Londres – Na mesma semana em que a procuradoria-geral de Ohio abriu processo contra o Facebook por perdas financeiras a investidores, um consórcio de oito estados americanos anunciou uma investigação contra o Facebook e o Instagram nesta quinta-feira (18/11). 

O objetivo é apurar se a empresa violou as leis de proteção ao consumidor e colocou jovens em risco, com base nas revelações feitas em setembro pela ex-gerente do Facebook Frances Haugen, caso que ficou conhecido como os “Facebook Papers”. 

Entre os estados que lideram a investigação estão Califórnia, Flórida, Kentucky, Massachusetts, Nebraska, Nova Jersey, Tennessee e Vermont.

Meta, o novo nome da holding do Facebook, nasce com problemas 

Em outubro, o Facebook anunciou a mudança do nome da holding que controla todos os seus produtos (o próprio Facebook, o Instagram e o WhatsApp, entre outros negócios).

O novo nome, Meta, seria uma alusão ao foco da empresa no futuro, apostando no metaverso (uma visão de realidade virtual), mas muitos analistas viram o movimento como uma tentativa de dissociar a empresa do cada vez mais problemático Facebook. 

Não adiantou muito, pois o nome não “pegou”, e os problemas se avolumam.  A empresa resolveu adiar o lançamento do Instagram para crianças.

E o que começou com uma séria crise de reputação vai se transformando em uma crise jurídica, com processos movidos em nome de investidores (como o do estado de Ohio e outro em Nova York), e agora a investigação dos demais estados americanos. 

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Foto: Bruce Mars/Unsplash

“Facebook não protege jovens”

O consórcio que anunciou a investigação contra o Facebook e o Instagram inclui as procuradorias, autoridades policiais e consultores jurídicos dos estados envolvidos. E o tom é incisivo. 

Em um comunicado distribuído para a imprensa, o procurador-geral de Nebraska, Doug Peterson, disse: 

“Quando as plataformas de mídia social tratam nossos filhos como meras mercadorias para manipular por mais tempo seu tempo de conexão e extrair dados, torna-se imperativo […] envolver nossa autoridade investigativa de acordo com nossas leis de proteção ao consumidor ”. 

A procuradoria-geral de Massachusetts seguiu na mesma linha, afirmando que “O Facebook, agora Meta, não conseguiu proteger os jovens em suas plataformas e, em vez disso, optou por ignorar ou, em alguns casos, dobrar as manipulações conhecidas que representam uma ameaça real à saúde física e mental – explorar crianças em prol do lucro “-

Em outro comunicado, o procurador-geral da Califórnia,  Rob Bonda, afirmou:

“Por muito tempo, a Meta ignorou a destruição que o Instagram está causando na saúde mental e no bem-estar de nossas crianças e adolescentes.

Já é suficiente. Realizamos esta investigação nacional para obter respostas sobre os esforços da Meta para promover o uso desta plataforma de mídia social para jovens californianos – e para determinar se, ao fazê-lo, violou a lei ”.

Os Facebook Papers 

Os documentos vazados por Frances Haugen, inicialmente para o The Wall Street Journal e depois para outros veículos de imprensa globais, incluem apresentações internas de pesquisas feitas pelo Facebook, em que danos ao estado emocional de jovens usuários do Instagram e proliferação de discurso de ódio eram reportados. 

“Tornamos os problemas de imagem corporal piores para uma em cada três adolescentes”, disse um slide de uma apresentação de 2019, vista pelo jornal americano.

“32% das meninas adolescentes disseram que quando se sentiam mal com seus corpos, o Instagram as fazia se sentir pior”, relatou uma outra apresentação em março de 2020.

(Ian Dooley/Unsplash)

Entre as descobertas mais preocupantes estava que, entre os usuários que relataram pensamentos suicidas, 13% no Reino Unido e 6% nos Estados Unidos os rastrearam no Instagram.

No início de outubro, a ex-gerente mostrou o rosto em uma entrevista para a TV americana, em que justificou o motivo de ter decidido tornar públicas as pesquisas internas. 

Desde então ela já participou de audiências públicas no Senado americano e nos parlamentos do Reino Unido e da União Europeia, fornecendo subsídios para comissões que preparam leis para regulamentar a atuação das plataformas digitais. 

 Ohio x Facebook 

Em outra frente, o Facebook enfrenta dois processos por prejuízos causados a investidores que perderam dinheiro com a desvalorização das ações da empresa depois que o escândalo começou.

O primeiro havia sido aberto em outubro por uma investidora no estado de Nova York. Na última segunda-feira (15/11) foi a vez da procuradoria-geral do estado de Ohio. Mas a ação movida por uma procuradoria estadual é um sinal de que os problemas legais depois dos relatos de que o gigante da mídia social sabia que o Instagram estava prejudicando adolescentes e não fez nada a respeito estão escalando. 

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