“Pode ter certeza, logo vamos esquecê-la”: quase três décadas depois da morte da princesa Diana, uma frase que seu irmão atribui em um novo livro sobre a princesa que chega às livrarias na terça-feira (22) ao então príncipe Charles revive uma das disputas mais sensíveis em torno da família real britânica.
Mas pesquisas recentes sugerem que, verdadeira ou não, a previsão não se realizou: Diana continua mais popular entre os britânicos do que todos os integrantes vivos da monarquia, incluindo o ex-marido corado rei há quatro anos, segundo pesquisas recentes do instituto YouGov.
E uma nova enquete na semana passada indica que as pessoas estão divididas sobre em quem acreditar, já que o rei sugere que não teria dito a famosa frase.
A frase polêmica no livro sobre a princesa Diana
A frase que Charles teria dito ao irmão da princesa em uma ligação telefônica aparece em Swan Song: Diana, My Sister, novo livro de Charles Spencer sobre a irmã.
A obra vem sendo publicada em capítulos pelo tabloide Daily Mail desde a última quinta-feira (17). As revelações já provocaram uma reação incomum do Palácio de Buckingham, novas declarações de Spencer, e dominam as manchetes no Reino Unido.
No livro, Spencer conta que ouviu a frase durante uma discussão nos dias que antecederam o funeral de Diana, em 1997. Ela morreu aos 36 anos em um acidente de automóvel em Paris, perseguida por fotógrafos de celebridades.
O irmão se opunha à ideia de que William e Harry, então com 15 e 12 anos, caminhassem atrás do caixão da mãe.
Segundo seu relato, Charles defendia a participação dos filhos no cortejo e, durante a conversa, teria dito: “Rest assured, we’ll forget her soon enough” — “Pode ter certeza, logo ela será esquecida”.
O Palácio de Buckingham contestou a versão de Spencer em uma resposta considerada incomum pela imprensa britânica, que nos tempos da rainha Elizabeth II adotava o mantra que se tornou um clássico: “Nunca reclame, nunca explique”.
A nota afirmou que o sofrimento provocado pelo luto pode afetar a razão, o julgamento e a memória. Spencer manteve sua versão e voltou a defender publicamente a lembrança que tem da conversa.
Britânicos não sabem em quem acreditar
Mas o que pensam os súditos? Eles estão longe de chegar a uma conclusão sobre quem está dizendo a verdade.
Uma pesquisa da YouGov realizada em 17 de setembro perguntou diretamente se eles acreditavam que Charles havia feito a afirmação descrita no livro. 31% disseram acreditar que a frase é verdadeira, somando os 7% que responderam “definitivamente verdadeira” e os 24% que a consideraram “provavelmente verdadeira”.
Do outro lado, 36% acham que Charles provavelmente ou definitivamente não disse aquilo. Outros 33% responderam que não sabem. A pesquisa ouviu 4.833 adultos na Grã-Bretanha.
O resultado deixa praticamente um terço dos entrevistados em cada posição: acreditar em Spencer, que por acaso tem formação de historiador, não acreditar ou admitir que não há elementos suficientes para decidir.
Diana, no entanto, não foi esquecida
Se é impossível comprovar hoje o conteúdo daquela conversa privada, pesquisas de opinião dão uma resposta mais clara a outra parte da história: Diana continua ocupando um lugar importante na memória dos britânicos, e não foi esquecida.
Em abril, 77% disseram à YouGov ter uma opinião positiva sobre a princesa, que ficou a apenas 4 pontos percentuais da reverenciada rainha Elizabeth II, com 81%.
O rei Charles tinha 60% de avaliações positivas.
Entre os que admiram Diana, 41% têm dela uma visão “muito positiva”, enquanto apenas 9% têm a mesma opinião sobre a rainha Camilla. E itens que pertenceram a ela, como o famoso “vestido da vingança”, alcançam milhões em leilões.
Mais significativo ainda é o fato de sua popularidade se manter alta mesmo entre gerações mais novas, que nem chegaram a vê-la em vida.
Entre todas as faixas etárias pesquisadas, de jovens de 18 a 24 anos a pessoas com mais de 65, entre 75% e 82% têm uma opinião positiva sobre Diana. Isso significa que a avaliação permanece alta mesmo entre britânicos que nasceram depois de sua morte, em agosto de 1997.
O índice coloca a que ficou conhecida como ‘Princesa do Povo” ligeiramente à frente do príncipe William, com 76%, e de Catherine, princesa de Gales, com 75%.
O fato de ter morrido há algum tempo não muda substancialmente a imagem que o público já tinha sobre os integrantes da família real quando eram vivos, colocando em dúvida o ditado “quem morre vira santo”.
A rainha Elizabeth II e Diana continuam admiradas como eram em vida, enquanto o príncipe Philip, marido da rainha, tem apenas 54%, taxa semelhante à que tinha antes de morrer, em 2021.
O levantamento aponta também para uma mudança mais ampla na relação dos jovens com a monarquia. Apenas 45% dos britânicos de 18 a 24 anos dizem hoje querer manter a instituição.
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