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Flórida processa OpenAI e Sam Altman por ‘ajuda’ do ChatGPT a atirador que matou 2 em universidade

Sam Altman, CEO da OpenAI, criadora do ChatGPT em depoimento à Câmara do Senado no Congresso dos EUA

Sam Altman, CEO da OpenAI, criadora do ChatGPT, no Congresso dos EUA

O estado americano da Flórida entrou com uma ação civil contra a OpenAI, dona do ChatGPT, e seu CEO, Sam Altman, em um processo que cita o ataque a tiros na Universidade Estadual da Flórida, em 2025, como um dos episódios mencionados nas acusações sobre riscos associados ao chatbot.

O tiroteio deixou duas pessoas mortas e seis feridas em 17 de abril de 2025, no campus da Florida State University, em Tallahassee. Segundo pela Procuradoria-Geral do estado, o acusado pelo ataque teria consultado o ChatGPT antes do crime.

A ação foi apresentada nesta segunda-feira (1º) no Tribunal do 10º Circuito Judicial da Flórida.

A Procuradoria-Geral afirma que a OpenAI teria lançado e promovido o ChatGPT de forma enganosa, sem divulgar adequadamente riscos associados ao uso da ferramenta de inteligência artificial, inclusive por crianças e adolescentes.

Esta é a primeira ação movida por um estado americano contra a OpenAI. O processo pede indenizações e penalidades, mas o montante não foi especificado na petição inicial nem em declarações oficiais.

Flórida processa OpenAI por supostas práticas enganosas

O processo acusa a empresa de práticas comerciais enganosas, negligência e violação de leis estaduais de proteção ao consumidor.

A queixa também responsabiliza pessoalmente Sam Altman, sob a alegação de que o executivo teve papel central na liberação e expansão de funcionalidades consideradas perigosas pelo estado.

Segundo a Procuradoria-Geral da Flórida, a OpenAI comercializou o ChatGPT como uma tecnologia segura, ao mesmo tempo em que teria ignorado alertas internos e externos sobre possíveis danos.

Entre os riscos citados estão a possibilidade de o chatbot facilitar comportamentos prejudiciais, fornecer informações relacionadas à violência, contribuir para interações problemáticas com jovens usuários e coletar dados de menores sem supervisão parental adequada.

Ação cita suposto uso do ChatGPT antes de ataque em universidade

O ponto de maior repercussão da ação é a referência ao ataque ocorrido na Florida State University. Segundo o estado, Phoenix Ikner, acusado de ser o autor do ataque, teria consultado o ChatGPT antes do crime.

Essa alegação também motivou uma investigação criminal separada sobre o possível papel da tecnologia no episódio.

OpenAI afirma que reforça proteções do ChatGPT

A OpenAI afirmou à imprensa que trabalha continuamente para reforçar as proteções do ChatGPT, especialmente em interações envolvendo menores.

A empresa também diz que seus modelos são treinados para desencorajar comportamentos nocivos e que colabora com autoridades quando necessário.

Em declarações anteriores, a companhia afirmou que o ChatGPT é amplamente utilizado para fins legítimos e que implementa recursos voltados à segurança de usuários mais jovens, incluindo controles parentais e mecanismos para reduzir respostas potencialmente prejudiciais.

Outros estados também processam plataformas digitais

O processo contra a OpenAI ocorre em meio a uma série de ações estaduais contra plataformas digitais nos Estados Unidos, especialmente em casos ligados à segurança de crianças e adolescentes.

O Novo México se tornou, em março de 2026, o primeiro estado americano a obter a condenação de uma grande empresa de tecnologia por enganar consumidores e colocar crianças em perigo.

Um júri considerou a Meta responsável sob a Lei de Práticas Desleais e ordenou US$ 375 milhões em penalidades civis.

Na segunda fase do processo, o estado passou a pedir reformas como verificação de idade, algoritmos mais seguros e supervisão independente.

A Meta afirmou ao tribunal que algumas exigências seriam tecnologicamente ou praticamente inviáveis e que poderia suspender Facebook, Instagram e WhatsApp no Novo México.

O Texas também acionou empresas de tecnologia em ações recentes. No mês passado, o procurador-geral Ken Paxton processou a Meta e o WhatsApp, acusando as empresas de enganar consumidores sobre o alcance da criptografia e da privacidade no aplicativo de mensagens.

No caso da Flórida, a ação amplia esse movimento para a inteligência artificial generativa, ao mirar não uma rede social, mas a empresa responsável pelo ChatGPT, usado em larga escala por adultos, adolescentes e crianças.


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