Sob escrutínio de reguladores nos Estados Unidos e pressão pelos efeitos negativos em jovens, o Instagram está testando novas formas de verificar a idade de adolescentes que se cadastram na plataforma.

Uma delas é o vídeo selfie, que usa inteligência artificial para estimar a idade com base nas expressões faciais, que começou a ser testado nos EUA.

Usuários devem ter no mínimo 13 anos para criar um perfil na rede social na maioria dos países, mas é comum crianças abaixo dessa faixa etária acessarem o Instagram sem a supervisão dos pais.

Adultos poderão atestar idade de adolescentes no Instagram

Revelações feitas no ano passado pela ex-gerente do Facebook Frances Haugen indicaram que a Meta, controladora de ambos sites, sabia e até aumentava os riscos da plataforma de fotos para meninas com problemas de imagem corporal.

Pelo modelo que começou a ser testado, serão três opções para novos perfis ou aqueles que atualizarem a data de nascimento: enviar foto de um documento de identidade, gravar um vídeo selfie ou pedir para que três adultos maiores de 18 anos confirmem a idade informada.

“Estamos testando isso para garantir que adolescentes e adultos tenham a experiência certa para sua faixa etária”, disse a plataforma, em comunicado. E detalhou a personalização para usuários menores de idade:

“Quando sabemos que alguém é um adolescente (13-17), fornecemos a eles experiências apropriadas à idade, como padronizá-los em contas privadas, impedir o contato indesejado de adultos que eles não conhecem e limitar as opções que os anunciantes têm para alcançá-los com anúncios.”

A rede social fez uma parceria com a empresa de identificação digital britânica Yoti, que usa inteligência artificial para calcular a idade dos usuários com base em suas características faciais e compartilha a estimativa com a Meta. Ambas empresas alegam que as imagens serão excluídas após a verificação.

Pelo método de comprovação social, usuários adolescentes poderão indicar três adultos para confirmarem a idade informada dentro de um prazo de três dias:

“A pessoa que atesta deve ter pelo menos 18 anos de idade, não deve ser responsável por mais ninguém naquele momento e precisará atender a outras salvaguardas que temos em vigor.”

Divulgação/Meta

Internamente, o Instagram também usa inteligência artificial para entender se um usuário é adolescente ou adulto.

“A IA nos ajuda a impedir que adolescentes acessem o Facebook Dating (recurso semelhante ao Tinder), adultos enviem mensagens para adolescentes e ajuda jovens a receberem conteúdo de anúncio restrito”, disse a empresa.

A rede social ainda destacou as informações fornecidas em cada opção de verificação de idade são usadas apenas para confirmar a idade e não serão visíveis no perfil, para amigos ou outras pessoas no Instagram.

A plataforma da Meta disse que os testes são uma forma de “explorar novas maneiras de abordar o dilema de verificar a idade de alguém” no mundo virtual.

Na ausência de padrões ou regulamentos do setor sobre como verificar a idade online com eficácia, investimos em uma combinação de tecnologias que são mais equitativas, oferecem mais opções para verificar a idade e protegem a privacidade das pessoas que usam nossas tecnologias.”

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Instagram é pressionado por riscos à saúde mental de adolescentes

Os novos testes são apenas algumas das medidas recentes adotadas pelo Instagram para limitar o uso da rede a adolescentes com idade inferior a 17 anos.

No início do mês, a plataforma anunciou ferramentas adicionais para que pais supervisionem o acesso da rede pelos filhos, como a opção de definir limites de tempo de uso e visualização de relatórios do que os jovens acessam no Instagram.

A empresa também quer desestimular o consumo excessivo dos mesmos tópicos nas abas de exploração e recomenda uma “pausa” quando percebe que usuários adolescentes visualizam por muito tempo conteúdos de uma mesma hashtag, por exemplo.

Paralelo a isso, a rede social está testando um outro novo recurso, chamado “Notes”, que vai permitir aos usuários publicarem notas curtas, como anúncios, na aba “Amigos próximos” ou para seguidores mútuos.

Diferente do “Notas” anunciado pelo Twitter, que testa a publicação de textos de até 2.500 palavras, o site TechCrunch aponta que o do Instagram será mais parecido com notas no estilo sticker que desaparecem em 24 horas.

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Segundo o site de tecnologia, o recurso foi descoberto pela primeira vez pelo usuário Ahmed Ghanem, que publicou imagens que sugerem que as notas do Instagram aparecerão na tela de mensagens diretas do aplicativo.

As mudanças devem impactar não apenas quem usa a rede social por lazer, mas também quem a acessa como fonte de notícias, já que a rede, ao lado do TikTok, foi a que mais cresceu para a busca de informação, segundo o estudo Digital News Report 2022.

Tudo isso acontece no contexto da Meta ser alvo de investigações nos EUA sobre os riscos à saúde mental dos jovens que acessam suas mídias sociais.

Em novembro, um consórcio de oito estados americanos anunciou uma investigação contra a empresa de Mark Zuckerberg para apurar violação às as leis de proteção ao consumidor ao exporem adolescentes a situação de risco de forma deliberada.

Em um comunicado distribuído para a imprensa, o procurador-geral de Nebraska, Doug Peterson, disse na ocasião:

“Quando as plataformas de mídia social tratam nossos filhos como meras mercadorias para manipular por mais tempo seu tempo de conexão e extrair dados, torna-se imperativo […] envolver nossa autoridade investigativa de acordo com nossas leis de proteção ao consumidor ”.

A procuradoria-geral de Massachusetts seguiu na mesma linha, afirmando que “O Facebook, agora Meta, não conseguiu proteger os jovens em suas plataformas e, em vez disso, optou por ignorar ou, em alguns casos, dobrar as manipulações conhecidas que representam uma ameaça real à saúde física e mental – explorar crianças em prol do lucro.”

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