Depois da Reuters, que nomeou em abril a primeira mulher, Alesssandra Galloni, para liderar suas operações em 170 anos de história, agora é a vez do Washington Post esc0lher uma jornalista como editora exercutiva. Sally Buzbee, que fez carreira na Associated Press, foi anunciada nesta terça-feira (11/5) como a nova líder do Washington Post, tornando-se a primeira mulher a chefiar a redação do jornal em 144 anos, um passo importante para aumentar a diversidade no jornalismo. 

O anúncio foi feito à equipe em um comunicado assinado pelo CEO Fred Ryan nesta terça-feira (11/5). Buzbee, de 55 anos, vai assumir a liderança da redação de quase mil profissionais do jornal americano no mês que vem. A nova editora sucede Martin Baron, que se aposentou no final de fevereiro após atuar no jornal por cerca de oito anos.

Carreira

Depois de se formar na University of Kansas em 1988, Buzbee começou sua carreira como repórter da AP no Kansas. Ela também foi repórter em Los Angeles, San Diego e Washington. E em 1996 assumiu como subchefe do escritório em Washington. No início de 2004,  foi editora regional da AP para o Oriente Médio no Cairo, supervisionando a cobertura da Guerra do Iraque. Possui um MBA pela Universidade de Georgetown.

Buzbee vinha dirigindo a Associated Press desde 2017. A agência de notícias, sediada em Nova York, tem 2.800 jornalistas profissionais.

“A experiência de Buzbee supervisionando o jornalismo internacional da AP credenciou-a para o cargo em um momento em que o Post expande suas operações no exterior”, disse Ryan.

O jornal anunciou planos de abrir escritórios em Londres e Seul este ano, o que permitirá que suas redações façam reportagens 24 horas por dia. Também abrirá em Sydney e Bogotá, ampliando a presença para 26 mercados internacionais. 

Entre 2010 a 2016, Sally Buzbee foi chefe do escritório da AP em Washington e comandou a cobertura das eleições presidenciais de 2012 e 2016, bem como a cobertura das atividades do Congresso nacional, da Casa Branca e de agências federais.

“O Post tem um legado jornalístico muito rico e uma equipe incrível”, disse ela em uma entrevista na terça-feira de manhã, em sua casa em Nova York. “É emocionante ingressar nesta organização em um momento de crescimento e inovação.”

Em um memorando para os funcionários, Ryan escreveu:

“Procuramos alguém mergulhado no jornalismo corajoso que é a marca registrada do Post e que possa estender nosso alcance para o público de notícias nos EUA e no exterior. Procuramos um líder ousado que possa gerenciar nossa redação e escritórios dinâmicos em todo o mundo. Procuramos alguém que compartilhe nossos valores de diversidade e inclusão. E que esteja comprometido em priorizá-los em nossa cobertura, bem como em nossas contratações promoções”.

Ele complementou a mensagem dizendo que buscava um “jornalista de classe mundial”, com força particular em reportagens investigativas e políticas, e com “credibilidade e seriedade” para ser um porta-voz eficaz para a profissão. Ele chamou Buzbee de “uma líder inspiradora e jornalista talentosa nas melhores tradições” do The Post.

Escolha unânime

Segundo o editor do The Post, Buzbee foi a “escolha unânime” para o cargo após entrevistas com ele e Jeff Bezos, o fundador da Amazon que é dono do The Post desde 2013.

A jornalista estava entre um pequeno grupo de candidatos entrevistados por Bezos em Washington na semana passada. Esta é a primeira contratação de um editor executivo desde que Bezos comprou a empresa, em 2013.

A nomeação de Buzbee foi uma surpresa para aqueles que acompanharam de perto a busca pelo próximo editor do Post – uma prova do sigilo com que Ryan conduziu sua busca. Seu nome raramente era mencionado em meio a uma intensa discussão interna sobre quem sucederia Baron.

Embora várias mulheres tenham servido como editoras gerenciais no The Post, a segunda posição na escada hierárquica, nenhuma foi nomeada para o comando desde que o jornal foi fundado, em 1877, seguindo uma tradição de pouca diversidade no jornalismo. 

Sally Buzbee disse ser “uma honra” tornar-se a primeira mulher no cargo:

“Na minha carreira e na minha vida, sempre tive consciência sobre como os outros abriram o caminho para mim.

Estou extremamente grata por isso. Também estou ciente do fato de que nunca podemos descansar na questão da diversidade. Meu sentimento é: não importa quanto progresso tenhamos feito, nunca é o suficiente.”

Desde que adquiriu o Washington Post, em 2013, Jeff Bezos fez grandes investimentos na tecnologia da empresa e na redação,  O sucesso comercial do jornal é reconhecido. Ele conta atualmente com 3 milhões de assinantes digitais, o triplo do que tinha em 2016, mas ainda está bem atrás do New York Times, com 7,5 milhões.

Leia também 

Volta à redação pode ser forçada? Artigo de opinião no Washington Post gera polêmica e greve em revista americana

Direitos autorais reservados. Reprodução do conteúdo integral não autorizada. Reprodução do primeiro parágrafo autorizada desde que com link para a matéria original.