A cidade de Bristol, na Inglaterra, aprovou nesta terça-feira (15) uma nova política que barra anúncios que incentivem o consumo excessivo de fast fashion em espaços publicitários controlados pela prefeitura.
A medida atinge pontos de ônibus, painéis e telas digitais administrados pelo município. Bristol é a primeira cidade do Reino Unido a adotar uma restrição específica desse tipo para a moda.
A fast fashion é alvo crescente de críticas por seu impacto ambiental, principalmente pelo ritmo acelerado de produção, compra e descarte de roupas.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cerca de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são geradas todos os anos no mundo. Parte dessas roupas acaba em aterros, é incinerada ou, quando exportada como peça usada, pode terminar em lixões a céu aberto em outros países.
Promoções-relâmpago e Black Friday estão na mira
A política foi aprovada pelo comitê de Estratégia e Recursos da prefeitura por oito votos a um. Ela não proíbe anúncios de fast fashion em toda a cidade, como em vitrines, mas apenas nos espaços que estão sob controle da administração municipal.
A restrição mira campanhas que estimulem a compra excessiva de roupas e tendências de moda. Entre os exemplos citados estão promoções-relâmpago, ofertas por tempo ou estoque limitados e campanhas de Black Friday.
Essas estratégias são associadas ao chamado ultra-fast fashion, versão ainda mais acelerada da fast fashion, marcada pelo lançamento constante de novos produtos e pelo incentivo a compras frequentes.
O tema já provocou discussões em outros países.
Em 2023, uma campanha do governo francês que incentivava consumidores a não comprar roupas novas na Black Friday gerou reação de representantes do próprio governo e da indústria da moda.
Regra também atinge carros, voos e combustíveis fósseis
A nova política de Bristol vai além da moda. Também restringe anúncios de carros a gasolina, diesel e híbridos, SUVs, voos, aeroportos, cruzeiros e empresas ligadas à indústria de combustíveis fósseis.
Esse tipo de restrição vem crescendo na Europa. Amsterdã passou a proibir em 2026 anúncios de carne e de produtos ligados aos combustíveis fósseis em espaços públicos.
Em Arnhem, também na Holanda, o conselho municipal discutiu em fevereiro uma proposta para proibir anúncios de fast fashion, mas a medida foi rejeitada por 23 votos a 15.
Na mesma reunião, os vereadores aprovaram restrições à publicidade relacionada a combustíveis fósseis, carne e peixe.
Outras cidades já vinham avançando nessa direção. Edimburgo, Sheffield e municípios de outros países adotaram restrições a anúncios de produtos e serviços associados a altas emissões de carbono.
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