A Irlanda anunciou ficará novamente fora do festival internacional de música Eurovision, repetindo o boicote de 2026 ao evento devido à manutenção de Israel como um dos países competidores.
A emissora pública RTÉ anunciou nesta quinta-feira (17) que não participará nem transmitirá a edição de 2027 do festival.
A TV irlandesa afirmou que sua posição não mudou diante da continuidade das mortes e da crise humanitária em Gaza. A RTÉ também voltou a citar como motivo de preocupação a falta de acesso independente de jornalistas internacionais ao território.
Em 2026, Irlanda, Espanha, Islândia, Eslovênia e Holanda ficaram fora da competição depois que a União Europeia de Radiodifusão (EBU, na sigla em inglês) manteve Israel entre os participantes.
Para 2027, a emissora pública holandesa AvroTros já anunciou que também manterá o boicote. A Holanda, porém, ainda pode ser representada por outra emissora pública caso a NPO, que coordena o sistema público de radiodifusão do país, decida assumir a participação.
Como funciona o Eurovision
Criado em 1956, o Eurovision Song Contest é organizado pela EBU em conjunto com a emissora anfitriã.
Embora os concorrentes sejam apresentados como representantes de seus países, quem participa formalmente são emissoras associadas à organização, em sua maioria veículos de serviço público. Cada uma escolhe o artista e a música que representarão seu país.
A competição tem duas semifinais e uma final transmitidas ao vivo. O resultado combina votos do público e de júris profissionais formados pelas emissoras participantes.
A EBU procura manter o Eurovision como uma competição musical politicamente neutra e argumenta que seus membros são as emissoras, e não os governos.
Esse princípio passou a ser cada vez mais questionado com a guerra em Gaza e a permanência da emissora pública israelense KAN, integrante da EBU, no concurso. Em 2026, o festival chegou à final após o boicote de cinco países e protestos contra a presença de Israel.
Votação também virou alvo de questionamentos
A votação popular passou a ser outro ponto da crise. Israel venceu o voto do público no Eurovision de 2025 e terminou em segundo lugar no resultado geral, em meio a críticas de emissoras sobre campanhas que incentivavam votos em massa.
Para 2026, a EBU reduziu de 20 para 10 o número máximo de votos por método de pagamento, reforçou controles contra votação coordenada ou fraudulenta, limitou campanhas promocionais apoiadas por governos e devolveu aos júris profissionais parte do peso nas semifinais.
A organização já começou a preparar uma nova mudança para 2027. Entre as propostas em estudo estão transferir toda a votação popular para o ambiente online e exigir que cada eleitor distribua suas escolhas entre mais de uma música, por exemplo indicando três favoritas.
Segundo a EBU, a intenção é reduzir o impacto de blocos de votação mobilizados por razões políticas.
O Eurovision 2027 será realizado em Burgas, na Bulgária. As semifinais estão marcadas para 11 e 13 de maio, e a final para 15 de maio.
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