O jornalista Jorge Camero, de 28 anos, é a mais recente vítima de uma crescente escalada de violência contra a imprensa no México. Somente neste ano, ao menos cinco profissionais de mídia foram mortos no país.

Camero era diretor do portal El Informativo. Ele morreu após ser baleado por um grupo armado enquanto estava dentro de um ginásio na cidade Ayuntamiento de Empalme, no estado mexicano Sonora, na última quinta-feira (24).

Segundo a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ, na sigla em inglês), o profissional era, até há poucas semanas, secretário pessoal do prefeito do município, Luis Fuentes Aguilar. Ele solicitou licença do cargo após um vídeo associá-lo ao crime organizado — o que, a entidade destaca, não foi confirmado.

Jornalistas mortos no México preocupam entidades

Apesar da ONG Repórter Sem Fronteiras (RSF) contabilizar cinco jornalistas mortos no México em 2022, a União Nacional de Editores de Imprensa (SNRP) destaca que, com Jorge Camero, são sete vítimas no país somente nos dois primeiros meses do ano.

Em nota, a associação condenou os crimes e exigiu que o governo mexicano apure com rigor os casos que atentam contra a liberdade de imprensa.

“O México é o país mais perigoso e mortífero para o exercício profissional do jornalismo.

Em 56 dias até agora este ano, sete trabalhadores da mídia foram assassinados. Expressamos nossa indignação e rejeição a este ato criminoso e exigimos que o governo do presidente Andrés Manuel López Obrador cumpra sua responsabilidade constitucional de garantir a vida dos cidadãos mexicanos.”

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A IFJ também repudiou os assassinatos de jornalistas no México. Com a maioria dos casos no país, a América Latina já registra ao menos nove crimes letais por motivos relacionados à profissão em 2022.

“Exigimos medidas urgentes para acabar com o derramamento de sangue dos trabalhadores da imprensa.

Exigimos também que sejam aplicados os protocolos de investigação de crimes contra a liberdade de expressão e que não seja descartada nenhuma hipótese que vincule este crime ao trabalho de Jorge Camero como jornalista.”

México é um dos países mais mortais para jornalistas

O México ficou em uma péssima posição no último Ranking de Liberdade de Imprensa, divulgado pela RSF, em 2021. Avaliado junto com outras 180 nações, o país ficou em 143º lugar.

Segundo a ONG, o índice revela que o México continua sendo um dos países mais mortais do mundo para jornalistas.

No levantamento, a entidade destaca que o conluio entre autoridades e o crime organizado representa uma séria ameaça à segurança dos profissionais de imprensa e paralisa o sistema judicial em todos os níveis.

Jornalistas que cobrem matérias políticas delicadas ou crimes, especialmente em nível local, são avisados, ameaçados e muitas vezes mortos a sangue frio. Outros são sequestrados e nunca mais vistos, ou fogem para o exterior como única forma de garantir sua sobrevivência. 

A RSF também apontou que o presidente mexicano não adotou medidas necessárias para conter a violência e impunidade em crimes contra jornalistas.

Paralelo a isso, as grandes empresas de mídia do país são extremamente concentradas, enquanto mídias comunitárias alternativas são perseguidas e reprimidas por usarem frequências de transmissão sem licenças, segundo a organização. 

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