Londres – Com a COP26 sem solução para limitar o aquecimento global nos níveis esperados pela ciência, o anúncio dos vencedores do prêmio de fotografia EPOTY (Fotógrafo Ambiental do Ano), feito durante a conferência, é mais um sinal de alerta para os efeitos das mudanças climáticas sobre o ser humano. 

O vencedor foi um fotógrafo espanhol com a imagem de uma criança dormindo dentro de sua casa destruída pela erosão costeira na praia de Afiadenyigba, em Gana.  Entre os finalistas e demais vencedores há outras cenas que revelam o drama humano da crise ambiental, como “Inferno”, feita por um jovem indiano. 

A proteção dos ecossistemas ameaçados tem sido objeto de alertas feitos por celebridades e ambientalistas como o britânico David Attenborough, que pediu uma nova revolução industrial para evitar situações como a retratada nas imagens. 

Desenvolvimento sustentável

O EPOTY é organizado pela entidade britânica Chartered Institution of Water and Environmental Management (CIWEM) e pela plataforma de streaming de vídeos sobre meio ambiente WaterBear.

O concurso recebeu este ano mais de 7.000 imagens de mais de 120 países, contando histórias do clima e da emergência ecológica e como as pessoas estão enfrentando esses desafios.  Mais de 75% foram enviadas por fotógrafos amadores. 

O concurso apóia os apelos à ação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Por isso, não há só destruição. Algumas categorias destacam soluções para geração de energia e agricultura verdes, apontando para um futuro em que a interferência humana esteja em sintonia com a natureza.

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O público também pode participar do concurso votando na melhor fotografia ambiental de 2021. A votação é online e pode ser feita até o dia 1º. de dezembro pelo Instagram do concurso: @environmental_photographer_oty . 

Conheça as fotografias vencedoras

Fotógrafo do Ano: “Os filhos da maré alta”, por Antonio Aragón Renuncio

O prêmio de fotógrafo do ano é concedido ao autor de uma imagem que promova a compreensão das pessoas sobre as causas e efeitos das mudanças ambientais e da desigualdade social, destacando soluções para o clima e a emergência ecológica e inspirando as pessoas a viver de forma sustentável.

A cena capturada pelo fotógrafo espanhol Antonio Aragón Renuncio é um perfeito exemplo do impacto da crise ambiental.

Em “Os filhos da maré alta”, ele retratou o sono de um criança em um cenário de destruição, com sua casa prestes a desabar devido à erosão causada pelo avanço do mar.  Renuncio relata o que quis mostrar na imagem:

 

Os filhos da maré – Antonio Aragon Renuncio, 2021, Fotógrafo Ambiental do Ano 2021

 “O nível do mar na costa do Togo e em outros países da África Ocidental continua a subir e engolir tudo em seu caminho. Casas, plantações, estradas, árvores, escolas, empregos, recursos…

No entanto, a costa deste pequeno país no Golfo da Guiné é apenas uma parte do enorme problema que afeta mais de 8.000 quilômetros de litoral em 13 países da África Ocidental.

Devido ao aquecimento global, o aumento do nível do mar está forçando o fundo do oceano a se reajustar, removendo sedimentos da costa e levando-os para longe. Isso causa erosão marinha capaz de devorar dezenas de metros de terra a cada ano.

Como resultado deste problema ambiental global, milhares de pessoas, principalmente mulheres e crianças, já foram obrigadas a deixar suas casas e migrar para o interior em busca de alimento, abrigo e para evitar uma morte certa… Muitos outros aguardam seu futuro inexorável: a próxima maré alta, que leva tudo embora. “


Jovem Fotógrafo do Ano: “Inferno”, por Amaan Ali

O prêmio Jovem Fotógrafo Ambiental do Ano foi concedido a Amaan Ali, da Índia, por seu trabalho “Inferno”, que retrata um menino lutando contra incêndios em uma floresta perto de sua casa em Yamuna Ghat, Nova Delhi.

De acordo com as pessoas que vivem no local, incêndios florestais causados pela atividade humana em uma área é uma ocorrência comum devido as condições de vida.

Inferno – Amaan Ali, 2021 – Jovem Fotógrafo do Ano 2021

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Prêmio Ambientes do Futuro: “Inundação”, por  Michele Lapini

A categoria do prêmio tem como objetivo narrar as mudanças ambientais devido ao impacto da humanidade e vislumbrar o futuro. As fotografias demonstram a resiliência de pessoas e ambientes enfrentando adversidades e desafios de destruição ambiental, segurança energética e conservação dos recursos naturais.

