Uma mulher foi agredida, jogada para o alto e teve suas roupas arrancadas enquanto filmava um vídeo do TikTok no Paquistão, informou a polícia local. A jovem, identificada como Ayesha Akram, tiktoker com 115 mil seguidores, disse que estava filmando em um parque na cidade de Lahore quando uma multidão de cerca de 400 homens a atacou no sábado (14/8). O caso veio à tona na imprensa internacional nesta quarta-feira (18/8).

Vídeos do incidente circulam nas redes sociais e mostram uma mulher sendo agarrada à força por uma multidão de centenas de pessoas reunidas no monumento Minar-e-Pakistan para comemorar o Dia da Independência, um evento que marca o fim do domínio colonial britânico.

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Assim que a jovem iniciou a gravar vídeos com amigos que a acompanhavam, homens teriam começado a se aproximar para tirar selfies, e a situação teria saído do controle. 

A tiktoker disse que tentou escapar da multidão junto com outras seis pessoas quando cerca de 300 a 400 pessoas “atacaram” e a “agrediram violentamente” durante a luta.

Guarda tentou proteger jovem atrás de cerca, mas agressores invadiram monumento

A aglomeração aumentou de tamanho e começou a ficar fora de controle. O guarda de segurança do parque tentou conduzi-la para trás da cerca que circunda o monumento. A multidão, no entanto, começou a pular a cerca e quebrá-la para avançar em sua direção.

“A multidão era enorme e as pessoas escalavam o recinto e vinham em nossa direção”, disse ela à polícia, conforme registrado na delegacia de polícia de Lorry Adda e citado pelo jornal paquistanês Dawn.

“As pessoas estavam me empurrando e puxando a ponto de rasgar minhas roupas. Várias pessoas tentaram me ajudar, mas a multidão era muito grande e eles continuavam me jogando para o alto”, acrescentou.

Durante a luta, a mulher disse que seu anel e brincos foram “levados à força”, assim como o telefone celular de um homem que a acompanhava, sua carteira de identidade e o dinheiro que ela portava.

Polícia investiga centenas de pessoas captadas em vídeos da agressão

A polícia de Lahore registrou um caso na terça-feira contra centenas de pessoas não identificadas por agressão e roubo da mulher e seus seis companheiros.

O incidente foi registrado nos artigos 354 A (agressão ou uso de força criminosa contra a mulher e despojamento de suas roupas), 382 (furto após preparação feita para causar morte, ferimento ou coação para cometer o furto), 147 (tumulto) e 149 (aglomeração ilegal) do Código Penal do Paquistão, de acordo com Dawn.

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Desde então, as filmagens do incidente geraram centenas de milhares de visualizações no Twitter e no TikTok, com muitos expressando seu horror, frustração e raiva pelo ataque. O ataque revigorou o debate público no país em torno dos direitos e proteção das mulheres.

A senadora paquistanesa Sherry Rehman disse que uma recente implosão de violência contra mulheres sugere que o problema está piorando no Paquistão. “A maioria dos casos é ignorada, enterrada ou deixada de lado na cultura patriarcal de silenciar a vítima”, disse ela.

Menos de 3% dos casos de estupro são solucionados no Paquistão, afirma organização

O Paquistão é o sexto país mais perigoso do mundo para as mulheres, de acordo com a Thomson Reuters Foundation. A organização War Against Rape, sediada em Karachi, estima que menos de 3% dos casos de estupro resultam em condenações.

Taha Saleem, vice-comissário do Distrito Central de Karachi, condenou a violência, descrevendo o vídeo como “uma imagem abominável de nossa sociedade”.

A tiktoker paquistanesa Ayesha Akram. (Reprodução/Instagram/Ayesha Akram)

“O incidente do #MinarePakistan não é de forma alguma um evento isolado. Lembro-me de minha equipe me recomendando para fechar grandes parques, icluindo Hill Park e Jheel Park, porque incidentes semelhantes já foram relatados. Eu me pergunto o quão baixo podemos afundar”, Saleem tuitou na quarta-feira.

O presidente do Partido Popular do Paquistão e do comitê de Direitos Humanos do Paquistão, Bilawal Bhutto Zardari, disse que o ataque “deveria envergonhar todos os paquistaneses” em um tweet no mesmo dia.

“Isso fala para uma podridão em nossa sociedade”, acrescentou. “Os responsáveis ​​devem ser levados à justiça. As mulheres do Paquistão se sentem inseguras e é nossa responsabilidade garantir a segurança e direitos iguais para todos”.

A plataforma de compartilhamento de vídeo TikTok também foi banida várias vezes no Paquistão por supostamente permitir “conteúdo impróprio” em sua plataforma.

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