© Conteúdo protegido por direitos autorais

Recorde mundial de repressão à imprensa: China atinge marca de 125 jornalistas presos

Liu Hanbin jornalista preso na China

Liu Habin, de 52 anos, está preso por reportagem sobre apropriação de terras por autoridades



Londres – A China atingiu um novo marco negativo na liberdade de imprensa: 125 jornalistas estão atualmente presos no país após a detenção do blogueiro Liu Hanbin, também conhecido como Wen Yi Fan.

Liu, de 52 anos, completou um mês preso em 27 de dezembro de 2024, mas só agora o caso se tornou público. Ele foi capturado na cidade de Hohhot, capital da Mongólia Interior, e é mantido no Centro de Detenção local. 

Com a nova prisão, o país ampliou ainda mais a distância para o segundo colocado nesse triste ranking. Enquanto Mianmar ocupa a segunda posição, com 70 jornalistas detidos, a China está 55 posições à frente, demonstrando o agravamento da repressão à liberdade de imprensa no país.

Jornalistas na China são presos por ‘provocar brigas e causar problemas’ 

Liu é conhecido por suas reportagens sobre acontecimentos regionais na Mongólia Interior, que ele compartilhava em sua conta no WeChat.

Seus posts recentes incluem denúncias de mineração ilegal de areia e vários atos ilícitos cometidos por autoridades locais, como um caso recente de violência policial contra um adolescente.

A acusação contra ele é de “provocar brigas e causar problemas”, um crime que pode levar a até cinco anos de prisão.

A razão da prisão foi a publicação de um vídeo no aplicativo WeChat, no qual Liu mencionava um protesto de agricultores contra a desapropriação de suas terras por autoridades.

Em 6 de dezembro, a polícia negou o pedido de fiança de Liu, alegando que o caso era “significativo e complexo”. O blogueiro também teve negado o acesso ao seu advogado.

RSF cobra libertação do jornalista 

A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) condenou a prisão de Liu e pediu sua libertação imediata.

Cédric Alviani, diretor do escritório da RSF para a Ásia-Pacífico, afirmou que Liu estava apenas “servindo ao interesse público ao lançar luz sobre abusos relacionados à desapropriação de terras”.

Alviani também criticou a negação do direito de Liu de se encontrar com seu advogado e pediu à comunidade internacional que pressione as autoridades chinesas para libertar Liu e os outros 124 jornalistas presos no país.

A RSF aponta que, desde a chegada de Xi Jinping ao poder em 2012, a China tem promovido uma cultura de mídia que lembra a era maoísta, na qual buscar ou compartilhar informações livremente é criminalizado.

A China ocupa a 172ª posição entre 180 países no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa de 2024 da RSF.

A organização afirma que o país é a maior prisão do mundo para jornalistas e defensores da liberdade de imprensa. 

Um exemplo emblemático é o caso de Zhang Zhan, uma jornalista condenada a quatro anos de prisão em 2020 por reportar sobre o surto de Covid-19.

Ela foi libertada em maio de 2024, mas foi presa novamente em agosto sob a mesma acusação, desta vez após postar informações nas redes sociais sobre o assédio de ativistas na China.

error: O conteúdo é protegido.