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Cortes no Reach

Maior grupo de mídia britânico corta 220 vagas culpando IA e algoritmo do Google pela queda de tráfego

Redução de links do Google levando diretamente a sites e avanço do “clique zero” com ajuda dos resumos da IA derrubam audiência e aumentam pressão sobre redações em todo o mundo

Capas de jornais da editora Reach, dona do Daily Mirror

Jornais do grupo Reach incluem títulos nacionais e regionais (foto: reprodução)




O grupo editorial Reach, dono do tabloide britânico Mirror, anunciou o corte de cerca de 220 postos editoriais no Reino Unido e na Irlanda, atribuindo a decisão à forte queda do tráfego enviado pelo Google devido a mudanças nos algoritmos da plataforma e ao avanço dos resumos produzidos por inteligência artificial diretamente nas buscas.

Em uma reorganização editorial para adaptação aos novos tempos, que foram apelidados de “clique zero”,  serão criadas cerca de 60 novas funções, principalmente em áreas como assinaturas e produção de vídeo longos, substituindo as notícias escritas curtas que sempre foram a base de sustentação da mídia popular online.

Com isso, a redução de vagas deverá ficar em aproximadamente 160 postos nas redações. E nem todos os novos contratados serão jornalistas.

Tráfego enviado pelo Google caiu 55%

O Reach é o maior grupo comercial de jornalismo do Reino Unido e da Irlanda, com mais de 120 veículos impressos e digitais.

Além do Mirror, um dos tradicionais tabloides nacionais britânicos, publica títulos como Daily Express, Daily Star, Manchester Evening News e Liverpool Echo.

Os números mais recentes da própria companhia ajudam a entender os cortes.

No primeiro semestre de 2026, o volume de visitas enviado pelo Google aos sites de notícias do Reach caiu 55% em relação ao mesmo período do ano anterior.

As visualizações de páginas dentro de suas plataformas recuaram 40%, enquanto a receita digital caiu 11,4%.

O Reach não atribui toda essa queda à inteligência artificial.

Ao justificar os novos cortes, porém, apontou uma rápida mudança na forma como o público consome notícias, incluindo os AI Overviews do Google — resumos gerados por IA que respondem a perguntas diretamente na página de busca — e alterações nos algoritmos da plataforma.

O fenômeno já vem sendo observado em outros estudos.

Levantamentos mostraram que usuários clicam menos em sites quando encontram respostas produzidas por IA no próprio Google, alimentando o modelo “clique zero”.

Um relatório recente da Similarweb também mostrou que, enquanto o uso de ferramentas de IA cresce rapidamente, sites de notícias perderam audiência.

Três sites locais serão fechados

A reestruturação também levará ao fechamento de três sites locais: AberdeenLive, na Escócia, KentLive, na Inglaterra, e GalwayBeo, na Irlanda. A empresa afirmou que a decisão está relacionada à posição dessas marcas em seus mercados e não ao desempenho dos jornalistas.

O National Union of Journalists (NUJ), sindicato que representa jornalistas no Reino Unido e na Irlanda, classificou a nova rodada de cortes como um “ato de autossabotagem”.

A entidade afirmou que sucessivas reduções de pessoal vêm aumentando a pressão sobre as redações e destacou que o Reach continua sendo uma empresa lucrativa.

A pressão sobre os veículos de notícias provocada pela transformação das buscas já chegou também aos órgãos reguladores.

Em junho, a autoridade britânica de concorrência determinou que o Google crie mecanismos para que empresas jornalísticas possam impedir o uso de seu conteúdo em recursos de IA sem desaparecer dos resultados tradicionais da busca.


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