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Com Instagram banido na Rússia, influenciadores se despedem de fãs e migram para Telegram

Liza Lukasheva publicou stories após bloqueio do Instagram na Rússia (Reprodução)

O Instagram foi oficialmente banido da Rússia na segunda-feira (14) em um novo ato de censura promovido pelo Kremlin contra as plataformas de mídias sociais.

O fim da rede social controlada pela Meta, antigo Facebook, no país impactou dezenas de influenciadores russos que dependem da renda gerada com a monetização dos posts no Instagram.

No fim de semana, muitos deles alertaram os seguidores sobre a migração para o Telegram e o VKontakte, que é o equivalente russo do Facebook.

Rússia proíbe Instagram após liberação de discurso de ódio

A proibição do Instagram na Rússia foi uma reação do governo de Vladimir Putin à uma nova diretriz anunciada pela Meta, que permitiu aos usuários da Ucrânia publicar mensagens como “morte aos invasores russos”.

Na semana passada, a empresa norte-americana disse que mudaria temporariamente sua política de discurso de ódio, aplicada apenas à Ucrânia e região, após a invasão da Rússia.

Segundo o comunicado da companhia americana, seria errado impedir que os ucranianos “expressassem sua resistência e fúria contra as forças militares invasoras”.

Na prática, a empresa também permitiria que usuários postassem ameaças de morte aos presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Alexander Lukashenko, de Belarus, desde que isso não atacasse a população russa como um todo.

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A liberação do discurso de ódio na plataforma não foi bem aceita pelo Kremlin. O governo russo abriu um processo contra a Meta, o que culminou na interrupção dos serviços do Instagram no país.

O Facebook já estava bloqueado na Rússia após a rede censurar publicações pró-Putin.

O Instituto Poynter estima que entre 60 e 80 milhões de usuários do Instagram no país foram afetados com o banimento da plataforma.

Após polêmica com Kremlin, Meta supostamente recua

O processo aberto pelo governo russo fez com que a Meta supostamente recuasse de sua nova diretriz. Em publicação interna da plataforma a que a agência Reuters teve acesso, a empresa alega que proibiu posts na Ucrânia com apologia à morte de chefes de Estado.

“Agora estamos estreitando o foco para deixar explicitamente claro na diretriz que a decisão nunca deve ser interpretada como tolerância da violência contra os russos em geral”, escreveu o presidente de assuntos globais Nick Clegg.

“Também não permitimos pedidos de assassinato de um chefe de Estado. Então, para remover qualquer ambiguidade sobre nossa posição, estamos restringindo ainda mais nossa orientação para deixar explícito que não estamos permitindo pedidos de morte de um chefe de Estado em nossas plataformas.”

Clegg ainda disse que a empresa manterá a “orientação sob constante revisão porque o contexto na Ucrânia está sempre evoluindo.”

Não haverá mudanças nas políticas sobre discurso de ódio no que diz respeito ao povo russo, segundo ele.

“A Meta é contra a russofobia. Não toleramos pedidos de genocídio, limpeza étnica ou qualquer tipo de discriminação, assédio ou violência contra os russos em nossa plataforma.”

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Influencers da Rússia se despedem dos seguidores no Instagram

Ao anunciar o bloqueio do Instagram, o órgão regulador de comunicações da Rússia, Roskomnadzor, enviou e-mail para os cidadãos pedindo que eles salvassem suas fotos e vídeos publicados antes que o aplicativo fosse banido do país.

Ao longo do fim de semana, influenciadores russos se despediram dos fãs na plataforma e manifestaram preocupação sobre o fim da renda com a rede social.

Em seu último post no Instagram antes da proibição, Liza Lukasheva, que tem um milhão de seguidores, escreveu: “Meus queridos amigos, o Instagram será fechado em nosso país em um futuro próximo… nas próximas horas.”

“Ficarei feliz em manter contato e continuar a fazer conteúdo para vocês. Inscrevam-se no meu canal do Telegram e na minha comunidade VKontakte. Prometo me comunicar com vocs  em inglês e contar os eventos da minha vida! Obrigado por tudo.”

Anna Ivanova, com 4,4 milhões de seguidores no Instagram, disse em um post final: “Milhões de histórias, milhares de postagens, milhares de momentos felizes que foram compartilhados com vocês. Tudo isso nos uniu em uma grande família ‘insta’.”

“Quase 5 milhões de pessoas e 10 anos… Tenho certeza de que tudo vai melhorar e seremos ainda mais, mas por enquanto desejo a todos nós apenas paz e força para sobrevivermos a todas as dificuldades. Aguardo você no meu canal do Telegram e no grupo VK”, anunciou.

Antes da proibição, o chefe do Instagram, Adam Mosseri, publicou um vídeo na rede social lamentando a decisão da Rússia.

“O governo russo decidiu bloquear o Instagram na Rússia, cortando milhões de pessoas de entes queridos e amigos em todo o mundo. Sabemos que mais de 80% das pessoas na Rússia no Instagram seguem uma conta de fora do país. A situação é aterrorizante e estamos tentando fazer todo o possível para manter as pessoas seguras”.

Para driblar censura, VPN é a solução para os russos

Além do Instagram, Facebook e Twitter também foram bloqueados na Rússia para evitar que imagens e informações contrárias à versão do Kremlin sobre a guerra sejam disseminadas entre a população.

Sites de veículos de mídia russos independentes e até de grandes empresas também estão restritos no país.

Liza Lukasheva publicou stories após bloqueio do Instagram na Rússia (Foto: Reprodução)

Para driblar a censura, os russos estão usando conexão VPN (rede privada virtual), uma forma de navegar na internet com dados criptografados e que ocultam a localização ao mascarar o IP do usuário. 

Dessa forma, a população da Rússia consegue acessar sites bloqueados no país “fingindo” que estão em outro país, por exemplo.

O bloqueio do Instagram fez utilização de VPNs disparar na Rússia. De acordo com empresa de monitoramento de internet móvel a SensorTower, cerca de seis milhões de downloads desse tipo de aplicativo foram feitos desde o dia 24 de fevereiro (dada da invasão da Ucrânia) até 8 de março na Rússia.

À agência italiana ANSA, a empresa de cibersegurança SurfShark, especializada em privacidade digital, informou que as vendas de VPNs em território russo aumentaram pelo menos 3.500%.

Até mesmo os influencers da Rússia que se despediram dos usuários do Instagram já estão fazendo publicações com o uso de VPN.

Liza Lukasheva, por exemplo, postou diversos stories na manhã desta terça-feira (15), um dia após o bloqueio do Instagram no território russo, comentando artigos que saíram sobre ela na imprensa internacional.

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