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Qual o papel da imprensa no enfrentamento da crise da mudança climática?

Plantação irrigada com incêndio florestal ao fundo em Utah, EUA

Plantação no estado de Utah, que sofreu incêndios florestais no verão de 2026 (foto: Mike Newbry / Unsplash)

Por piores que tenham sido as manchetes sobre o clima em 2026 — do derretimento de geleiras a incêndios florestais históricos e ondas de calor mortais — há um dado preocupante: é muito provável que este seja o ano menos quente do resto da sua vida.

Este ano será mais quente que o anterior, e o ano passado foi mais quente que o que veio antes dele.

Cientistas alertam que o próximo ano, especialmente com o fenômeno climático El Niño ganhando força, deverá registrar recordes e ver a temperatura do planeta muito acima dos níveis que especialistas vêm apontando como limites perigosos da crise climática.

Diante de tudo isso, pode ser difícil saber onde buscar ajuda e soluções: governos de todo o mundo — especialmente em petroestados como os Estados Unidos — parecem estar piorando a situação, em vez de melhorá-la.

Escolhas individuais podem parecer insignificantes diante da dimensão do problema da mudança climática.

O jornalismo como parte da solução

Há, no entanto, uma solução muitas vezes ignorada para o problema climático: o jornalismo.

Entender o que está acontecendo, o que está causando isso e quem é responsável (e não se engane: definitivamente há vilões nesta história) é uma condição necessária para resolver o problema climático.

Desligar-se do assunto não faz a ciência — nem a realidade — desaparecer.

Nossa organização sem fins lucrativos, a Covering Climate Now, passou os últimos sete anos estudando como a mídia ao redor do mundo faz a cobertura das mudanças climáticas e ajudando veículos de imprensa a se comunicarem melhor com seu público sobre o tema.

Uma maioria que quer ação contra a crise climática

A boa notícia é que o público está interessado.

Estudos mostram que, em média, 89% das pessoas no planeta não apenas se preocupam com a crise climática, mas querem que seus governos atuem para enfrentá-la.

O problema é que muitas dessas pessoas não sabem que fazem parte de uma esmagadora maioria preocupada com o clima; elas acham que estão isoladas, à margem.

Também não sabem que seus vizinhos muitas vezes pensam da mesma forma e, o mais importante, não votam como se fizessem parte da solução.

Dar visibilidade aos 89%

É aí que entra o jornalismo. Nos últimos dois anos, dezenas de repórteres de diferentes partes do mundo vêm trabalhando para contar a história dos 89% em suas comunidades, mostrando quem são essas pessoas e dando voz a elas.

E o mundo está prestando atenção: pessoas começaram a aparecer nas redes sociais se identificando como parte dos 89% e, em agosto, a empresa global de bebidas Oatly passou a estampar a mensagem dos 89% em suas embalagens no mundo todo.

O jornalismo tem potencial para ajudar o público a avançar na questão das mudanças climáticas.

Ao rejeitar a ideia de que as pessoas não se importam e identificar o que é necessário para resolver o problema com urgência — nas urnas, nas ruas e dentro de casa —, os veículos de imprensa têm a oportunidade, e o dever, de se unir a seu público para enfrentar a questão mais urgente de nossas vidas.

Essa conexão não apenas ajudará a enfrentar o problema climático, como também poderá reduzir a crise de confiança que atinge o jornalismo.

As pessoas apoiam veículos de imprensa que tratam dos assuntos com os quais elas se importam. Mas não será fácil.

Desinformação e pressão sobre a cobertura climática

Durante décadas, a indústria de combustíveis fósseis — lembra dos vilões que mencionamos antes? — investiu centenas de milhões de dólares em campanhas destinadas a confundir o público sobre os perigos da queima de combustíveis fósseis.

Essas empresas financiaram campanhas de desinformação destinadas a desacreditar a ciência do clima e procuraram minar a confiança no jornalismo que cobre corretamente o problema.

O crescimento das redes sociais deu origem a um esforço direcionado e coordenado para inundar o público com mentiras sobre o clima. Uma pequena minoria de provocadores online continua levando algumas redações a evitar uma cobertura climática tão incisiva quanto o assunto exige.

O jornalismo tem a oportunidade de corrigir esse erro, fazendo uma cobertura factual e urgente da crise que enfrentamos.

E o público — todos nós, os 89% — pode aproveitar essa oportunidade para redescobrir o valor de uma imprensa independente e valorizar as pessoas que estão dizendo a verdade sobre a crise que coloca todos nós em risco.


Kyle Pope é cofundador e diretor-executivo de iniciativas estratégicas do Covering Climate Now, uma colaboração global entre redações comprometida em ampliar e melhorar a cobertura sobre o clima.

Este artigo de opinião faz parte da cobertura compartilhada do World News Day 2026.


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