattan
Nas primeiras imagens, o fotógrafo ainda está distante do World Trade Center. Aos poucos, a fumaça ocupa o horizonte e as torres passam a dominar o enquadramento.

O caminho até Lower Manhattan
À medida que ele se aproxima, o ataque deixa de aparecer apenas como fumaça no horizonte e é possível perceber a dimensão da tragédia.

Mais perto ainda, a cena foi registrada de dentro do carro, em um ângulo sugerindo que o fotojornalista estava no banco de trás e não dirigindo sozinho rumo ao local do atentado.

Nesta imagem, o autor das imagens fechou a cena apenas na fumaça escura, deixando de fora o céu azul sobre Nova York na manhã de 11 de setembro de 2001, simbolizando o clima sombrio que se abateu sobre o mundo.

Nas ruas atingidas
Já perto da área afetada, a câmera registra poeira, veículos de socorro, pessoas comuns se aproximando para ver o que acontecia.

Chegando ao ponto mais próximo do atentado, ele registrou o trabalho dos socorristas, por vezes em tons dramáticos. Equipado com um machado, o bombeiro é iluminado com as tonalidades quentes do incêndio nos prédios.

Prédios e veículos atingidos
O fotógrafo também registrou os danos nos edifícios e nas ruas ao redor do World Trade Center e a tentativa de resgate de feridos e dos que não resistiram. Entre os locais identificados pela Library of Congress estão a American Express Tower e outros prédios da região de West Street.

Carros estacionados e das equipes de socorro também acabaram atingidos por fogo e destroços que se desprenderam dos prédios atingidos.


Bombeiros tentaram apagar incêndios que se espalharam em prédios vizinhos ao World Trade Center em meio a um oceano de destroços das torres atingidas.

Poeira, água e exaustão
Nas imagens finais do acervo da Biblioteca do Congresso, a câmera do fotojornalista anônimo se aproxima ainda mais das pessoas. Depois dos prédios danificados e dos veículos soterrados, aparecem o cansaço, a poeira e pequenas pausas no trabalho de emergência.




E a perplexidade pelas cenas que ninguém imaginou que um dia pudessem estar presenciando: o centro financeiro de Nova York tomado por fumaça, poeira e papéis espalhados pelo chão.







