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Da publicidade ao jornalismo: COP31 discute como garantir a confiabilidade das informações sobre clima e sustentabilidade ambiental

Manifestantes em protesto ambiental com cartaz sobre desinformação climática

Foto: Mica Baumeister/Unsplash

A integridade da informação climática, um conceito que envolve do noticiário sobre o tema na imprensa ao marketing promovendo sustentabilidade ambiental,terá espaço em diferentes atividades da COP31, de 9 a 20 de novembro, em Antalya, na Turquia.

Um dos destaques será o encontro de 14 de novembro, no Pavilhão da França, dedicado ao combate à desinformação climática e à aplicação dos compromissos internacionais assumidos na conferência anterior, realizada no Brasil.

A programação da UNESCO também inclui iniciativas relacionadas à educação e ao acesso a informações confiáveis.

O tema passou a integrar a agenda climática da ONU na COP30, em Belém, com uma declaração internacional que reúne compromissos para os governos e recomendações a empresas, plataformas digitais e organizações da sociedade civil.

O conceito vai além do combate às notícias falsas nas redes sociais. Inclui também publicidade, transparência das informações ambientais, liberdade de imprensa e proteção de jornalistas e pesquisadores.

O que é integridade da informação climática?

A ONU define integridade da informação climática como a garantia de que o público tenha acesso a dados confiáveis e possa tomar decisões com base em informações precisas e provenientes de diferentes fontes.

Na declaração lançada na COP30, os países afirmam que o enfrentamento das mudanças climáticas depende de informações científicas confiáveis e compreensíveis, capazes de ampliar o conhecimento da população e permitir sua participação nas decisões públicas.

O documento identifica entre as ameaças à integridade da informação a desinformação, o negacionismo climático e os ataques a jornalistas ambientais, cientistas e pesquisadores.

Segundo os signatários, essas práticas prejudicam a compreensão pública da crise climática e podem atrasar medidas urgentes para enfrentá-la.

A declaração também relaciona o tema a compromissos anteriores da Convenção do Clima e do Acordo de Paris, que já reconhecem a importância da educação ambiental, do acesso à informação e da participação da sociedade.

 Transparência na publicidade

A publicidade também está expressamente contemplada. A declaração pede às empresas práticas publicitárias transparentes e responsáveis.

Em relação às plataformas digitais, o documento recomenda que os governos incentivem as empresas de tecnologia a avaliar se o funcionamento de seus serviços prejudica a integridade da informação climática.

Também defende o acesso de pesquisadores a dados para investigar o problema.

A declaração tem caráter político e não estabelece multas ou novas obrigações legais específicas.

O que já foi colocado em prática?

Um ano antes da COP30, um programa denominado Iniciativa Global para a Integridade da Informação sobre Mudança do Clima foi lançado durante a reunião do G20 no Rio de Janeiro.

Uma de suas principais ações foi a criação de um fundo administrado pela UNESCO para financiar pesquisas, jornalismo investigativo e projetos de comunicação sobre o clima.

A primeira chamada, realizada em 2025, recebeu 447 propostas de quase 100 países. Dez projetos foram inicialmente selecionados, segundo a UNESCO, com atividades voltadas ao estudo da desinformação e ao fortalecimento do acesso a informações confiáveis.

Durante as reuniões preparatórias da ONU em Bonn, em junho de 2026, representantes da iniciativa discutiram os avanços desde a COP30 e os próximos passos para a conferência de Antalya.

IA e desinformação

Outro tema relacionado à qualidade da informação é a inteligência artificial, que pode ser utilizada para produzir e disseminar imagens, vídeos e textos falsos sobre mudanças climáticas.

A relação entre IA e integridade da informação já foi discutida em uma atividade da Semana do Clima da ONU, em setembro de 2026.

Na COP31, a tecnologia terá uma agenda própria, voltada aos seus impactos ambientais. A presidência turca prepara uma proposta de compromisso internacional para enfrentar o crescimento do consumo de energia dos data centers e aumentar a transparência das empresas de tecnologia.


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