Londres – Uma pesquisa divulgada pela consultoria britânica Brand Finance nesta segunda-feira (14) descobriu que cidadãos da maioria dos países do mundo culpa a Rússia pela atual guerra na Ucrânia, incluindo os do Brasil.

Apesar de o presidente Jair Bolsonaro ter se encontrado com Vladimir Putin apenas uma semana antes da invasão à Ucrânia, isso não influenciou a opinião de 63% dos brasileiros, que enxergam a Rússia como responsável por iniciar o conflito com o país vizinho.

Em todas as nações pesquisadas, apenas uma pequena proporção de entrevistados culpa a Ucrânia pela invasão, entre 1% e 10%, segundo o levantamento.

Guerra na Ucrânia revela polarização nos EUA

A Rússia é considerada culpada pelo conflito na Ucrânia pela maioria dos entrevistados no Japão (81%), Reino Unido (74%), Brasil (63%), Alemanha (67%), França (64%) e Estados Unidos (60%).

Mais entrevistados na África do Sul (48%) e na Turquia (42%) culpam a Rússia do que qualquer outra parte envolvida.

Na Índia, embora muitos (32%) vejam a Rússia como culpada, a maioria (46%) responsabiliza os EUA ou a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pelo conflito.

Na China, a maioria dos entrevistados (52%) culpa os EUA, com apenas uma pequena minoria (11%) culpando a Rússia.

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No que pode ser interpretado como um reflexo da alta polarização da política americana, a única nação ocidental a apresentar uma proporção significativa de pessoas que culpam os EUA pelo conflito são os próprios EUA – com 22%.

“Ao invadir a Ucrânia, a Rússia minou sua capacidade de exercer influência no mundo. Agora é visto como um agressora, com o público em grande parte do mundo altamente crítico de sua conduta”, avalia David Haigh, presidente e CEO da Brand Finance.

“Isso – tanto quanto as sanções internacionais – terá efeitos devastadores na economia russa.

Com seu soft power destruído, a Rússia achará quase impossível atrair ou persuadir parceiros internacionais – seja nos negócios ou na diplomacia.”

A pesquisa foi conduzida pela consultoria Brand Finance em uma amostra representativa de mais de 5 mil entrevistados em 10 países usando a metodologia do Global Soft Power Index 2022. As conclusões completas do estudo foram divulgadas na terça-feira (15) em Londres.

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As atitudes em relação à conduta e respostas da Rússia e Ucrânia ao conflito também foram questionadas pela Brand Finance.

Na China, 61% dos entrevistados avaliaram positivamente a conduta e a resposta da Rússia durante o conflito, em comparação com 13% negativamente, para uma taxa de aprovação positiva líquida de +48%.

A Índia é a única outra nação a dar uma classificação líquida positiva à conduta da Rússia, em +18%.

Em todos os outros países pesquisados, o índice de aprovação da conduta da Rússia é extremamente negativo, variando entre -75% (Japão) e -41% (EUA).

Novamente, é a opinião pública americana que está mais dividida – e não apenas entre o Ocidente, mas também em relação ao Brasil (-65%), Turquia (-56%) e África do Sul (-49%).

A maioria dos entrevistados avalia positivamente a conduta e a resposta da Ucrânia durante o conflito. Os índices de aprovação positiva líquida variam de +23%, no Brasil, a +60%, no Reino Unido – o mais alto do estudo.

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Em comparação com as percepções avaliadas no último índice Global Soft Power, a reputação da Rússia caiu 19% globalmente após a invasão à Ucrânia.

A nação governada por Putin sofreu em todos os países pesquisados, embora a queda na China (4%) e na Índia (5%) seja menor do que em outros lugares.

Ao mesmo tempo, três nações do mundo em desenvolvimento fizeram uma reviravolta completa em suas opiniões sobre a influência da Rússia no mundo.

Em vez de considerar que a Rússia tem uma influência líquida positiva no mundo, os entrevistados no Brasil (-39%), África do Sul (-27%) e Turquia (-19%) agora consideram que o país tem uma influência líquida negativa em linha com os pontos de vista dos entrevistados nos países ocidentais.

As percepções da Ucrânia também mudaram como resultado da invasão da Rússia, com a familiaridade aumentando em extraordinários 44%, a influência em 24% e a reputação em 12%.

Os holofotes sem precedentes da mídia sobre o conflito e uma manifestação global de apoio ao país diante da agressão tiveram um efeito positivo nas percepções da Ucrânia na maioria das outras métricas do índice Global Soft Power, mesmo aquelas não relacionadas ao esforço de guerra.

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