A realidade do jornalismo na visão de grandes nomes femininos que atuam tanto na mídia latino-americana quanto na espanhola é o tema da série de podcasts Em Primeira Pessoa, criada pela Fundação Gabo, da Colômbia. Os cinco episódios são comandados perla jornalista espanhola Pepa Bueno, que conversou com nomes da imprensa e da fotografia com diferentes visões da mídia de países que têm em comum o idioma espanhol. 

Karen de la Hoz, diretora da Fundação disse que o 0bjetivo da série é destacar o trabalho rigoroso, ético e empenhado que asmulheres têm feito em prol de uma sociedade mais bem informada, e também os obstáculos que tiveram que enfrentar em uma profissão tradicionalmente dominada por homens.”

Os cinco episódios (em espanhol) estão disponíveis no site da Fundação Gabo.E também nas plataformas Podim Podcast, Spotify e Apple Podcast. Veja a seguir as convidadas de cada um. 

Crônica, um gênero vivo na América Latina 

O primeiro episódio é com a cronista e editora argentina Leila Guerriero, que conversa com Pepa Bueno sobre crônica, genêro que segundo ela ainda está muito vivo na América Latina.

Leila Guerriero. Ilustração de Silvana Bossa

Ela fala sobre um tipo de jornalismo que não vive arrastado pela urgência, “um jornalismo lento e profundo que observa a realidade, que se detém nos detalhes que investiga”. 

Leila Guerriero é professora de crônica da Fundação Gabo, e editora para a América Latina da revista mexicana Gatopardo. Trabalha também para as Ediciones Universidad Diego Portales, no Chile. Seus trabalhos são publicados em diversas mídias da América Latina e Espanha e já foram traduzidos para o inglês, alemão, francês, português, italiano e polonês.

Duas pioneiras do jornalismo investigativo 

Maria Teresa Ronderos, da Colômbia e Mônica González, do Chile, referências do jornalismo investigativo na região, foram as convidadas do segundo episódio. Elas são pioneiras no área e se especializaram em denunciar  abusos de poder.

Mónica González e María Teresa Ronderos. Ilustração de Silvana Bossa.

Na conversa, elas falam sobre a dificuldade de manter a independência em uma sociedade movida por interesses econômicos e políticos. E descrevem sua experiência no gênero jornalístico que “torna o poder desconfortável porque investiga o que os governos não querem que seja conhecido”.

Maria Teresa Ronderos é diretora do CLIP (Centro Latino-Americano de Investigação Jornalística e colunista do El Espectador. Recebeu o prêmio Simón Bolivar de Jornalista do Ano pelo livro “Guerras Recicladas”, sobre o fenômeno paramilitar na Colômbia, que se tornou um best seller.

Suas reportagens investigativas já renderam prêmios como o Rei da Espanha, o Lorenzo Natali da União Europeia e o  Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia.

Mónica González é provedora de justiça do jornal El Faro e responsável pela Clínica de Ética da Fundação Gabo. Já trabalhou em diversas revistas e jornais, entre eles o jornal argentino Clarín, onde foi correspondente no Chile.

Fundou e dirigiu até 2019 o Centro de Investigação e Informação Jornalística, em Santiago. Entre os prêmios recebidos destacam-se o Maria Moors Cabot, o M.Lyons de Consciência e Integridade no Jornalismo da Universidade de Harvard e o Prêmio Anual da Comissão de Direitos Humanos da Espanha.

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Congelando momentos em preto e branco

“Ela queria ser escritora, mas uma câmera caiu em suas mãos e ela viaja pelo mundo há mais de 40 anos congelando momentos em preto e branco.” Assim é apresentada a convidada do terceiro episódio da série Em Primeira Pessoa, Gabriela Iturbide. 

Graciela Iturbide, fotógrafa mexicana. Ilustração: Silvana Bossa.

A fotógrafa mexicana, agraciada com o Sony World Photography Award este ano pela sua contribuição para a fotografia, conta histórias sobre as suas cinco décadas viajando pelo mundo, aproximando-se de comunidades indígenas quase inacessíveis, sempre fiéis a dois elementos: analógico e branco e preto, características que definem seu trabalho.

Graciela Iturbide começou na fotografia como assistente de Manuel Álvarez Bravo (1902-2002), fotógrafo mexicano que é referência na fotografia moderna em seu país. De lá para cá já rodou o mundo fotografando e expondo seus trabalhos, que geralmente são retratos (seu gênero preferido)


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Pioneira em direção editorial

No quarto episódio da série, a  espanhola Soledad Gallego-Diaz, primeira mulher diretora do jornal El País, cargo que ocupou até 2020, conversou com Pepa Bueno sobre direção editorial. Ela também foi editora adjunta, cronista, ombudsman e correspondente.

Mesmo tendo subido ao topo do organograma, a jornalista se define como um “animal de redação”. Gallego-Díaz  falou sobre a quebra de limites na imprensa e sobre a força do trabalho em equipe.

A jornalista tem uma coluna semanal no jornal El País, e foi reconhecida pelo seu trabalho com prêmios como o Salvador de Madariaga, Cirilo Rodriguez e Ortega y Gasset. Mas ela afirma que o prêmio mais importante é o respeito à profissão e aos leitores.

Nas ondas do rádio

Fechando a série, quatro jornalistas contam histórias sobre o mundo do rádio e do audiojornalismo na América Latina e debatem sobre como o rádio vem convivendo com os novos formatos de áudio.

Da esquerda para a direita: Carolina Guerrero, Yolanda Ruiz, Paula Molina e Maria ODonnell. Ilustração de Silvana Bossa

Uma das participantes é Yolanda Ruiz, da Colômbia, que já recebeu três vezes o prêmio Simón Bolivar de Jornalismo e foi a primeira mulher a alcançar o cargo de diretora de informação e notícias de duas rádios da Colômbia, Caracol e RCN. 

Junto com ela está a argentina Maria O’Donnell, ex-correspondente do jornal La Nación nos EUA. Quando voltou para a Argentina, deixou o jornalismo impresso e começou na mídia eletrônica, dirigindo um programa na rádio Urbana Play e um talk show na TV.

Participam também Paula Molina, do Chile, e Carolina Guerrero, da Colômbia, responsáveis pela introdução do formato podcast na região. Molina é editora geral da Cooperativa Podcast e co-fundadora do LaBot, primeiro robô de bate-papo de notícias e apresentador do Chile.

Guerrero é co-fundadora da Rádio Ambulante, projeto de jornalismo narrativo de áudio que conta histórias latino-americanas de todos os países de língua espanhola. Ela foi vencedora do prêmio Gabo, em 2014, na categoria Inovação.

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