A foto de um tamanduá-bandeira em tratamento depois de ter sido atropelado em uma rodovia, feita pelo brasileiro Fernando Faciole, é uma das premiadas no BigPicture 2026, concurso realizado pela Academia de Ciências da Califórnia.
Neste ano, fotógrafos de 64 países enviaram mais de 7.400 imagens. O júri escolheu vencedores e finalistas em sete categorias, além do prêmio principal.
Faciole venceu na categoria Homem e Natureza com “Órfão da Estrada”, retratando o animal ferido parecendo seguir seu tratador em um projeto de recuperação ligado à redução de atropelamentos de animais silvestres em rodovias em Belo Horizonte. Depois de curado, o tamanduá voltou à natureza.

Urso-polar vence o prêmio principal
O concurso de fotografia de natureza da Academia de Ciências busca usar imagens para mostrar a diversidade do planeta e chamar atenção para a necessidade de preservação de espécies e ecossistemas ameaçados.
O fotógrafo norueguês Audun Rikardsen venceu o prêmio principal com A Seal’s Last Sight (A última visão de uma foca), imagem de um urso-polar olhando diretamente para uma câmera instalada sob um buraco no gelo usado por focas para respirar – e serem abocanhadas por ursos famintos.

Rikardsen queria registrar a caça a partir da perspectiva da própria foca e levou mais de três anos até conseguir a imagem.
Em um bloco de gelo à deriva ao norte de Svalbard, encontrou pegadas de urso-polar próximas a um desses buracos e deixou uma câmera submersa acionada por sensor. O animal apareceu por volta das 4h da manhã, rompeu a fina camada de gelo e colocou a cabeça diante da lente.
Veja as outras fotos de natureza premiadas no BigPicture 2026
Vida aquática / Anton Sorokin
Anton Sorokin fotografou uma salamandra-da-Califórnia durante a postura de ovos em um lago no condado de Contra Costa, nos Estados Unidos. Para se manter firme, o animal segura com as patas uma massa de ovos que já estava no local.

O fotógrafo acompanha há anos a reprodução dessas salamandras no mesmo lago e afirma já ter visto milhares delas colocando ovos, mas apenas uma outra vez havia observado esse comportamento.
Vida selvagem terrestre / Marco Gaiotti
Um babuíno-gelada salta junto a um penhasco no Parque Nacional das Montanhas Simien, na Etiópia, na fotografia vencedora de Marco Gaiotti.

O fotógrafo acompanhou os animais ao amanhecer e ao anoitecer, horários em que eles se aproximam das encostas onde passam a noite. As áreas íngremes também ajudam os geladas a se protegerem de predadores.
Vida alada / Philipp Egger
Dois filhotes de bufo-real aparecem lado a lado na imagem feita por Philipp Egger no Vale Venosta, no norte da Itália. O local vem sendo usado por sucessivas gerações dessas aves e é acompanhado há anos pelo fotógrafo.

Um dos filhotes aparece com o bico aberto e parece estar em posição de confronto, mas, segundo Egger, estava apenas pedindo comida. O outro permanece ao lado, de olhos semicerrados.
Paisagens, águas e flora / Juan Garcia Lucas
A fotografia de Juan Garcia Lucas foi feita no Río Tinto, em Huelva, na Espanha, e brinca com a percepção de quem olha. À primeira vista, parece mostrar uma árvore vista de dentro de uma caverna.

Ao girar a imagem em 180 graus, a ilusão desaparece e a composição original se torna mais clara. As cores intensas vêm das tonalidades características do próprio Río Tinto.
Arte da natureza / Georgina Steytler
Georgina Steytler registrou o movimento de insetos voando em torno de luzes durante a noite em Kununurra, no norte da Austrália. Com longa exposição, os trajetos aparecem como linhas e curvas luminosas.

A fotógrafa passou várias noites testando a técnica até encontrar luzes de um estádio que atraíam uma grande quantidade de insetos. Segundo ela, a intenção era tornar visível uma presença que normalmente passa despercebida e chamar atenção para a redução das populações desses animais.
Melhor série / Ami Vitale
A fotógrafa Ami Vitale, da National Geographic, venceu a categoria dedicada a ensaios fotográficos com Pandas Gone Wild, trabalho feito ao longo de três anos sobre pandas-gigantes criados em cativeiro e preparados para voltar à natureza na China.
No centro de Hetaoping, em Wolong, uma das regras é evitar que os pandas se acostumem à presença humana. Para trabalhar sem interferir nesse processo, Vitale chegou a usar uma roupa de panda impregnada com o cheiro dos animais.





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