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Democratização da Internet

Mundo tem 6,6 bilhões de pessoas com acesso à internet, mas desigualdade digital se aprofunda, mostra estudo global

Com 240 milhões de novos usuários em 2025, pesquisa mostra que qualidade e velocidade de acesso são muito desiguais

Homens com smartphone acessando internet em uma lanchonete

Foto: Rio Lecatompessy / Unsplash



Qualidade e velocidade da rede estão entre pontos que reforçam desigualdade digital, segundo o relatório UIT, que aponta desafios como competências digitais limitadas e acesso mais difícil dependendo do gênero e da região.


Ao todo, 240 milhões de pessoas ao redor do mundo passaram a ter acesso à internet em 2025. Isso significa que 6,6 bilhões já estão conectados, o equivalente a cerca de três quartos da população mundial.

No entanto, a quantidade dos que não podem usar a rede para estudar, trabalhar ou se informar permanece alta: 2,2 bilhões de pessoas continuam offline no mundo.

Os dados fazem parte do relatório Facts and Figures 2025, produzido pela União Internacional das Telecomunicações (UIT).

Mesmo com um grande número de pessoas conectadas, a pesquisa alerta que não há uma uniformidade no acesso à internet. Pelo contrário, as diferenças encontradas em termos de velocidade, qualidade, acessibilidade e competências digitais são grandes e podem aprofundar desigualdades sociais já existentes.

A secretária-geral da UIT, Doreen Bogdan-Martin, alerta que é preciso priorizar estes aspectos  que aprofundam a desigualdade para alcançar a meta de conectividade universal.

“Em um mundo onde as tecnologias digitais são essenciais para grande parte da vida cotidiana, todos devem ter a oportunidade de se beneficiar da conexão online.”

A UIT entende que alcançar uma conectividade “universal e significativa” implica que cada pessoa possa acessar a internet com qualidade, a custo acessível, no momento e local onde dela necessita. Esse objetivo continua distante para grande parcela da população mundial.

Cobertura 5G ressalta desigualdade digital

A principal métrica usada para medir a desigualdade no acesso à internet foi a cobertura 5G. Desde 2020, quando a nova geração de internet começou a ser implementada além da Coreia do Sul, sua área de cobertura passou de 9% para 55% (estado atual).

No entanto, 84% das pessoas em países desenvolvidos têm acesso a uma conexão 5G, enquanto em países pobres apenas 4% das pessoas acessam este tipo de rede, mais veloz e capaz de navegar em serviços ou conteúdos educativos, de entretenimento ou informativos desenhados para rodar com conexões mais poderosas.

A área de cobertura do 5G está concentrada na Europa (74%) e na Ásia (70%). Nas Américas, 60% da população têm acesso ao 5G, enquanto nos países árabes essa cobertura atinge apenas 13% da população e 12% na África.

A UIT também aponta que as conexões 3G o 4G não são suficientes para acompanhar tecnologias emergentes. Assim, milhões de usuários da internet ficam conectados apenas em teoria, pois não conseguem aproveitar o que a rede oferece.

Competências digitais

A cobertura 5G está longe de ser o único aspecto onde se observam desigualdades no uso da internet. Um dos principais fatores de distinção entre os usuários não é uma questão técnica, mas de capacitação de uso da rede.

Enquanto as habilidades de comunicação são consistentes entre os usuários, com pelo menos três quartos das pessoas com capacidades básicas nesta área, questões mais complexas apresentam desigualdade.

Segurança online, resolução de problemas digitais e criação de conteúdos são competências que evoluem de forma lenta entre os usuários. E estas são justamente as áreas que têm se tornado mais relevantes nos tempos atuais, criando assim mais uma camada de desigualdade na economia digital.

Outros fatores de desigualdade

A desigualdade social também é influenciada por outros aspectos. Entre eles o gênero, a idade e o desenvolvimento econômico dos países onde vivem os usuários.

Entre homens e mulheres a diferença é de seis pontos percentuais. 77% dos homens estão online, contra 71% das mulheres.

Os jovens têm maior acesso à internet. No total, 82% das pessoas entre 15 e 24 anos a utilizam. O índice é 10 pontos percentuais acima daquele do restante da população.

Mas a diferença mais gritante é a econômica. Nos países ricos, 94% das pessoas têm acesso á internet, enquanto nos países pobres esse índice cai drasticamente para 23%.


Confira o relatório completo da UIT aqui.

 

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