Donald Trump voltou a brigar abertamente com a CNN nesta terça-feira (22), desta vez ao encontrar a jornalista Kaitlan Collins na chegada à Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Dias depois de barrar a emissora da Casa Branca, o presidente questionou por que ela estava ali fazendo a cobertura de sua presença.
O episódio não foi seguido, ao menos publicamente, por qualquer sinal de recuo. Horas depois, a própria Casa Branca publicou os 48 segundos do confronto em destaque em sua videoteca oficial, usada para distribuir os vídeos que alimentam a recém-lançada Trump TV.
Collins havia perguntado a Trump sobre uma pesquisa da CNN segundo a qual dois terços dos americanos não acreditam que os Estados Unidos estejam vencendo a guerra contra o Irã.
“Estou surpreso que a CNN esteja aqui cobrindo minha participação. Vocês não deveriam estar aqui.”
“As Nações Unidas nos permitiram entrar, senhor”, respondeu Collins.
Trump insistiu que a CNN havia dito que deixaria de cobri-lo. Quando a jornalista repetiu a pergunta sobre a guerra, o presidente respondeu que os Estados Unidos estavam fazendo “muito progresso”.
CNN diz que continuará cobrindo Trump
O novo ataque repete um padrão dos insultos do presidente americano contra jornalistas: a maior parte tem sido dirigida a mulheres.
A afirmação de Trump de que a CNN teria decidido parar de acompanhá-lo foi contestada pela própria Collins pouco depois, ao relatar o episódio no ar.
“Nunca dissemos que não iríamos fazer a cobertura do presidente. Faremos o possível para cobrir suas atividades todos os dias.”
Ela explicou que os jornalistas da emissora estavam na Assembleia Geral porque tinham credenciais concedidas pela ONU. O acesso à sede das Nações Unidas, portanto, não depende da Casa Branca.
Enquanto isso, a CNN continua impedida de acessar o complexo presidencial em Washington.
A emissora, a MS NOW e o Politico entraram na Justiça contra o governo Trump, alegando que a retirada das credenciais viola a Primeira Emenda da Constituição americana.
O caso deve ter uma audiência nesta quarta-feira (23), em Washington.
Veto provocou reação das grandes emissoras
A proibição também atingiu o sistema pelo qual as grandes redes americanas se revezam para produzir e compartilhar imagens do presidente. A CNN estava escalada para acompanhar Trump na viagem a Nova York, mas ficou impedida de cumprir sua vez por causa do veto.
ABC, CBS, NBC e Fox News decidiram não indicar outra rede para substituí-la e suspenderam o revezamento de cobertura.
Foi em meio a essa crise que a Casa Branca lançou a Trump TV, com vídeos, discursos e imagens oficiais selecionados pelo próprio governo.
Trump e Collins já tiveram outros confrontos
Não foi a primeira discussão pública entre Trump e Kaitlan Collins. Em fevereiro deste ano, ele atacou a jornalista durante uma coletiva no Salão Oval depois de ser questionado sobre os arquivos do caso Jeffrey Epstein.
A relação conflituosa vem de ainda mais longe. Em 2018, durante o primeiro governo Trump, Collins chegou a ser impedida de participar de um evento aberto à imprensa no Rose Garden depois de fazer perguntas ao presidente no Salão Oval.
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