Londres – Duas marcas globais de automóveis fecham 2021 vivendo o constrangimento de ter que retirar do ar propagandas ofensivas a mulheres.

No Egito, a Citroën removeu um vídeo em que um homem tira uma foto de uma mulher a partir do interior do automóvel sem o seu consentimento. A marca foi acusada de promover o assédio ao mulheres.

Já a Mercedes está sendo criticada por um anúncio considerado ofensivo a mulheres asiáticas veiculado na China, que também saiu do ar nas redes sociais do país. 

Propaganda ofensiva estrelada por celebridade da música

O anúncio da marca francesa teve ainda mais repercussão por ser estrelado por Amr Diab, um cantor famoso no país e em todo o Oriente Médio, com milhões de álbuns vendidos. 

O filme mostra o astro de 60 anos usando uma câmara instalada no carro para tirar, secretamente e sem consentimento, uma fotografia de uma mulher que passa à sua frente. O objetivo era promover o recurso da câmera do carro. 

As imagens deixam evidente que a mulher foi surpreendida pelo olhar do homem e que não sabia que a imagem estava sendo capturada discretamente por ele. Diab aciona um botão perto do retrovisor e depois olha triunfante para a imagem em seu celular. 

A sequência do filme sugere que apesar de surpresa, ela cedeu ao charme do homem ao volante.

A mulher aparece saindo com ele de um local aparentando ser uma festa ou restaurante, e o casal embarca no automóvel para um passeio à beira-mar. 

O cantor foi criticado por fãs e ativistas nas redes sociais, mas não reconheceu o aspecto negativo da propaganda considerada ofensiva. 

O mesmo não aconteceu com a Citroën. Em um comunicado no Instagram na quinta-feira (30/11), a marca se desculpou pela cena vista como inapropriada e disse ter compreendido o que chamou de “interpretação negativa” do recurso criado para aprimorar segurança e “capturar momentos únicos na direção”. 

Outro anúncio também saiu do ar por imagens sem consentimento 

Fotos não autorizadas são um problema crescente em vários países, e viraram crime em alguns. No entanto,  isso parece não estar sendo levado em conta pelos publicitários.  

No início de dezembro de 2021, a principal marca de laticínios da Coreia do Sul também teve que tirar um filme em que um homem que fazia imagens de mulheres em uma paisagem campestre.

Mas nesse caso, o pior da propaganda foi associar as mulheres a vacas leiteiras. Depois de descobrirem a presença do fotógrafo, elas se transformam em vacas e uma encerra o filme mugindo irritada para a câmera. 

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Na China, Mercedes criticada por propaganda ofensiva a asiáticas 

Já com a Mercedes o problema foi a percepção de alimentar estereótipos relacionados a mulheres asiáticas. 

A modelo, que aparece no filme veiculado na rede social Weibo entre imagens de automóveis da marca e ao som de música eletrônica, foi maquiada de uma forma entendida como estereótipo ocidental sobre as pessoas da Ásia, com os olhos puxados acentuados. 

O filme publicitário havia sido postado no dia 25/12, mas ficou pouco tempo no ar, segundo reportou o jornal Global Times do Partido Comunista, indicando que a propaganda desagradou ao público e também ao governo.

Os dois casos fecham um ano em que marcas globais se viram constrangidas depois de campanhas percebidas como ofensivas.

Na Espanha uma ação de marketing do chocolate Snickers revoltou a comunidade LGBTQ, e acabou sendo removida dias depois de ir ao ar.

Estrelada por um conhecido influenciador gay, ela mostrava um homossexual com fome que se transformava em homem depois de comer a barra de chocolate. 

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