Londres -Mostrar o que há de melhor em fotografia da natureza e usar imagens para alertar as pessoas a proteger o planeta é o objetivo do concurso de fotografia da natureza promovido anualmente pelo Museu de História Natural de Londres, um dos mais importantes do mundo. 

A 58ª edição do Fotógrafo da Vida Selvagem do Ano está com inscrições abertas para profissionais e amadores até o dia 9 de dezembro. Vários brasileiros venceram concursos este ano, como o biólogo Raul Costa-Pereira, premiado pela British Ecological Society

Os prêmios variam vão de £ 1,250 mil (R$ 9,3 mil) a £ 10 mil (R$ 74,7 mil). Há uma categoria especial para jovens fotógrafos até 18 anos. 

A fotografia vencedora de 2021

Na edição 2021, o destaque do Wildlife Photographer of the Year foi para uma imagem que registrou o período de reprodução das garoupas na Polinésia Francesa, espécie ameaçada pela pesca predatória.

A foto chama-se Criação, e foi feita pelo francês Laurent Ballesta. Venceu na categoria Foto Subaquática.

Wildlife Photographer of the Year 2021 – Laurent Ballesta

Veja os prêmios e como participar 

O prêmio para o Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano é de £ 10 mil (R$ 74,7 mil). Os ganhadores das categorias portfólio e stories (séries) de fotojornalismo recebem £ 2.5 mil (R$ 18,7 mil) cada. Os demais premiados receberão £ 1,5 mil (R$ 11,2 mil) ou £ 1,250 (R$ 9,3 mil) dependendo da categoria.

Todos ganharão também uma viagem a Londres para a cerimônia de premiação, além de troféus e certificados. E participam da exposição Fotógrafo de Vida Selvagem, no próprio Museu de História Natural e em mostras em outros museus pelo mundo.

Para se inscrever nas categorias para adultos é preciso pagar uma taxa de £ 30, que vale até o dia 2 de dezembro. Após esta data o valor é de £ 35. As inscrições na categoria de jovens fotógrafos até 18 anos são gratuitas.

As fotos não podem mostrar animais domésticos do participante ou da família, nem aqueles criados em fazendas ou sítios. 

As inscrições podem ser feitas por este link, onde também há o regulamento completo do concurso em português.

Conheça as categorias do concurso e os vencedores em 2021

Animais em seu Meio Ambiente – Premia trabalhos que mostrem o habitat como elemento principal, para transmitir como um animal é parte integrante de seu meio.

Vencedor em 2021 

Wildlife Photographer of the Year – Zack Clothier

Zack Clothier (EUA) achou que restos de chifres de alces eram o local ideal para montar uma armadilha fotográfica. Mas ao retornar, descobriu que sua montagem estava destruída. A imagem é o último quadro capturado pela câmera.


Retratos de Animais – Imagens devem revelar a personalidade de um animal ou grupo de animais de uma forma que instigue o pensamento ou que seja memorável. 

Vencedor em 2021 

Wildlife Photographer of the Year – Majed Ali

Majed Ali, do Kuwait caminhou por quatro horas para encontrar Kibande, um gorila-da-montanha de quase 40 anos. “Quanto mais subíamos, mais quente e úmido ficava”, lembra. Quando a chuva fria começou a cair, Kibande permaneceu ao ar livre, parecendo aproveitar o banho.


Comportamento de  Anfíbios e Répteis – A foto deve revelar um comportamento ativo que ajude a compreender a natureza de uma espécie.

Vencedor em 2021

Wildlife Photographer of the Year – João Rodrigues

João Rodrigues (Portugal)  foi surpreendido por uma dupla de salamandras de costelas afiadas na floresta inundada. Foi sua primeira chance em cinco anos de mergulhar neste lago, pois ele só surge em invernos de chuvas excepcionalmente fortes, quando os rios subterrâneos transbordam. O fotógrafo teve uma fração de segundo para ajustar as configurações da câmera antes que as salamandras se afastassem.


Comportamento de  Pássaros – Imagens que mostrem um comportamento memorável, incomum ou dramático.

Vencedora em 2021 

Wildlife Photographer of the Year – Shane Kalyn

Shane Kalyn (Canadá) mostrou o início da temporada de reprodução dos corvos. Era o meio do inverno e Shane deitou no chão congelado usando a luz fraca para capturar os detalhes da plumagem brilhante dos corvos contra a neve contrastante para revelar este momento íntimo.


Comportamento de Invertebrados – Trabalhos mostrando o comportamento mais interessante ou memorável de animais menores sem espinha dorsal – seja na terra, no ar ou na água.

