Apesar de a transação da compra do Twitter ainda não estar concluída, Elon Musk segue fazendo planos que prometem grandes transformações na rede social. Na terça-feira (10), o bilionário anunciou que pretende reativar a conta do ex-presidente Donald Trump na plataforma, banido no ano passado por causa da invasão ao Capitólio.

Em uma apresentação a investidores a que o New York Times (NYT) teve acesso, Musk também sinalizou outras mudanças para o Twitter.

Demissões e novas contratações de funcionários,  marca de 931 milhões de usuários e um misterioso “projeto X” foram citados pelo homem mais rico do mundo como parte de seus planos para mudar a cara da rede social como a conhecemos.

Com Elon Musk, Trump pode recuperar conta no Twitter

Musk pode estar no caminho certo, já que o interesse para trabalhar no Twitter disparou desde que ele fez a oferta para ser o novo dono da plataforma.

Por outro lado, os atuais funcionários da empresa seguem desconfiados e pouco empolgados com o futuro da rede social sob o comando do bilionário. E Trump é um dos motivos. 

Desde que foi anunciada a compra do Twitter por Elon Musk, que se autointitula “defensor da liberdade de expressão”, era esperado que, em algum momento, ele falasse sobre o banimento de Donald Trump da plataforma.

Após a invasão ao Capitólio, realizada por apoiadores do ex-presidente dos EUA, o Twitter concluiu que Trump violou as regras da rede social ao postar mensagens com incitação à violência que culminaram no ataque de 6 de janeiro de 2021.

Depois do Twitter, outras plataformas também baniram Trump, como o Facebook e o Instagram, sob a mesma justificativa.

Durante participação na conferência “Future of the Car”, do jornal Financial Times, nesta semana, Musk chamou de “erro” a decisão de expulsar o político do Twitter.

“Acho que não foi correto banir Donald Trump, acho que foi um erro. Eu reverteria a proibição permanente…

Mas minha opinião, e Jack Dorsey, quero deixar claro, compartilha dessa opinião, é que não devemos ter proibições permanentes.”

Dorsey é um cofundador do Twitter e deixou o cargo de CEO na empresa em dezembro. Na plataforma, ele disse que concorda com as declarações do bilionário dono da Tesla de que não deve haver proibições permanentes na rede social.

“Existem exceções… mas geralmente banimentos permanentes são um fracasso nosso e não funcionam.”

“Proibir Trump do Twitter não acabou com a voz de Trump, vai amplificá-la entre a direita e é por isso que é moralmente errado e totalmente estúpido”, disse Musk no evento do Financial Times.

O bilionário admitiu que sua aquisição do Twitter e o retorno de Trump à rede social ainda não é algo definido.

“Vou dizer que ainda não possuo o Twitter, então isso não é algo que definitivamente acontecerá, porque e se eu não tiver o Twitter?”.

Apesar da mobilização para seu retorno triunfal ao Twitter, Trump, até o momento, não parece muito interessado na oferta de Elon Musk.

Em entrevista à Fox News no mês passado, o ex-presidente disse que não pretende retornar à rede social mesmo com o novo dono, pois quer ficar na sua própria, a Truth Social.

“Não vou para o Twitter, vou ficar na Truth”, disse Trump à emissora horas antes do anúncio oficial da aquisição. “Espero que Elon compre o Twitter porque ele fará melhorias nele e ele é um bom homem, mas vou ficar na Truth”.

A Truth Social foi lançada no início de março e, desde então, acumula problemas e uma fila de   usuários tentando utilizá-la.

Trump disse que o Twitter “se tornou muito chato porque os conservadores foram expulsos ou saíram da plataforma quando eu saí”.

“Tornou-se chato porque não havia interação”, disse. “A interação na Truth tem sido incrível.”

Trump não quis comentar se esteve em contato com Musk recentemente, mas uma fonte disse à Fox News que eles têm um relacionamento “muito bom e são amigos”.

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Os planos de Elon Musk para o Twitter

O jornal The New York Times (NYT) teve acesso a uma apresentação feita por Elon Musk a investidores do Twitter no início do mês, na qual ele revelou alguns de seus planos e metas financeiras para a plataforma caso a compra seja concluída.

O bilionário disse que quer aumentar a receita anual do Twitter em cinco vezes até 2028, passando dos US$ 5 bilhões registrados no ano passado para US$ 26,4 bilhões.

Além disso, Musk quer reduzir a dependência do Twitter em publicidade. Sob sua gestão, a receita de anúncios cairia para 45% do total, abaixo dos cerca de 90% registrados em 2020.

A previsão dele é que até 2028 seja gerado US$ 12 bilhões com publicidade no Twitter. Assinaturas devem atingir quase US$ 10 bilhões da renda da empresa.

O dono da Tesla também quer mexer nos negócios de pagamentos da plataforma, atualmente resumidos a compras e doações feitas por fãs a influenciadores. No documento apresentado a investidores, Musk diz que já em 2023 esse serviço traria US$ 15 milhões para o Twitter.

Projetando para 2028, a previsão é de crescer para cerca de US$ 1,3 bilhão. O novo dono do Twitter, no entanto, não indicou como pretende atingir essa meta.

Porém, o NYT disse que há especulações de que ele traga novos recursos de pagamentos para plataforma, pois tem experiência no ramo como fundador do serviço financeiro online PayPal.

Outra meta ambiciosa anunciada por Elon Musk é uma verdadeira explosão de novos membros para a rede social: até 2028, ele pretende alcançar 931 milhões de usuários.

