A polícia de segurança nacional de Hong Kong prendeu nesta quarta-feira (30) o jornalista independente Tang Ho-wing, fundador do Boom News, em uma investigação sobre uma manifestação realizada em 31 de agosto diante de uma estação de metrô.
Ele foi acusado de disseminar informações falsas com intenção sediciosa — crime da era colonial que, pela legislação local, pode incluir atos destinados a provocar ódio ou hostilidade contra o governo e suas instituições.
Segundo a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a prisão de Tang está ligada à cobertura feita pelo Boom News da manifestação, realizada no sétimo aniversário de uma operação policial na mesma estação durante os grandes protestos de 2019.
Tang, de 37 anos, criou o veículo independente em 2020 e publica principalmente reportagens de rua, entrevistas e transmissões ao vivo pelas redes sociais.
A polícia afirma que pessoas reunidas diante da estação Prince Edward carregaram flores, gritaram palavras de ordem consideradas sediciosas e disseminaram informações falsas para atacar o governo e difamar as forças de segurança, com a intenção de provocar hostilidade contra as autoridades. Oito pessoas foram presas ao longo de setembro por participarem do protesto.
Associação questiona ligação com trabalho jornalístico
Em nota, a Associação de Jornalistas de Hong Kong (HKJA) manifestou “profunda preocupação” e pediu que a polícia esclareça quais atos atribuídos a Tang teriam violado a lei e se a prisão está relacionada ao seu trabalho como jornalista.
A entidade destacou que transmissões ao vivo e o registro de acontecimentos em locais públicos fazem parte da atividade jornalística e afirmou que este é o primeiro caso conhecido de um jornalista preso por suspeita de sedição sob a legislação de segurança nacional aprovada em 2024.
A RSF também pediu a libertação imediata de Tang. Para a organização, a prisão é mais um exemplo do uso de procedimentos de segurança nacional para “silenciar profissionais independentes da imprensa” em Hong Kong.
A entidade afirma que pelo menos 29 jornalistas e defensores da liberdade de imprensa foram processados ou enfrentam acusações desde a entrada em vigor da primeira lei de segurança nacional, em 2020, e que nove estão atualmente detidos.
Sedição pode levar a sete anos de prisão
O crime de sedição tem raízes no período colonial britânico, mas foi reformulado pela Lei de Salvaguarda da Segurança Nacional aprovada em 2024. A legislação estabelece pena de até sete anos de prisão em uma primeira condenação por atos praticados com intenção sediciosa.
O governo de Hong Kong afirma que críticas às autoridades, por si só, não constituem sedição. A lei inclui entre as condutas previstas atos praticados com intenção de provocar ódio contra o governo ou estimular mudanças por meios ilegais.
Hong Kong, ex-colônia britânica e hoje região administrativa especial da China, mantém um sistema jurídico próprio. A aplicação das leis de segurança nacional a jornalistas e veículos independentes tem sido criticada por organizações de liberdade de imprensa.