Uma casa está submersa pela inundação do rio Panaro no Vale do Pó devido as fortes chuvas e neve derretida. Nonantola, Modena, Itália, 2020.

Inundação – Michele Lapini – 2020 – Ganhadora categoria Ambientes do Futuro



Prêmio Cidades Sustentáveis: “Transição Net-zero-fotobiorreator”, por Simone Tramonte

Essa categoria chama a atenção para os ambientes construídos e as comunidades e animais que os habitam, apresentando cidades inteligentes e resilientes, transporte, resíduos e as conexões entre natureza, sociedade e infraestrutura. As fotografias incluem soluções ambientais de engenharia, design, materiais e estruturas.

“Um fotobiorreator nas instalações da Algalif na Islândia. A Algalif produz astaxantina  (um antioxidante) sustentável a partir de microalgas usando energia geotérmica 100% limpa.

Na fase de fome das algas a cultura é exposta à luz ultravioleta para causar condições de estresse e induzir a síntese de astaxantina.”

Transição Net-zero – Fotobiorreator – 2020 – Simone Tramonte – Ganhadora categoria Cidades sustentáveis”

” O sistema de iluminação permite que a Algalif reduza o consumo geral de energia em 50%, além de fornecer crescimento, produtividade e rendimento de microalgas ideais.

Os métodos de produção permitem 0% de evaporação de água, enquanto alguns fabricantes perdem até 20% de água por dia.  A Islândia mudou dos combustíveis fósseis para 100% da eletricidade e do calor de fontes renováveis.” Reykjanesbaer, Islândia, 2020.


Prêmio Ação climática : “O último suspiro”, por Kevin Ochieng Onyango

Este prêmio explora o desenvolvimento ambiental e econômico sustentável e demonstra a conexão humana com o mundo natural e as ações para preservá-lo. As fotografias destacam o valor natural e social do meio ambiente, da energia limpa a preços acessíveis e as abordagens inovadoras de adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças ambientais.

“Um menino inspirando ar da planta, com uma tempestade de areia se formando ao fundo. Esta é uma implicação drástica do que virá se continuarmos a derrubar árvores sem substituí-las.

As árvores são uma das soluções baseadas na natureza para as mudanças climáticas. Com o desmatamento, estamos chegando perto do nosso último suspiro.” Nairobi, Quênia, 2021

O último suspiro – Kevin Ochieng Onyango – 2021 – Ganhador categoria Ação climática

Prêmio Água e segurança: “Barreira Verde”, por Sandipani Chattopadhyay

Examinando as relações intrincadas entre o acesso à água potável e saneamento, igualdade de gênero e segurança, essa categoria do prêmio explora a demanda cada vez maior por água e o papel da igualdade em todos os aspectos de sua gestão, desde a escassez até as inundações.

“Estações de monções irregulares e secas causam a proliferação de algas no rio Damodar.

As algas impedem que a luz penetre na superfície e evitam a absorção de oxigênio pelos organismos aquáticos, afetando a saúde humana e os habitantes da área”. Bengala Ocidental, Índia, 2021.

Barreira verde – Sandpani Chattopadhyay – 2021 – Ganhador categoria Água e segurança

Prêmio Resiliência: “Sobreviver para estar vivo”, por Ashraful Islam

Essa categoria mostra o impacto da narrativa por meio da fotografia. O prêmio é concedido a uma única imagem que incorpora uma narrativa convincente capaz de educar, espalhar esperança e inspirar ação.

“Rebanhos de ovelhas procuram grama entre o solo rachado. Secas extremas em Bangladesh criaram dificuldades para todos os seres vivos.” Noakhali, Bangladesh, 2021.

Sobreviver para estar vivo – Ashafyl Islam – 2021 – Ganhador Prêmio Resiliente

Finalistas do EPOTY

“Secando incenso”, por Azim Khan Ronnie

Trabalhadores vietnamitas cercados por milhares de incensos em Quang Phu Cau, um vilarejo em Hanói, onde os bastões são feitos há centenas de anos.

