Uma nuvem de poeira interestelar que lembra a silhueta de um tubarão foi escolhida como a melhor fotografia astronômica de 2026 pelo Observatório de Greenwich, em Londres.
A imagem, feita pelo kuwaitiano Ali Alobaidly, venceu o Astronomy Photographer of the Year, maior concurso internacional de astrofotografia, com resultados anunciados nesta sexta-feira (18).
Batizada de The Quiet Predator (“O predador silencioso”), a foto mostra a Nebulosa do Tubarão (LDN 1235), localizada a quase 650 anos-luz da Terra, na constelação de Cefeu.

A formação é uma nebulosa escura, composta por poeira interestelar densa o suficiente para bloquear a luz das estrelas que estão atrás dela.
Veja as outras fotos premiadas
Em sua 18ª edição, o concurso recebeu quase 4 mil imagens de 769 fotógrafos.
Além do prêmio principal, foram escolhidos vencedores em categorias dedicadas a galáxias, Sol, Lua, auroras, planetas e paisagens noturnas, além de prêmios para jovens fotógrafos e estreantes.
As imagens selecionadas estão em exposição no National Maritime Museum, em Greenwich, a partir desta sexta-feira (18).
Auroras | Radoslav Sviretsov — Bulgária
Uma pequena igreja islandesa aparece cercada pelo verde intenso da aurora boreal em The Crown (“A coroa”).

Sviretsov registrou a cena durante uma forte tempestade geomagnética em janeiro de 2026. A igreja fica em uma área entre Keflavík e Reykjavík, longe da poluição luminosa das cidades.
Planetas, Cometas e Asteroides |Tom Williams — Reino Unido
Saturnian Equinox registra Saturno em um período raro em que seus anéis aparecem quase de lado para quem observa o planeta da Terra. A imagem foi feita em Trowbridge, na Inglaterra, e mostra também pequenas luas ao redor de Saturno.

Lua | Petr Horalek — República Tcheca
Venusian Pearl on the Moon mostra Vênus desaparecendo gradualmente atrás da Lua crescente.

O fenômeno, chamado ocultação lunar, ocorreu em plena luz do dia em 19 de setembro de 2025. No momento em que começou a ser encoberto, o planeta parecia uma pequena “pérola” brilhante na borda da Lua.
Sol| Miguel Claro — Portugal
Em Active Region 4122, o fotógrafo português Miguel Claro registrou em grande detalhe uma região de intensa atividade na superfície visível do Sol.

A imagem permite observar estruturas criadas pelo movimento do plasma e foi produzida em Reguengos de Monsaraz, em Portugal.
Paisagens celestes | Stefano Pellegrini — Itália
Baobás do Parque Nacional Nxai Pan, em Botswana, aparecem sob centenas de rastros de estrelas em Botswana Star Trail.

Pellegrini deixou a câmera fotografando durante quatro horas e reuniu 340 imagens para produzir o resultado final. A ausência de poluição luminosa tornou possível registrar um céu especialmente carregado de estrelas.
Galáxias | Zhipeng Yan e Xinran Li — China
A NGC 4753, localizada a cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra, aparece atravessada por extensas faixas de poeira em NGC 4753: A Symphony of Dust Lanes in Virgo.

A imagem reuniu mais de dez horas de observação no Observatório El Sauce, no Chile, para revelar estruturas que normalmente são difíceis de enxergar.
Pessoas e Espaço | Inwood — Nova Zelândia
Em A Message From the Ancients, a Via Láctea aparece sobre antigos petróglifos encontrados no deserto da Califórnia.

Um dos desenhos, conhecido como “13 Moons”, é apontado como uma possível representação dos 13 ciclos de Lua cheia que podem ocorrer em um ano. Acima dele, Inwood fotografou a região da constelação do Cisne, rica em nebulosas.
Melhor estreante na astrofotografia | Haocheng Zhu — China
Haocheng Zhu havia começado na astrofotografia menos de um ano antes de produzir M1: Echoes of an Ancient Explosion.

A imagem mostra a Nebulosa do Caranguejo, formada pelos restos de uma supernova observada por astrônomos chineses no ano 1054. Quase mil anos depois, os filamentos de gás produzidos pela explosão continuam se expandindo pelo espaço.
Jovem Fotógrafo Astronômico do Ano | Strimpoulis — Grécia
Nikolaos Strimpoulis venceu a competição juvenil com Mineral Moon, um close da superfície da Lua.

A imagem destaca diferenças entre as regiões escuras, formadas por antigos fluxos de lava, e as áreas mais claras e acidentadas, moldadas por bilhões de anos de impactos. A fotografia foi feita em Atenas.
Categoria aberta | Paweł Paweł — Polônia
A mais experimental entre as imagens premiadas é Reverse Astronomy: Mother. Paweł expôs filme fotográfico à radiação solar usando uma câmera analógica construída por ele e depois submeteu o material a diferentes processos.
O resultado foi novamente fotografado em escala microscópica e transformado em uma composição que mistura fotografia, astronomia e experimentação visual.

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