Embora o Facebook tenha anunciado que decidiu banir o Taleban de suas plataformas, o WhatsApp, que pertence à empresa, informa que não conseguirá cumprir a medida porque não tem acesso aos textos publicados.

De acordo com o jornal The Washington Post, o Taleban, enquanto retoma o Afeganistão, envia mensagens aos residentes de Cabul dizendo que eles estão encarregados da segurança na cidade agora, e que os cidadãos deveriam denunciar qualquer pilhagem ou comportamento “irresponsável” a eles.

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Uma das mensagens atribuída aos radicais, citadas na reportagem, dizia:

“O Emirado Islâmico garante que ninguém deve entrar em pânico ou sentir medo. O Taleban está conquistando a cidade sem lutar e ninguém correrá risco”.

Criptografia dificulta ação da plataforma para censurar o Taleban

Um porta-voz do WhatsApp se recusou a responder a perguntas da revista Wired sobre a resposta da empresa ao uso de sua plataforma pelo Taleban, mas ressaltou a dificuldade de fazer isso sem ter acesso a nenhuma das mensagens, visto que o aplicativo usa criptografia ponta a ponta.

(M.A. / Pixabay)

Isso explicaria por que o WhatsApp não tomou medidas contra relatos de que o Taleban está usando a plataforma para espalhar mensagens para cidadãos afegãos enquanto tomam conta do país. O porta-voz disse à publicação:

“Como um serviço de mensagens privadas, não temos acesso ao conteúdo das conversas entre os usuários. No entanto, se tomarmos conhecimento de contas presentes no WhatsApp pertencentes a indivíduos ou organizações banidas, entraremos em ação.”

Taleban é mais apto tecnologicamente do que alguns imaginam, diz especialista

A Wired ressalta que o uso das plataformas de comunicação modernas pelo Taleban não é diferente do caso de outros regimes autoritários como o do Irã, que utiliza o Twitter e o Instagram para compartilhar suas mensagens com o Ocidente.

A publicação destaca o depoimento de Peter Singer, membro sênior da New America Foundation e especialista em tecnologia e guerra, que disse que as forças do Taleban são mais aptas tecnologicamente do que alguns podem imaginar:

“Eles têm usado as plataformas há anos. Muitos pensam no Taleban como arcaico, mas eles aproveitam tudo, desde as mídias sociais até os drones. Nós desenvolvemos esses recursos, eles os usam”.

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