O incenso desempenha um importante papel na vida espiritual do povo vienamita. As pessoas usam o incenso em todas as atividades de adoração. Hanói, Vietnã. 2019

Secando incenso – Azim Khan Ronnie – 2021 – Finalista

“Poluição rio Buriganga”, por Azim Khan Ronnie

Uma via navegável suja e movimentada está cheia de passageiros que viajam pela manhã,  atravessando o rio para chegar aos locais de trabalho na cidade de Dhaka. Bangladesh, 2021

Poluição rio Buriganga – Azim Kha Ronnie, 2021 – Finalista

“Filhote fisgado”, por Celia Kujala

Um filhote de leão-marinho da Califórnia com um anzol na boca segue o mergulhador e parece estar pedindo ajuda. Ilhas Coronado, México. 2020.

Filhote fisgado – Celia Kujala – 2020 – Finalista

“Jardim do Nemo”, por Giacomo d’Orlando

Jardim do Nemo retrata um sistema de agricultura alternativo dedicado a áreas onde as condições ambientais ou geormorfológicas tornam o crescimento das plantas extremamente difícil.

Este projeto totalmente autossustentável torna a agricultura subaquática uma solução ecologicamente correta para neutralizar as crescentes pressões das mudanças climáticas no futuro. Noli, Itália, 2021.

Jardim do Nemo – Giacomo d’Orlando – 2021 – Finalista

“Expedição Umka em Franz Joseph”, no Oceano Ártico, por Grigorov Gavriil

Pesquisadores pesam um urso polar anestesiado no arquipélago Franz Joseph, no Oceano Ártico, durante a expedição Umka 2021, organizada pela Sociedade Geográfica Russa.

Participam da expedição especialistas do Parque Nacional Ártico Russo, o N.N. Zubov State Oceanographic Institute e institutos e centros de pesquisa da Academia Russa de Ciências.

Expedição Umka – 2021 – Grigorov Gavriil – Finalista

A expedição, que começou em meados de março de 2021, tem como objetivo pesquisar e monitorar a população local de ursos polares, avaliar o impacto das mudanças climáticas e criar uma base instrumental para estudar as estruturas geológicas ativas no arquipélago de Franz Joseph. Oceano Ártico, 2021.


“Catedral no deserto”, por Jay Huang

A Catedral no Deserto é um monumento impressionante localizado no coração de um dos lugares mais bonitos do planeta, Glen Canyon, nos EUA.

Ganhando este nome originalmente por sua semelhança natural com uma catedral, o monumento está submerso a quase 30 metros sob as águas do reservatório do Lago Powell desde 1963.

Catedral no deseto – Jay Huang – 2021 – Finalista

“Com o nível de água extremamente baixo causado pela seca deste ano, foi possível visitar o local. O barco vermelho nos levou ao Reflection Canyon e ao passeio no Lago Powell”, contou o fotógrafo.  Lago Powell, Utah, EUA, 2021.


“Colheita de peixe a seco”, por Ashraful Islam

Muitos peixes são secos neste local todos os anos. No entanto, quando ficam úmidos cheiram muito mal e incomodam as pessoas, além de representarem um  problema ambiental. Muhisluti, Tarash, Sirajgong, Bangladesh, 2020

Colheita de peixe a seco – Ashraful Islam – 2020 – Finalista

“Pesca no rio”, por Ashraful Islam

Pescadores lançam suas redes nas águas perto da ponte Sontola, em Sirajganj. As algas se acumulam no rio durante a estação seca. Bangladesh, 2021.

Pesca no rio – Asharaful Islam – 2021 – Finalista

“Surya”, por Elena Pakhalyu

Os vulcões do Vale da Lama estão em risco devido o aquecimento global à atividade humana. Península da Criméia. 2020

Surya – Elena Pakhalyuk – 2020 – Finalista


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“Poluição marinha da aquicultura”, por Nguyen Duy Sinh

A foto mostra a aquicultura (produção de peixes e frutos do mar alimentados com ração) em  lagoas perto da praia. O despejo de resíduos diretamente no mar causa poluição ao ambiente marinho. Vietnã. 2020

Poluição marinha na aquicultura – Nguyen Duy Sinh – 2020 – Finalista

“Produção de sal bruto”, por Nguyen Linh Vinh Quoc

O sal de Dam Vua tem alto conteúdo nutricional. Para produzir grãos de sal branco sem impurezas, os salineiros tiveram que investir muito tempo e esforço. As partículas são cristalizadas depois que a água do mar na salina evapora. Um dia de trabalho para os produtores de sal começa quando o sol não está muito alto. Juntos eles transformam o sal em pilhas altas. Vitenã, 2020

Produção de sal bruto – Nguyen Linh Vinh Quoc – 2020 – Finalista

Energia limpa, por Pedro de Oliveira Simões Esteves

A imagem de turbinas eólicas no topo das montanhas é capturada momentos antes do pôr do sol em um dia nublado. Serra de São Macário, Portugal, 2021.

