O influencer Brandon Straka, de 44 anos, do movimento MAGA (Make America Great Again), ligado ao ex-presidente Donald Trump, se declarou culpado pela sua participação na violência que culminou na invasão do Congresso dos Estados Unidos (EUA), em janeiro. Se condenado, ele pode pegar até seis meses de prisão. 

Straka foi um dos vários oradores do comício de 5 de janeiro em Washington a serem presos e um dos primeiros a se declarar culpado. Em junho de 2020, ele foi expulso de um voo da American Airlines por se recusar a usar máscara de proteção em meio à pandemia de Covid-19.

A notícia sai em um momento de exposição do ex-presidente, que foi tema de um novo livro, de sua ex-chefe de comunicação na Casa Branca, que detalhou como a assessoria do presidente mentia sistematicamente e usava o canal Fox News como “TV estatal” para disseminar ideias de Trump.

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Straka, cabeleireiro autodeclarado gay e ex-liberal, acumulou mais de meio milhão de seguidores no Twitter ao fundar uma campanha chamada #WalkAway, em que incentiva os militantes democratas a deixar o partido. 

Um vídeo postado no YouTube em 2018, hoje com mais de 800 mil visualizações, intitulado Por que eu deixei o liberalismo e o Partido Democrata, fez de Straka uma figura conhecida entre apoiadores de Trump, com aparições em redes de mídia de direita e em comícios, falando sobre por que o Partido Democrata “o afastou”.

No dia da invasão do Capitólio, Straka participou do comício “Stop the Steal” (Parem com o roubo”, em tradução livre), em Washington, quando encorajou os presentes a “revidar”, referindo-se várias vezes a uma “revolução”, disse o FBI em sua investigação.

“Estamos mandando uma mensagem aos democratas, não vamos embora, vocês têm um problema!” Straka disse em seu discurso. Imagens mostram ainda o influenciador incentivando um grupo de manifestantes a desarmar um policial, que carregava um escudo.

A promotoria retirou uma acusação de impedimento do trabalho da polícia. Em um acordo de confissão de culpa, Straka prometeu cooperar divulgando as redes sociais e outras evidências ligadas ao ato antidemocrático em Washington.

O influenciador admitiu sua culpa no tribunal, mas no Facebook esta semana ele se dirigiu a 357 mil seguidores e os encorajou a ignorar a “imprensa negativa”.

“Aguentem firme”, escreveu Straka, que aproveitou para pedir apoio financeiro e anunciou um próximo “grande relançamento” de sua campanha. 

O juiz distrital dos EUA, Dabney L. Friedrich, de Washington, definiu a sentença para 17 de dezembro e permitiu que Straka permanecesse sob supervisão em sua terra natal, Nebraska, onde foi preso em janeiro.

Outros dois participantes da invasão ao Capitólio se declaram culpados

Além de Straka, na quarta-feira (6/10), Israel Tutrow, de Indiana, também se declarou culpado de participar da manifestação antidemocrática que culminou na invasão do Capitólio. Tutrow admitiu ainda portar uma faca nos atos de vandalismo.

Domnick Madden, um trabalhador de saneamento de Nova York que vestiu um moletom do grupo conspiracionista QAnon na invasão, também se declarou culpado por fazer piquetes ilegais, na terça-feira (6/10).

Segundo pesquisa publicada em setembro pelo Public Religion Research Institute (PRRI) nos EUA, cerca de 17% da população americana simpatiza com os princípios e teorias sem comprovação que dão base ao movimento.

O PRRI identificou simpatizantes do QAnon com base nos sentimentos dos entrevistados sobre três declarações: (1) O governo, a mídia e o mundo financeiro dos EUA são controlados por um grupo de pedófilos adoradores de Satanás que administram uma operação global de tráfico sexual infantil; (2) Em breve haverá uma tempestade que varrerá as elites no poder e restaurará os líderes legítimos; e (3) Como as coisas ficaram muito fora do caminho, verdadeiros patriotas americanos podem ter que recorrer à violência para salvar o país.

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