Segundo o jornal, Musk prevê que o número total de usuários do Twitter crescerá de 217 milhões no final do ano passado para quase 600 milhões em 2025, alcançado a marca quase bilionária em seis anos.

“A maior parte desse crescimento virá dos negócios suportados por anúncios do Twitter, incluindo o Twitter Blue, pelo qual os usuários pagam US$ 3 por mês para personalizar sua experiência no aplicativo.

De acordo com a apresentação, Musk espera 69 milhões de usuários do Twitter Blue até 2025 e 159 milhões em 2028.”

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Mais planos: demissões e misterioso ‘projeto X’

Ainda segundo o documento obtido pelo NYT, Elon Musk trabalha em um misterioso “projeto X” e promete 104 milhões de assinantes nele até 2028.

O novo produto foi mantido em segredo, mas, segundo o jornal, Musk deu a entender que pode ser uma experiência sem anúncios no Twitter. 

“O produto X Subscribers aparece na apresentação em 2023, com 9 milhões de usuários esperados em seu primeiro ano”, relata a publicação.

Enquanto esse plano não é revelado, outro já não parece haver mais nenhum segredo: Elon Musk pretende demitir funcionários do Twitter e contratar novos profissionais. Em 2025, ele  prevê que a empresa terá 11.072 funcionários — mais de 3.500 contratações além dos cerca de 7.500 de hoje.

“Musk provavelmente demitirá funcionários como parte de sua aquisição, antes de trazer novos talentos em engenharia, disse uma pessoa com conhecimento da situação.

Os custos de compensação baseados em ações também devem aumentar para pouco mais de US$ 3 bilhões até 2028, de US$ 914 milhões em 2022.”

Parte do acordo de aquisição do Twitter por Elon Musk envolve a adição de US$ 13 bilhões em dívidas. Isso, porém, não abala o novo proprietário, já que ele espera pagar essa dívida à medida que o fluxo de caixa livre – o saldo disponível da empresa após realizar todos os seus pagamentos – cresça para US$ 3,2 bilhões em 2025, de acordo com o documento.

Para 2028, Musk espera chegar a US$ 9,4 bilhões mesmo que as despesas e custos operacionais também aumentem.

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Interesse para trabalhar no Twitter cresce, mas atuais funcionários têm dúvidas

Daniel Zhao, economista sênior e cientista de dados da plataforma de empregos Glassdoor, publicou no Twitter que o interesse em vagas na empresa de mídia social aumentou 263% entre 24 e 30 de abril — período em que o conselho já tinha aceitado a oferta de compra de Elon Musk.

À revista Fortune, Zhao explicou que o interesse é definido pela média de cliques diários nas postagens de emprego do Twitter na plataforma, em comparação com a média de cliques diários em uma linha de base de março de 2022 antes da divulgação das notícias dos planos de Musk para a empresa.

“Diga o que quiser sobre Elon, ele tem uma grande base de fãs de pessoas animadas para trabalhar para ele”, publicou Zhao. “É muito mais provável que ele capitalize essa atração como CEO do que como proprietário.”

Na rede social, o próprio Elon Musk comentou os dados apresentados pelo economista da Glassdoor.

“Se a aquisição do Twitter for concluída, a empresa estará super focada em engenharia de software, design, segurança da informação e hardware de servidor”, disse.

“Acredito firmemente que todos os gerentes de uma área técnica devem ser tecnicamente excelentes. Os gerentes de software devem escrever um ótimo software ou é como ser um capitão de cavalaria que não sabe andar a cavalo!”

“Além disso, as expectativas de ética no trabalho seriam extremas, mas muito menos do que exijo de mim mesmo”, acrescentou Musk.

A empolgação para ser um funcionário do Twitter não anima do mesmo jeito os atuais funcionários da empresa. E parte disso é por causa do próprio Elon Musk, que, quebrando parte do acordo de compra, já criticou publicamente a equipe da plataforma.

Uma das maiores controvérsias envolve a chefe jurídica do Twitter, Vijaya Gadde.

Elon Musk respondeu no final de abril a um post no Twitter do apresentador de podcast Saagar Enjeti que alegou, citando uma reportagem, que Gadde teria ficado “emotiva” durante uma reunião para discutir o acordo com o bilionário.

No post, Enjeti se referiu a Gadde como a “principal defensora da censura” do Twitter, em referência à decisão da empresa em 2020 de bloquear o compartilhamento de uma matéria do New York Post sobre o filho do presidente Joe Biden, Hunter.

Durante a campanha presidencial de 2020, o jornal publicou reportagem, que acabou classificada como não verificada, alegando que Hunter Biden tentou apresentar a seu pai, então vice-presidente dos Estados Unidos, um executivo da empresa ucraniana para a qual trabalhava.

O Twitter afirmou que havia bloqueado a reportagem por conter imagens de material hackeado, com informações pessoais e privadas.

A comissão eleitoral americana concluiu em decisão unânime que o Twitter havia tomado decisões válidas com base em razões comerciais.

Em resposta a esse comentário crítico à advogada do Twitter, Musk escreveu:

“Suspender a conta do Twitter de uma grande organização de notícias por publicar uma história verdadeira foi obviamente incrivelmente inapropriado”.

Sua manifestação desencadeou tweets negativos de usuários sobre Gadde, incluindo afirmações de que ela “ficaria na história como uma pessoa terrível”, enquanto outras postagens pediam que ela perdesse o emprego.

O ex-CEO do Twitter Dick Costolo criticou a conduta do novo dono da plataforma por trazer “assédio e ameaças” à uma funcionária da empresa, acrescentando: “Bullying não é liderança”.

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