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Ecos da COP28 | Cultura ganha força como instrumento de mobilização para a luta climática

Ministro da Cultura e Juventude dos Emirados Árabes, xeique Salem bin Khalid Al Qassimi e Ministra da Cultura Margareth Menezes na reunião do Diálogo Ministerial sobre Ação Climática baseada na Cultura a COP28, Dubai

Ministro da Cultura e Juventude dos Emirados Árabes, xeique Salem bin Khalid Al Qassimi e Ministra da Cultura Margareth Menezes na reunião do Diálogo Ministerial sobre Ação Climática baseada na Cultura a COP28, Dubai (divulgação)

Um dos legados da COP28 em Dubai foi a valorização da cultura como instrumento na luta climática, com a criação do grupo de Amigos da Ação Climática Baseada na Cultura (GFCBCA).

Como sede da COP30, que acontecerá em 2025 em Belém do Pará, o Brasil lidera a iniciativa, juntamente com os Emirados Árabes Unidos, anfitrião do encontro atual.

Ministros da cultura dos países signatários trabalharão em conjunto para desenvolver políticas e programas destinados a aproveitar o potencial da arte na conscientização, mobilização e informação sobre problemas e soluções para o clima.

Cultura e arte na luta climática

“Comunidades tradicionais, culturas urbanas e patrimônios da humanidade estão so

b risco. Isso pode fazer com que não possamos transmitir às novas gerações nossas práticas socioculturais e o legado de memórias e de expressões, afetando o direito à cultura de comunidades e limitando a diversidade cultural”, disse a ministra Margareth Menezes.

A jornalista brasileira Yula Rocha, que dirige a comunicação da ONG People’s Palace Project, baseada na Universidade de Queen Mary, em Londres, esteve em Dubai para acompanhar uma apresentação que exemplifica o casamento entre arte e clima.

Thiago Jesus, gerente de projetos climáticos da PPP, e Piratá Warauá, cineasta e fotógrafo indígena do Alto Xingu, contaram no Resilience Hub da conferência a história de uma iniciativa da ONG: o apoio para a recriação de uma gruta cujas inscrições sagradas foram destruídas por fazendeiros.

O fotógrafo indígena Piratá Wuara e Thiago Jesus, gerente de projetos climáticos da ONG People's Palace Project, na COP28, em Dubai, quando falaram sobre a importância da arte e da cultura na luta climática
O fotógrafo indígena Piratá Wuara e Thiago Jesus, gerente de projetos climáticos da ONG People’s Palace Project, na COP28 em Dubai

Uma réplica em tamanho natural está sendo feita em Madri e será entregue pela PPP à comunidade em 2024, em um projeto que inclui também a criação de centros culturais em diversas aldeias.

Transformando atitudes, narrativas e práticas

Thiago Jesus refletiu sobre o papel da cultura para transformar atitudes, narrativas e práticas, defendendo “uma ação orquestrada guiada pelo respeito à ciência”.

Desafio cultural

“A crise climática é também um desafio cultural, exigindo transformação profunda na maneira como nos relacionamos entre nós e com o planeta.

A arte é uma ferramenta poderosa para desafiar o status quo, e a cultura nos ajuda a dar valor às coisas. Mas seu papel tem sido negligenciado nas políticas climáticas.

A primeira vez que foi mencionado, através da inclusão de ‘patrimônio cultural’ nas declarações oficiais sobre ‘perdas e danos’ e ‘adaptação’, foi na COP27″.

Protegendo comunidades e mobilizando soluções

“As respostas às mudanças climáticas têm subestimado o valor da integridade cultural, que é a capacidade dos valores, crenças, tradições culturais, de proteger comunidades e lugares de se adaptar, e de mobilizar soluções.

Temos muitos exemplos no Brasil de soluções climáticas baseadas na cultura que oferecem caminhos para um futuro mais justo e de baixo carbono, mas precisamos reconhecer o poder da cultura e da arte e criar mecanismos, financiamentos, e políticas públicas culturais climáticas.”

Virando jogo na COP28

“Essa COP28 foi significativa para a cultura, com maior presença de vozes do setor. Artes, Cultura e Patrimônio foram temas de apresentações em eventos oficiais, e vimos a inauguração dos pavilhões Entretenimento + Cultura e Storytelling for Action”.

O poder do Brasil

“O Brasil é um país culturalmente rico, com expressões artísticas diversas. E os impactos climáticos e ambientais aqui são vividos e interpretados de maneira desigual por diferentes comunidades, lugares e gerações.

Por meio dessa multiplicidade podemos contribuir para conversas globais.

As práticas culturais são fundamentalmente adaptativas; são respostas que damos à constante mudança ao nosso redor. Elas são um processo contínuo de sentir, ajustar e re-imaginar a nossa relação com o que nos cerca”.


Este artigo faz parte de um relatório especial analisando as repercussões da COP28, jornalismo ambiental, ativismo e percepções da sociedade sobre as mudanças climáticas

Leia aqui a edição completa

 

 

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