Vencedor em 2021

Wildlife Photographer of the Year – Gil Wilzen

Gil Wilzen (Israel/Canadá) descobriu esta aranha sob uma casca solta. Qualquer perturbação poderia tê-la feito abandonar seu projeto, e ele tomou cuidado. “A ação das fiandeiras me lembrou o movimento dos dedos humanos ao tricotar”, diz Gil.


Comportamento de Mamíferos – Fotografias apresentando um comportamento memorável, incomum ou dramático de mamíferos. 

Vencedor em 2021 

Wildlife Photographer of the Year – Stefano Unterthiner

Stefano Unterthiner (Itália)  seguiu essas renas durante o cio. Assistindo à luta, ele se sentiu o cheiro, o barulho, o cansaço e a dor. As renas chocaram-se com os chifres até que o macho dominante (esquerda) expulsou seu rival, garantindo a oportunidade de procriar.


Imagem panoriamica de Oceanos –  Imagens retratando  a importância dos ambientes marinhos para o h0mem ou para o planeta.

As imagens podem ser feitas  acima ou abaixo da água. Devem transmitir uma mensagem – simbólica ou real – dos mares  como reservatórios de abundância extraordinária, os oceanos como motores do clima e da meteorologia ou , quer como exemplos de exploração humana, proteção ou restauração de um ambiente marinho.

Vencedora em 2021 

Wildlife Photographer of the Year – Jennifer Hayes

Jennifer Hayes (EUA) mostrou o nascimento de focas-harpa. Após uma tempestade, foram necessárias horas de busca por helicóptero para encontrar esse bloco de gelo, usado como plataforma de nascimento das focas.


Plantas e Fungos – Cenas que mostrem a essência de uma planta ou fungo ou retratem sua importância em seu meio ambiente, ou ainda seus meios de sobrevivência.

Vencedor em 2021 

Wildlife Photographer of the Year – Justin Gilligan

O fotógrafo Justin Gilligan (Austrália) queria mostrar como o manejo humano cuidadoso ajuda a preservar esta vibrante selva de algas marinhas. Com uma janela de apenas 40 minutos com as condições da maré ideais, ele levou três dias para obter a imagem feita no recife tropical mais ao Sul do mundo.


Artista Natural – Trabalhos refletindo a beleza simples ou a arte complexa da natureza. As imagens podem ser em cores ou em preto e branco. 

Vencedor em 2021 

Wildlife Photographer of the Year – Alex Mustard

Alex Mustard (Reino Unido) disse que sempre quis capturar esta imagem de um peixe-cachimbo jovem, mas normalmente só encontrava adultos mais escuros em estrelas de penas iguais. Sua imagem transmite a confusão que um predador provavelmente enfrentaria ao encontrar este caleidoscópio de cores e padrões.


Vida Selvagem Urbana – Cenas mostrando a ocupação ou coabitação da natureza num ambiente dominado pelo homem, seja capturando a magia do lugar-comum ou a surpresa do inesperado.

Vencedor em 2021

Wildlife Photographer of the Yeaar – Gil Wilsen

– A aranha armadeira, velha conhecida dos brasileiros, foi fotografada por Gil Wizen (Israel/Canadá). Depois de notar pequenas aranhas por todo o quarto, Gil olhou embaixo da cama. Lá, guardando sua ninhada, estava uma das aranhas mais venenosas do mundo, a aranha errante brasileira (ou armadeira, como é conhecida no Brasil).

Antes de devolvê-la com segurança à natureza, ele fotografou a aranha do tamanho de uma mão humana, usando a técnica de perspectiva forçada para fazê-la parecer ainda maior.


Fotografia Subaquática – Imagens que revelem a vida debaixo d’água, seja em ambiente marinho ou de água doce. As imagens podem focalizar o comportamento animal ou retratar animais ou plantas como parte de ambientes subaquáticos. 

Vencedor em 2021 

Wildlife Photographer of the Year  – Laurent Ballesta

O francês Laurent Ballestra retratou a desova anual de garoupas camufladas.


Imagem panorâmica de terras úmidas/Pântanos –  Devem comunicar o papel vital dos ecossistemas de água doce, desde os pântanos e turfeiras, rios e lagos até deltas, várzeas, pântanos e manguezais.

As imagens podem ser poderosas por seu impacto ou beleza ou ilustrar uma história ambiental ou de conservação que revele a importância das áreas úmidas para a natureza ou para as pessoas.

Vencedor em 2021 

Wildlife Photographer of the Year – Javier Lafuente

– Ao manobrar seu drone e inclinar a câmera, Javier Lafuente (Espanha), lidou com os desafios da luz do sol refletida pela água e as condições de luz em constante mudança. Ele capturou as piscinas em cores planas, variando de acordo com a vegetação e o conteúdo mineral.


Fotojornalismo – Premiará trabalhos que investiguem a relação entre os seres humanos e o mundo natural. As imagens podem ser desafiadoras, edificantes, provocadoras ou reveladoras, e devem ilustrar como nossas atitudes, decisões e ações impactam o mundo natural.