Energia limpa – Pedro de Oliveira Simões – 2021 – Finalista

“Mãe trabalhadora”, Riben Dhar

Uma mãe trabalhadora se esforça por sua família para garantir comida e insumos básicos. Ela tem que cuidar de seu filho e da sua atividade profissional ao mesmo tempo.

Aqui, uma mãe trabalha em uma produção de peixes secos, com a filha pendurada ao ar livre. No entanto, o lugar é dominado pelo ar tóxico dos peixes podres e desidratados. Chattogram, 2021

Mãe trabalhadora – Riben Dhar – 2021 – Finalista

“A vida: uma faixa estreita”, por Roberto Bueno

Uma faixa estreita de estrada divide as águas verdes e doces, com as árvores crescendo cheias de vida, das águas ocres e tóxicas do reservatório de uma mina próxima, onde não há árvores e a vida deixou de existir. Rio Tinto, Huelva, Espanha, 2019

A vida: uma faixa estreita – Roberto Bueno – 2019 – Finalista

“A floresta poligonal”, por Roberto Bueno

Um bom manejo das florestas é fundamental para conter as mudanças climáticas. Esta é uma floresta de castanheiras gerida por proprietários de madeira de forma sustentável.

As árvores foram cortadas em áreas poligonais. Entre elas há zonas menores com árvores que auxiliam no reflorestamento natural da madeira. Serra de Béjar, Salamanca, Espanha, 2019.

Floresta poligonal – Roberto Bueno 2019 – Finalista

“Jornada para a sustentabilidade”, por Sandipani Chattopadhyay

A juta é uma cultura biodegradável típica do delta do rio Ganges. É uma das fibras naturais mais importantes depois do algodão em termos de cultivo e uso. Os produtos podem substituir os de plástico. O governo indiano está incentivando os agricultores a cultivar mais juta. West Bengal, Índia, North 24 Porgonas, 2021

Jornada da sustentabilidade – Sandipani Chattopadhyay – 2021 – Finalista

“Ambiente confinado em plástico”, por Subrata Dey

“Eu tirei esta foto de uma fábrica de reciclagem de plástico em Chittagong, Bangladesh. A reciclagem é o processo de recuperação de sucata ou resíduos de plástico e de reprocessamento do material para gerar produtos úteis.

A reciclagem protege o meio ambiente da poluição do plástico e das emissões de gases de efeito estufa. Chittagong, Bangladesh, 2021

Ambiente confinado em plástico – Subrata Dey – 2021 – Finalista

“Em busca de água potável”, por Sultan Ahmed Niloy

Algumas mulheres com deficiência física coletam água em uma vala em Shora-9 , em Satkhira. Dez anos depois da passagem do ciclone Aila, as pessoas desta área ainda procuram água potável. As salinidade atingiu um nível tão profundo no subsolo que nem poços  profundos conseguem extrair água potável.

Eles costumam obter água doce de quatro grandes lagoas. Mas depois da tempestade, os lagos se tornaram apenas uma boa fonte de água salgada.

Na estação seca e no verão, todos os tanques permanecem secos. As pessoas esperam pela estação das chuvas, coletam e economizam a água da chuva para beber durante todo o ano.

Cada família bebe apenas 4,5 litros de água da chuva por dia. Além disso, eles não podem beber mais água apenas por causa da escassez de água potável. Khulma, Bangladesh, 2021

Em busca de água potável – Sultan Ahmed Niloy 0 2021 – Finalista

“Viagem arriscada”, por Ziaul Huque

Em busca de seu sustento, este homem cata itens de plástico em diferentes partes da cidade e os leva para a fábrica para vendê-los. A foto foi tirada na cidade de Chittagong, Bangladesh, 2019

Viagem arriscada – Zaul Huque – 2019 – Finalista

As imagens foram cedidas pela organização do concurso e não podem ser reproduzidas.

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