Londres – Seguindo os passos do Facebook, Google e YouTube, o Twitter anunciou no dia da abertura oficial da COP26 (1/11) um programa para combater fake news sobre mudanças climáticas durante o período da conferência. A novidade estará disponível em cinco idiomas, incluindo o português. 

A rede social apresentou em seu blog um conjunto de ferramentas destinadas a “desmascarar” a desinformação sobre a emergência ambiental e adiantar-se a falsas narrativas sobre o clima, proporcionando assim às pessoas um conteúdo mais preciso sobre a crise durante a cúpula global de Glasgow. 

“Estamos lançando pré-bunks – centros de informações confiáveis, disponíveis na guia Explorar, Pesquisa e Tendências, para exibir conteúdo factual em temas-chave, como a evidência científica que apoia a realidade das mudanças climáticas e do aquecimento global”, disse a empresa em um comunicado. 

 O Twitter inaugurou ainda uma página para a COP26,  apresentando recursos e comentários de organizações importantes e especialistas ambientais, bem como as últimas notícias sobre a conferência.

A página do evento está disponível em inglês, espanhol, árabe, português e japonês.

40 milhões de tuítes sobre o tema

Segundo a empresa, os debates sobre as mudanças climáticas foram responsáveis por mais de 40 milhões de tweets somente em 2021. 

No comunicado, o Twitter disse que está tomando essas medidas por prever que a desinformação climática tende a se espalhar mais durante a conferência climática da ONU.

Mas a empresa informou que não agirá em postagens individuais com desinformação climática, como faz com a desinformação antivacinação.

E que a princípio o projeto acaba junto com a conferência, podendo voltar no futuro, se houver necessidade. 

O Twitter já tinha lançado anteriormente um tópico sobre mudança climática para tornar mais fácil encontrar conteúdo sobre o tema, como  tweets de organizações ambientais e de sustentabilidade, de ativistas ambientais e cientistas. Esses tweets aparecem na linha do tempo dos usuários que seguem o tópico. 

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Google se antecipou à COP26

O negacionismo da mudança climática virou um problema para as redes sociais, que encontram grande dificuldade em controlar o avanço de teorias conspiratórias em suas plataformas. 

A três semanas da abertura da COP26, o Google havia anunciado uma nova política de monetização para combater o negacionismo do clima em sua plataforma. 

Em um comunicado publicado no dia 7 de outubro, a gigante digital revelou que vai proibir anúncios e monetização de conteúdo que não esteja de acordo com o consenso científico sobre as mudanças climáticas. 

A política vale para anunciantes, editores e criadores do YouTube e do Google. Embora publicada antes da conferência, só entrará em vigor em novembro, sem data marcada. 

Segundo a empresa, será vetado conteúdo que se referir às mudanças climáticas como uma farsa, postagens que negam que as tendências de longo prazo mostram que o clima global está esquentando ou alegações que sugerem que as emissões de gases de efeito estufa ou a atividade humana não contribuem para as mudanças climáticas.

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Crime contra a Amazônia 

Mas não é apenas a desinformação que circula nas redes que prejudicam a causa climática. Em fevereiro deste ano, a rede britânica BBC denunciou um esquema de venda de terras protegidas na Amazônia por meio das plataformas do Facebook.

Somente após seis meses, no dia 8 de agosto, a gigante digital anunciou medidas para interromper a prática. 

No comunicado, o Facebook informou ter atualizado as políticas de comércio “para proibir explicitamente a compra ou venda de terras de qualquer tipo em áreas de preservação ecológica em nossos marketplaces no Facebook, Instagram e WhatsApp”. 

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Desinformação também na imprensa 

Informações equivocadas ou falsas sobre as mudanças climáticas não são exclusividade das redes sociais.

Alguns veículos de imprensa, principalmente nos Estados Unidos, assumiram posição contrária ao consenso cientifico, preferindo alinhar-se à postura do ex-presidente Donald Trump, que sempre se mostrou refratário a medidas para controlar o aquecimento global. 

Um dos veículos mais importantes dessa linha é a emissora de TV Fox News, apontada seguidamente como fonte de desinformação sobre o tema. Uma semana antes da abertura da COP26, a emissora lançou um canal de meteorologia, para competir com gigantes como o Weather Channel. 

Especialistas se mostraram receosos com a iniciativa. Eles temem que o novo canal meteorológico assuma a mesma linha editorial da Fox, questionando a palavra de especialistas ou deixando de associar eventos climáticos extremos à crise ambiental.

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