Vencedor em 2021

Wildlife Photographer of the Year – Adam Oswell

Embora essa apresentação de um elefante posando para fotos tenha sido promovida como atividade educacional e exercício para o  animal, Adam Oswell (Austrália) ficou perturbado com a cena. As organizações preocupadas com o bem-estar dos elefantes em cativeiro vêem situações como esses como exploratórias, porque incentivam o comportamento não-natural dos bichos.


Série (stories) em Fotojornalismo – Conjunto de seis a dez imagens que contem uma história contundente.

Devem combinar  qualidade técnica  e poder narrativo. As histórias podem ser desafiadoras, edificantes, provocadoras ou reveladoras e devem ilustrar como nossas atitudes, decisões e ações impactam o mundo natural. 

Vencedor em 2021

Wildlife Photographer of the Year – Brent Stirton

A série ‘O toque da cura, do cuidado comunitário’, de Brent Stirton (África do Sul) mostra a diretora do centro de chimpanzés está sentada com um animal recém-resgatado, apresentando-o aos outros. Jovens chimpanzés recebem cuidados individuais para aliviar seus traumas psicológicos e físicos.

Esses chimpanzés têm sorte. Menos de um em cada dez é resgatado depois de ver os adultos de seu grupo serem mortos por  caçadores em busca de sua carne. A maioria passou fome e sofrimento.


Prêmio Estrela em Ascenção (18 a 26 anos de idade) – Demonstrando estilo e intenção artística, uma seleção das melhores imagens do fotógrafo (seis a dez imagens de diferentes assuntos ou pontos de vista) deverá mostrar uma amplitude de habilidade e visão, com qualidade técnica.

Vencedor em 2021 

Wildlife Photographer of the Year- Martin Gregus

Martin Gregus (Canadá/Eslováquia) fotografou ursos polares. Em um dia quente de verão, duas fêmeas de urso polar foram às águas rasas entre as marés para se refrescar e brincar. Martin usou um drone para capturar esse momento. Para ele, a forma de coração simboliza a aparente afeição de irmãos entre eles. “E é o amor que nós, como pessoas, devemos ao mundo natural”.

Prêmio Portfólio de Fotógrafo de Vida Selvagem (27 anos de idade ou mais) – Serão premiadas séries de seis a dez imagens com tema alinhado, sem necessariamente contar uma história.  

Vencedor em 2021 

Wildlife Photographer of the Year – Angel Fitor

Angel Fitor (Espanha) mostrou uma visão íntima da vida dos peixes ciclídeos no Lago Tanganica. Dois peixes ciclídeos machos lutam mandíbula a mandíbula por uma concha de caracol. Dentro da concha meio enterrada está uma fêmea pronta para botar ovos. Por três semanas, Angel monitorou o leito do lago em busca de tais disputas. 

O ato de morder e empurrar dura até que o peixe mais fraco ceda. A luta acabou em segundos, mas durou apenas o tempo suficiente para que Angel conseguisse sua imagem premiada.


Competição Jovem Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano

As imagens podem cobrir qualquer aspecto da vida selvagem e do mundo natural – plantas ou animais selvagens ou seus ambientes naturais, ou ilustrar a interação com a natureza, boa ou má. É dividida em três faixas etárias: menores de 10 anos, 11 a 14 anos e 15 a 17 anos. 

Vencedores em 2021

Wildlife Photographer of the Year – Vidyun R. Hebbar

O ganhador do prêmio Jovem Fotógrafo de Vida Selvagem do Ano foi um menino indiano de 10 anos, Vidyn R. Hebbar, com uma imagem impressionante de uma aranha e sua teia.

Ele encontrou a aranha em uma fresta na parece e fez a foto durante a passagem de um tuk-tuk (riquixá motorizado) que forneceu um fundo com as cores do arco-íris realçando a teia da aranha.


Wildlife Photographer ot Year – Andrés Luis Domingues Blanco

Na faixa etária de 11-14 anos o ganhador foi Andrés Luis Dominguez Blanco, da Espanha. Ele retratou uma Toutinegra melodiosa voando de flor em flor. Andrés estava escondido no carro do pai e fotografou a ave cantora à medida que a luz desaparecia no final de uma tarde quente de maio.


Wildlife Photographer of the Year – Lasse Kurkela

Lasse Kurkela (Finlândia)  foi a vencedora entre 15-17 anos. Ela queria dar uma noção de escala em sua fotografia do gaio siberiano, minúsculo entre a antiga floresta dominada por abetos. Ele usou pedaços de queijo para acostumar os gaios com sua câmera controlada remotamente, e para encorajá-los a fazer uma determinada rota de voo.

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